terça-feira, 14 de julho de 2009

Santos de Pau Carunchoso!

Mais depressa percebo de integrais múltiplos que de crianças. A sério, esta sensação de inaptidão natural para com a miudagem é algo que, desde que me conheço, obscurece desde sempre uma das partes do meu cérebro. Bem sei que vendo a coisa pelo lado positivo até posso dizer que não se pode ter tudo. Que saber fazer umas quantas contas também dá o seu jeito. Mas, mesmo assim, entendo que não é preciso perceber de integrais ou de primitivas para se saber quanto se pagou de conta no supermercado e que, por outro lado, ter alguma aptidão para levar por diante a educação de um filho, isso sim, deve ajudar bem mais.

Em tempos ouvia-se muito a frase "dar aos filhos o que nunca se teve". Parece-me assim uma visão melodramática do crescimento da espécie mas, enfim, há quem goste de fazer da sua vida um drama constante, quanto mais não seja para se sentir um pequeno centro de atenções. Ainda que os tempos tenham mudado. E para melhor.

Faço parte da geração do Spectrum 48k, do Comodore Amiga, do Dartacão e do . De uma maneira geral, "tivemos" um pouco de tudo. Crescemos de uma forma saudável. Brincámos na rua. Venerámos o aparecimento do Walkmen. Endeusámos os primeiros concertos de estádio. Fizemos as nossas patifarias. Jogámos ao "Bate Pé" e à "Mosca". Vibrámos com as nossas greves estudantis.

Quer-me a mim parecer que muitos dos meus pares de geração vivem obcecados com o crescimento dos filhos. Não no sentido saudável do termo, se é que existe algo de saudável em ser se obcecado, mas porque se deixaram dominar por um estado sócio/paranóico de quererem regulamentar, ponto por ponto, o comportamento dos rebentos, tornando-os velhos antes do tempo.

Não me espevita particularmente quando oiço alguém dizer, feliz da vida, que o filho tem um "comportamento tão adulto", "tão novinho e já fala inglês", "é tão maduro para a idade dele", "deixa tudo tão arrumado que já parece um homenzinho", "para criança tem um vocabulário tão elaborado", "é muito consciente daquilo que faz",...

Preocupa-me saber que por esses lares fora, pode haver malta da minha idade, homens e mulheres - trintões -, que se divertem a ler aos filhos, em voz alta, o Jornal Expresso, que os obrigam a saber na ponta da língua os resultados das eleições europeias, e lhes contam histórias acerca das aventuras do Dr Santana Lopes.

Mas quem sou eu para dizer que nos tornámos todos nuns chatos, e logo eu, que não percebo nada de xuxas nem de biberões...

1 comentário:

Ginger disse...

ah ah ah!

Era uma vez os três
Os famosos moscãoteiros
Do pequeno Dartacão
São bons companheiros!!

:D

Tens TODA a razão... e eu sei do que falo. ;)


kiss*