
Mas até eu, que mais depressa acredito no regresso à Terra de nosso Senhor Jesus Cristo, a ver, um dia, a representante do cançonetismo luso vencer o Festival da Eurovisão – e não tem nada a ver com o pessimismo crónico que me afecta dia sim dia sim –, fiquei surpreendido com o desfecho do passado sábado, encerrada a votação e conhecido o vencedor de mais uma edição. Para falar a verdade, noutro contexto, até simpatizo com o formato, aparentemente naif; e dou umas gargalhadas e reajo às piadolas e tudo. Aquilo é engraçado, espevita o saudosismo e dá assim um certo ar de rebeldia chique.
Porém, na minha modesta, humilde e desinteressada opinião, a haver conclusões a tirar, nem devem essas passar pela parte musical. Sabemos que no pós-década de setenta, chegado o declínio e o descrédito do Festival, as melodias intragáveis e as letras melosas e absolutamente idiotas tornaram-se na rotina habitual. Pois o pior nem é o Jel e seus muchachos terem ganho o prémio mais cobiçado (até ele ficou encavacado). Mais depressa cortam os pulsos dez suicidas ao som do “Quando cai a noite na cidade”. Noto é que, como nação, estamos a afunilar pelas mais tenebrosas características dos países da América do Sul. Deixámos de acreditar e agora achamos que tudo serve para mostrar o descontentamento. Mas pode até ser que lá para Maio, na Alemanha, o júri vá na conversa e dê bastante ênfase à parte cénica do embrulho. À ceifeira eu dou doze pontos, pelo menos.
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