O Fantasma ganhou asas low-cost, juízo, e farto de comer lasanha de marca branca foi em busca da verdadeira, da saudável e saborosa, a uns quilómetros daqui, em Roma. Uma que, no mínimo, lhe fizesse esquecer os vinte e dois quilos a mais omitidos nas instruções do modo de confecção. Exterminador instantâneo de guarda roupas e da boa aparência (que já lá vai). Mas o que pode, então, dizer-vos, esta humilde e serva assombração, sobre essa cidade eterna? Não vi o Papa! Não andei de metro! Não comi Tiramisu! O Fórum Romano ficou do lado de lá do gradeamento! Não pus os olhos na Pietá! Não fui a um jogo do Calcio! Não andei de Vespa! Fiquei à porta do Coliseu! Péssimo.
Em Roma sê Romano e bebe tanto ou mais do que eles, sejam mojitos às dezenas ou vino rosso aos litros. Assim, lembrei-me do Portugal dos Pequeninos. Esse belo aglomerado artístico popular, ode metafórica à monumentalidade do Império Lusitano de outrora, dentro e fora de portas. Das suas casinhas em miniatura. Das janelinhas prendadas. Do ser-se comezinho. Do Deus, Pátria e Família. Do orgulhosamente sós. Do faça favor de dizer senhor doutor; pois com certeza senhor prior. Silêncio que se vai cantar o fado. Oh, que animação.
Em séculos, Roma sobreviveu e esperou por mim. A outros, aos pequeninos, nem milhares de anos hão-de ser capazes de dar graça. O consolo dos carneirinhos. A ternura dos eternos candidatos. Os que lutam lá por baixo, distantes, na apanha das migalhas. Os habituais dos gritos em êxtase por uma mão cheia de nada. Do vazio repetível vezes e vezes sem conta. Milhares de anos de vazio. Dos verdes ferrenhos convictos que gritam bem alto: viva o Porto!!! Percebe-se agora porque nos passou ao lado a invenção da lasanha.
Em Roma sê Romano e bebe tanto ou mais do que eles, sejam mojitos às dezenas ou vino rosso aos litros. Assim, lembrei-me do Portugal dos Pequeninos. Esse belo aglomerado artístico popular, ode metafórica à monumentalidade do Império Lusitano de outrora, dentro e fora de portas. Das suas casinhas em miniatura. Das janelinhas prendadas. Do ser-se comezinho. Do Deus, Pátria e Família. Do orgulhosamente sós. Do faça favor de dizer senhor doutor; pois com certeza senhor prior. Silêncio que se vai cantar o fado. Oh, que animação.
Em séculos, Roma sobreviveu e esperou por mim. A outros, aos pequeninos, nem milhares de anos hão-de ser capazes de dar graça. O consolo dos carneirinhos. A ternura dos eternos candidatos. Os que lutam lá por baixo, distantes, na apanha das migalhas. Os habituais dos gritos em êxtase por uma mão cheia de nada. Do vazio repetível vezes e vezes sem conta. Milhares de anos de vazio. Dos verdes ferrenhos convictos que gritam bem alto: viva o Porto!!! Percebe-se agora porque nos passou ao lado a invenção da lasanha.
4 comentários:
O Papa esteve, dois dias antes, um pouco mais a Norte. Parece que o jantar o satisfez. Só não sei se aquilo vermelho no seu prato seria molho de tomate de uma lasanha. Apesar de não ser religiosa, acredita que, sempre que o Papa está satisfeito, eu cá fico muito feliz! Bjs
...pensas tu de que...
Em Roma sê romano, em portugal sê pequenino.
Ana, chama-se capacidade de adaptação ao meio :)
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