
Há uns anos o Vidrão surgiu como uma bomba; comparação estética à parte, obviamente.
Foi uma espécie de lufada de ar fresco nestas nossas mentes obscurecidas, pouco habituados, à época, aos vanguardismos dos países do norte da Europa em termos de politicas ambientais.
Hoje em dia o Vidrão já é muito mais do que um amigo, e é, sem dúvida, infinitamente mais chegado do que um qualquer primo em segundo grau. Sim, o Vidrão é já capaz de superar a mais bela das amizades e é capaz até de nos fazer esquecer laços de sangue mais afastados.
Bolas, então se o Vidrão se transformou assim numa espécie de filho adoptivo, o qual recebemos com carinho independentemente daquele aspecto balofo e sem olhar à cor, como pode ele ser tão mal agradecido, tão malévolo e perverso?
Reparo constantemente que o Vidrão adora as esquinas dos cruzamentos perigosos, as passadeiras, as ruas apertadas e que, sem a menor dúvida, são esses os seus locais predilectos para descansar e hibernar. Reparo que adora retirar a visibilidade aos condutores quando, sem muito esforço, bastava mover-se dois metros para o lado. O mais provável é que tenha uma mente voyerista e sádica, que sinta prazer em observar acidentes, e que o ruído da chapa retorcida seja música para os seus ouvidos, muito melhor do que a 5ª Sinfonia de Beethoven.
Ai Vidrão, Vidrão, a continuares assim ainda acabas deserdado e a viver na rua. Vá lá, toma mas é juízo. Colabora pá, colabora...
3 comentários:
O Vidrão encontra-se nesses pontos estratégicos, para que, ah haver um acidente, os vidros do pára-brisas voarem directamente lá para dentro...
Capisce??
Acho que ainda há dias deu um documentário sobre isso na TVI... *thinks*
Também há a chamada explosão de vidrão. Quando, para além de estar no sítio errado à hora errada, explode as entranhas cá para fora, deixando um peão desprotegido em perigo de queda iminente. E dá todo o aspecto oposto àquilo que representa. Dá mau ambiente que se farta.
Graças a Deus que agora estão mais ligados aos Ecopontos... São uns Vidrões mais contextualizados....mais integrados...
E quando eu passeava o meu cão e ele teimava em se aproximar do verdinho para... enfim... o cuidado que eu tinha de ter para o desmobilizar desse intuito e impedir que as almofadas das suas patas ficassem repletas de vidrinhos abandonados....
Enviar um comentário