
A Tinta Permanente continua a ser um mistério para mim. O cheiro, a consistência, a suavidade. Essa sim, tinta que é vida e voz em bruto. É paixão. É tudo que temos para dizer. É a verdade das palavras que queremos mostrar, sem pressas.
Daí que não me prendam outras, envoltas em plástico. Que em nada me deslumbram com os seus preços, enganadores, de satisfação imediata. Pois mais não são do que corpos de aspecto pueril que não excitam, sequer, ao toque. Projectos inacabados de maturidade para esquecer em qualquer sitio, sem remorso nem dor.
Para falar por palavras escritas , se pudesse, seria sempre assim, como num mergulho de cabeça, intenso, até ao último ponto final.
8 comentários:
Que texto lindo... =')
Infelizmente as canetas de tinta permanente remetem-me para os meus tempos da Primária, em que a professora (que era uma besta =) ) nos obrigava a usar essas canetas... enchidas em tinteiros de vidro e apoiadas por mata-borrões, que em crianças de 6 e 7 anos, de pouco serviam... e cujas as borradas nas folhas de papel, surtiam invariavelmente numa determinada quantidade de réguadas nas palmas das nossas mãos trementes de medo.
Não são boas recordações, não.
kiss*
Maldita era do teclado que secou a minha tinta permanente. Ainda repousam duas sobre a minha secretária, solitárias e solenes, mas pouco as uso já.
De cada vez que as olho recúo até ao tempo em que enchia cadernos com a sua ajuda e ficava o cheiro a tinta marcado nas folhas...
Concordo plenamente.
Há coisas que nunca vão desaparecer com o progreso e a tinta permenete é uma delas definiivamente, é o gesto, a maneira como s escreve, é única.
Desculpe a nota mas eu, pelo menos continuo a adorar as máquinas fotográficas de rolo, em que não sabemos como é que a foto vai sair, só depois de reveladas.É também como as fotos a preto e branco, gosto muito mais delas.
Beijo
Ola, como não sei se passas pelo meu blog, decidi deixar te aqui um link pra um documentário ao qual assisti hoje no google vídeo. Estou a deixar-te o link (assim como a todos aqueles que conheço ) porque acho que todos vale a pena saber aquilo que passa a nossa volta.
http://video.google.com/videoplay?docid=-1717800235769991478&hl=pt-BR
Beijinhos, fica bem.
P.S. caso não consigas chegar através do link, podes procurar pelo nome de Earthlings.
concordo contigo a 100%!!!!
Podem passar anos, décadas, mas jamais retirarei da minha mala uma simples tesoura de criança.
Corta linhas, corta papel, corta adesivo, corta madeixas e faz-nos rir... Sem dúvida, nunca me irá desiludir :)
Tens uma coisita no meu blog para ti!
Mereces :)*
Só a imagem é linda. É como as cartas: ja ninguem escreve cartas. O cheiro a papel, o selo, o envelope, de cor, branco, diferente, o tamanho, o que vem dentro e em que forma...
é como dizes: podem chamar retrogrado mas ha coisas que sabem sempre tao bem em contraponto a estes frios e-mails de que dispomos e tanta espontaneidade e imediatismo...
nunca usei, mas apontam para coisas belas :)
by the way, pelo que vi, so far, do blog, gostei muito :)
Já não sou do tempo em que se usava tinta permanente na escola, a primeira que experimentei deveria ter uns 13/ 14 anos e fui eu que a comprei com a mesada pq as achava uma manifestação de bom gosto. Adorava escrever com ela, da suavidade da escrita, do cheiro.
Mais tarde, já na faculdade, aprendi a desenhar com o real e verdadeiro aparo... a tinta da china e a fazer as aguadas. Eu que achava que ia ser uma perfeita nulidade, afinal fiz u bom trabalho... "expressivo e surpreendente para quem experimenta pela primeira vez!" (foi o comentário do professor).
Foi uma boa lembrança, mas apesar de já não usar c caneta de tinta permanente no dia a dia, ficou-me o gostinho por boas canetas, com corpos firmes e formas intemporais.
Enviar um comentário