
Dizem-me que foi melhor assim, e que optei pela atitude mais sensata. Mas se lhe tenho mostrado o telemóvel, a carteira, os cartões de crédito ou o livro dos cheques, sei que agora estava feito ao bife, e que o tipo tinha-me levado tudo. Ele nem se vestia de forma estranha. Enganava bem. Um pólo, uma calçonela de ganga bem passada, um sapatinho desportivo, lavado, rosto barbeado. Por isso, não me assustei logo.
A abordagem foi de mansinho, sem dar nas vistas. E a policia? Onde raio está a policia quando se precisa dela? Nada. Fiz-me de valente. Eu aguento contigo, pá, pensei. Tive uma boa noite de sono, estou descansado, preparado fisicamente. Aguento o combate, acreditei. Ele nem foi muito agressivo, disfarçou bem. Técnicas, digo eu. Mesmo assim, à traição, golpeou-me com a planta do T2. Este, começa nos 300 mil €, disse ele, o tom de voz implacável, de quem já anda nisto do mundo do crime há muitos anos, batidíssimo. Foi quando pensei que, afinal de contas, comparando com aquela situação, a sensação de levar uma facada nas costas, muito provavelmente, teria sido muito semelhante a estarem a fazer-me cócegas ou a darem-me banho com sais perfumados.
5 comentários:
Eu prefiro os ladrões clássicos, daqueles que podes depois de roubado ir apresentar queixa à polícia para contar para as estatísticas. Kiss
Devias ter desconfiado assim que viste o polo a fazer pandam com o sapatinho vela... :D
Tulipa!
Acho que vou a presentar queixa na mesma. Só ainda não sei onde :/
Cat!
Por acaso, não reparei no sapatinho em pormenor. Porém, eu já desconfiava, só não queria era acreditar.
Pela descrição da indumentária, o ladrão poderia muito bem ser do meu leque de amigos... :PP
Catarina!
Eu faço um retrato robot e envio para ver se reconheces.
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