segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Chuck Wallberg (III)

Não demorou muito até o cheiro se alastrar pela rua. A peste, encapotada de carne em decomposição.
Descobriram os corpos num sábado de manhã. Por acaso. Era raro alguém passar ali, tão perto da porta. Aconteceu nesse dia, por acaso. A princípio foi um choque. Quem haveria de acreditar que pudessem haver crianças assim. E que outra hipótese mais haveria a considerar? Demónios, disseram muitos. Encarnações do próprio Diabo.
Foi um trauma para quem entrou na casa. Uma imagem que nenhum deles jamais iria esquecer. Conseguiriam ainda dormir a partir daquele momento? Diz-se que os corpos estavam sentados à mesa. Mas a visão era mais penosa do que isso. Por que raio haveria ele de os ter decapitado? E onde foi ele buscar coragem para fazer tal monstruosidade?
Chovia copiosamente quando retiraram os corpos de casa e os "arrumaram" nas traseiras de uma carripana a cair de podre. Está um caos este mundo, alguém disse, no meio da multidão que já dispersava. Um caos, sem dúvida, concordou a voz doce, terna e cristalina de uma criança que por ali se encontrava a brincar com uma bola de borracha vermelha. Mas não tão cristalina quanto o olhar, que brilhava, como sempre...

Sem comentários: