terça-feira, 8 de junho de 2010

Alheira De Fumeiro!

Apetecia-me começar este post com um simples mas nobre era uma vez. Um desejo antigo em que já pensei várias vezes, mas ao qual, com muita pena minha, digo-vos, tem-me faltado o engenho para juntar argumento, suficientemente sólido, capaz de servir de fio condutor a tão inspirador inicio. Provavelmente, um era uma vez verdadeiro, um assim como deve de ser, um que fosse ao encontro das minhas mais reais expectativas, pediria daí por diante um assunto igualmente sólido e cativante. Não obrigatoriamente uma história bombástica ou excessivamente surpreendente, mas, no mínimo, algo alicerçado em matéria credível e transbordante de inegável consequência.

A dar-se o caso de não terem reparado, revelo que até hoje não escrevi vírgula que seja relacionado com o tema Bruna Real, o nosso mais recente exemplo da cultura de raízes populares. À espera do sacrifício final, este quadro vivo da pintura naif, que de forma irremediável acabará por ser dilacerado pela primazia dos clássicos, lá vai vivendo o seu sonho pessoal à sua maneira, aproveitando ao máximo o calor dos flashes das máquinas fotográficas, experimentando a efémera e excitante ilusão do fim de uma realidade corriqueira e banal. Mas por aqui me fico, e mais não digo.

Apetecia-me ter começado este post com um simples mas nobre era uma vez. Porém, a página de um jornal lembrou-me o tema Bruna Real. Feliz ou infelizmente, ainda não sei. Ora a Bruna até pode ser um conto bombástico e tudo o mais que as revistas nos queiram fazer crer, mas, por certo, nunca será História, pois pouco mais é do que um não assunto insignificante. Não obstante, cedi à tentação da Bruna Real porque li que o seu ex-namorado comentou alguns dos seus maiores desgostos. Os da Bruna, não os dele. Lá foi dizendo que ela, durante muito tempo, viu-se e desejou-se por um soutien de numeração superior. Que só pensava naquilo. Que era infeliz e não sei o quê mais.

Encaro com uma considerável dose de abominação e perplexidade todas estas pessoas que se promovem à custa dos outros, e que a troco de uns tremoços e amendoins expõem relações antigas na praça pública com o à vontade de quem conta o que comeu ao almoço ou ao jantar. Não sei se lhe hei-de chamar dor de cotovelo, imaturidade, estupidez, falta de educação ou simplesmente “ai que agora é que era, chucha no dedo ó palhaço”. Reconheço que não resisti à Bruna Real. Embora confesse que me estava a preparar para lhe fazer a folha, de alto a baixo. Salvo seja, claro. É que sei que não ia ser brando com ela. Conheço-me. E ainda por cima, ela anda a pedi-las, dia sim dia sim. Se ela quiser, que agradeça ao ex-namorado. Comigo, por agora, safa-se por entre os pingos da chuva.

1 comentário:

Louise disse...

Parece que pelo nosso país se vai tapando olhos do povo com futebol, silicone, telenovelas e afins... só faltam aparecer os milagres.

Quanto à menina, nada a dizer. Eu não lhe fazia a folha, claro está ;)