sábado, 22 de novembro de 2008

Chuck Wallberg (I)

Quando Chuck Wallberg nasceu o mundo estava do avesso.
Ficara provado que duas revoluções no espaço de três estações seguidas nada trouxera de benéfico. Os continentes depressa mergulharam num período de obscuridade. Os países tornaram-se ingovernáveis. As cidades ficaram a saque. As ruas transformaram-se numa zona de morte.
De um momento para o outro, numa questão de poucas semanas, palavras como Lei e Ordem deixaram de fazer qualquer sentido. E de praticar não durou assim tanto. Cada um passou a ser dono e senhor de si mesmo. Único responsável pela sua própria segurança e pela dos seus.
O Direito desapareceu. O Sistema Judicial foi absorvido pela onda de desobediência generalizada. As policias desmembraram-se mal os ordenados deixaram de ser pagos.
Não demorou muito até as casas ficarem sem luz, sem água, sem gás. Sobreviver foi, então, o que todos e cada um passaram a fazer. E acordar passou a ser um acontecimento a comemorar. Morrer durante o sono passou a ser a maior das dádivas.
Em pouco tempo, milhares e milhares de pessoas abandonaram as cidades. Abandonaram tudo e decididas dirigiram-se aos campos, às paisagens rurais, à procura de alimento. Acreditaram que lá, nessa terra virgem e praticamente desabitada, encontrariam animais selvagens, dos quais se passariam a alimentar, até as coisas voltarem ao normal. E quando seria isso? Estaria esse momento para breve?
Ora esta ilusão de salvação durou pouco tempo. A realidade abateu-se num ápice e de forma cruel. Pois os campos das aldeias há muito que haviam ficado desertos. Foram duradouros os tempos de ganancia das grandes cidades a quem ninguém, ninguém mesmo conseguira resistir. Assim, os campos férteis tinham morrido. Os animais selvagens tinham deixado de existir. Estavam agora única e exclusivamente cercados pelo destino. Por nada mais. O horizonte passara a ser uma linha para lá de um imenso nada sem vida e desinteressante.
O que se seguiria, ninguém conseguia adivinhar...

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