sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Na Terra dos Dinossauros!

Para quem tem um horário considerado normal de trabalho, o simples facto de ter de ir levantar uma carta registada aos Correios pode ser uma valente dor de cabeça. E como se por vezes já não bastasse o ter de ir aos Correios, ainda ter de ir ao Banco, à Junta de Freguesia, aos Serviços Municipalizados ou às Finanças, tudo isso junto pode ser o chamado cabo dos trabalhos.

Ao fim dos primeiros quinze minutos na fila, à espera de sermos atendidos, começamos a soprar para o ar e a abanar uma das pernas como se estivéssemos num concerto. Ao fim da primeira meia hora já só pensamos "porquê eu, por que raio tinha de me acontecer a mim?". E depois da primeira hora completa de espera, então, já chamamos nomes ao funcionário e dizemos o quão este é antipático, desinteressado, incompetente, isto e aquilo... Em suma, é um stress e um desespero.

Mas desenganem-se se pensam que a culpa é do Sistema, ou do coitado do funcionário, que até nem tem hora de almoço fixa e que não pode ver a Selecção no Europeu/Mundial sempre que os jogos são a meio da tarde. Nada disso, os verdadeiros culpados dão pelo cognome de "Reformados". Sim, esses mesmos. Esses de quem se passa a vida a falar que não têm dinheiro nem para um café na Mexicana.

Como são pessoas tão atarefadas e cheias de compromissos inadiáveis, nomeadamente, o de não poderem perder nem dois segundos da Praça da Alegria, toca de levantar da cama às cinco da manhã e ir assentar arraiais à porta da Repartição de Finanças. E é vê-los ali, uns atrás dos outros, todos encarquilhadinhos, faça chuva ou faça sol: "Ai que me doem as costas", "Ai que o reumático isto", "Ai que o governo é mau", "Ai que o gato fugiu", "Ai se o Salazar fosse vivo"...

Então mas o objectivo de se estar reformado não é mesmo o de não fazer nenhum? O de deitar tarde e levantar ainda mais tarde? O de tomar o pequeno almoço à hora do almoço, o almoço à hora do jantar, e o jantar à hora da Seia?

Avós deste nosso país, deixem lá isso de madrugar para quem tem de ir trabalhar e não pode chegar atrasado ao emprego. Não se esqueçam que quando se diz "de manhã", se pode estar a falar numa qualquer hora até à hora de almoço. Assim sendo, aproveitem a caminha, o cobertor e o saco de água quente. Tomem o vosso cafézinho descansados lá para meio da manhã e depois, então, se acham que não podem viver sem isso, vão lá chagar a cabeça aos tipos das finanças antes da hora de almoço.

Ah, e não se esqueçam, ou se acham que se esquecem, escrevam num daqueles papeis pequeninos, de cor amarela, daqueles que se colam aos dedos, o seguinte; "depois do almoço há uma coisa que se chama Tarde, onde, normalmente, tudo está aberto e pronto para nos receber..."

6 comentários:

Su m disse...

Fantástico post.
Realmente os velhotes são demais. Em tudo o que é serviço público, é desesperante muitas vezes.
Acho mesmo que isso é a ideia deles de um bom programa para o dia. Pelo menos assim não ficam sozinhos em casa, conversam uns com os outros, vêm gente nova e bonita (ou não), etc.
Não posso deixar de sentir compaixão por eles e pelo seu medo da solidão.

Mas que nos dificultam a vida e muito nestas situações, lá isso dificultam.

P.S. Parabéns pelo teu blog, gosto imenso da tua forma de escrever e de te expressares. Continua o bom trabalho.

Anónimo disse...

Para além de tudo o que disseste... Para quem sai de casa cedo rumo ao IC19 e a outros itinerários deste país, é ver também os nossos avôzinhos a praticar as maiores barbaridades ao volante. Eu acho que a partir de certa idade lhes deviam tirar a carta! Fiquem no quentinho das vossas caminhas e deixem-nos viajar descansados please! Atenção, isto não é descriminação, apenas estou a zelar pela segurança de todos!

Ana C. disse...

Não só de reformados está o inferno cheio. Também de CHATOS DE SERVIÇO. Aqueles que empatam uma fila com mais de uma centena de perguntas e de anseios que têm que ser respondidos, independentemente de 5 quilometros de pessoas atrás deles.
Depois temos os VINGADORES, mais precisamente, os que esperaram na dita fila e quando finalmente são atendidos pensam: Agora vou-me desforrar, este é o meu tempo e vou aproveitar cada segundo dele.
Mas pensando bem, estes geralmente também são reformados...

Ana C. disse...

Comentário extra às tuas notas no lado direito do blog: Também estou a ouvir o último do Boss e acreditas que fui de propósito à terra natal da Daphne na Cornualha, de tal maneira era fã dos livros dela? Ah pois é...

Nadine disse...

Tal e qual! De manhã paro sempre numa passadeira para um desses senhores que se dirige para um serviço de madrugada.

Saltos Altos Vermelhos disse...

ahaahahaha sim sim concordo plenamente!!!!