
A dar-se o caso de não terem reparado, revelo que até hoje não escrevi vírgula que seja relacionado com o tema Bruna Real, o nosso mais recente exemplo da cultura de raízes populares. À espera do sacrifício final, este quadro vivo da pintura naif, que de forma irremediável acabará por ser dilacerado pela primazia dos clássicos, lá vai vivendo o seu sonho pessoal à sua maneira, aproveitando ao máximo o calor dos flashes das máquinas fotográficas, experimentando a efémera e excitante ilusão do fim de uma realidade corriqueira e banal. Mas por aqui me fico, e mais não digo.
Apetecia-me ter começado este post com um simples mas nobre era uma vez. Porém, a página de um jornal lembrou-me o tema Bruna Real. Feliz ou infelizmente, ainda não sei. Ora a Bruna até pode ser um conto bombástico e tudo o mais que as revistas nos queiram fazer crer, mas, por certo, nunca será História, pois pouco mais é do que um não assunto insignificante. Não obstante, cedi à tentação da Bruna Real porque li que o seu ex-namorado comentou alguns dos seus maiores desgostos. Os da Bruna, não os dele. Lá foi dizendo que ela, durante muito tempo, viu-se e desejou-se por um soutien de numeração superior. Que só pensava naquilo. Que era infeliz e não sei o quê mais.
Encaro com uma considerável dose de abominação e perplexidade todas estas pessoas que se promovem à custa dos outros, e que a troco de uns tremoços e amendoins expõem relações antigas na praça pública com o à vontade de quem conta o que comeu ao almoço ou ao jantar. Não sei se lhe hei-de chamar dor de cotovelo, imaturidade, estupidez, falta de educação ou simplesmente “ai que agora é que era, chucha no dedo ó palhaço”. Reconheço que não resisti à Bruna Real. Embora confesse que me estava a preparar para lhe fazer a folha, de alto a baixo. Salvo seja, claro. É que sei que não ia ser brando com ela. Conheço-me. E ainda por cima, ela anda a pedi-las, dia sim dia sim. Se ela quiser, que agradeça ao ex-namorado. Comigo, por agora, safa-se por entre os pingos da chuva.
1 comentário:
Parece que pelo nosso país se vai tapando olhos do povo com futebol, silicone, telenovelas e afins... só faltam aparecer os milagres.
Quanto à menina, nada a dizer. Eu não lhe fazia a folha, claro está ;)
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