quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Rato Roeu a Rolha do Rei da Rússia!

Fosse eu perceber de armas, e já uma lança de metal em fogo ter-me-ia beijado a têmpora. A saber, um beijo destes, inegavelmente um acontecimento, pode fazer toda a diferença quando tudo à volta pouca diferença faz. Pode mudar tudo, de alto a baixo. Pode extravasar toda a amargura acumulada.

Esforço-me por imaginar como seria, mas, difícilmente sequer encontro sensação real próxima, nada. Há um pouco de negro lá no fundo, uma imagem desligada que em tempos senti, mas, pouco, ainda assim. Talvez a resposta, essa, esteja mesmo cá dentro, e só abrindo se consegue descobrir o que se procura. Parvo, parvo! Eu que cheguei a pensar que talvez tivesse algo para dar. A ilusão dos inocentes. O sorriso das crianças.

Tivesse eu um gatilho no dedo e pouco haveria de ficar para contar. Apenas um estalido abafado. O baque metálico do osso a partir. Um jorro quente e sujo para alguém limpar. Nenhum grito, por certo que nenhum.

O amanhã, é apenas mais um muro, e não havendo balas atiro-me de cabeça, sedento do chão com que me venha a deparar. Quanto ao resto, se não me encontrarem, é porque a pulso e à força de braços continuo a escalar até alcançar o topo. E num último instante, quem sabe, não acabe até por perder a vontade de me sentir a voar. Quem sabe...

2 comentários:

Anónimo disse...

Very depressive, no?

Ginger disse...

Olha lá, o texto está muito bem e coiso e tal... mas espero que isto não sejam devaneios intimistas e auto-contemplativos.

Mau mau... mau mau sr. Fantasma, mau mau.

beijo*