Por esta altura, se há coisa que sinto é uma sensação estranha de que estou a chegar ao fundo de alguma coisa. Pois, eu sei, é muito estranho. E ando assim desde o início de Dezembro, sem fazer a mínima ideia da razão, e ávido de encontrar uma explicação lógica que justifique este desarranjo mental.
Parece que sinto o peso de alguma coisa em cima de mim. Montes de coisas. Tralha e mais tralha. E como se este peso nas costas não fosse já suficientemente cansativo, é quase como se estivesse no "Pulo do Lobo", perto de Mértola, e ainda tivesse de arranjar forças para saltar para o lado de lá, sem cair à água...(mas para onde?)
Conforta-me, todavia, o facto de saber que isto não é novidade nenhuma. Que todos os anos é igual. Para mais, parece-me que daqui a bem pouco voltarei a ficar no topo de outra coisa qualquer, mesmo que, também, não saiba bem o que isso é. No topo e do outro lado (o que quer dizer que consegui saltar, sem cair à água).
O tempo...essa ideia abstracta que o Homem teve de objectivar e de controlar a todo o custo (como tudo o resto, diga-se). É, isto de se terem inventado números, e de se terem inventado segundos, e minutos, e horas, e dias, e semanas, e meses, e anos, e séculos tem muito que se lhe diga.
E depois inventou-se o champanhe, transformaram-se uvas em passas, construiram-se os hotéis de luxo...
Será que amanhã isto vai estar assim tão diferente?
6 comentários:
Como eu compreendo, mas se não temos um peso nos ombros isso tambem nos preocupa.
E tipico da humanidade.
Vais ver que tudo se resolve.
Pois é... Já passaram vários dias e não me parece que o dia 5 de Janeiro de 2009 seja muito diferente do dia 27 de Dezembro de 2008! No fundo, a "passagem" é uma espécie de ponte que todos temos de atravessar com um sorriso de orelha a orelha, sem perceber muito bem porquê, e que nos leva exactamente ao mesmo lugar onde estávamos antes... Ou antes, não nos leva a lado nenhum!!
Digamos que é ... uma pescadinha de rabo na boca!
Gostei de ler este post. Só tenho pena de não o ter lido dia 31 de Dezembro, quando senti precisamente o mesmo.
"Lemos para sentirmos que não estamos sozinhos" aplicou-se aqui.
Parabéns pelo texto!
Eu já fui assim.
Sentia esse mesmo peso na altura de datas importantes... acho que tem um pouco a ver com facto de sentirmos uma enorme pressão social à volta dessas datas.
O truque é olhar-mos para essas alturas do ano com a maior simplicidade possível... sem criar expectativas ou falsas esperanças.
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Uau... escrevi "olharmos" com tracinho... eu consigo ser de facto, BRILHANTE! =D
Com uns mesitos de atraso... a sensação dos trintas a passarnos pelo corpo tem destas coisas. Uma sensação de "no accomplishment", uma insatisfação que não sabemos explicar.
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