
Constato que a crise fez muito mal ao meu espírito de natal. Porque a piada disto tudo é mesmo gastar até ao saldo zero, beber para conseguir vomitar três dias seguidos, comer rabanadas até enjoar só de pensar em óleo Fula ou, para elucidar um pouco melhor, comer bolo-rei da Mexicana e cuspir a grainha da uva cristalizada para o copo das esmolas da velhinha manca, que tem um filho que anda na droga, e um marido a morrer de cirrose hepática. É, não me agrada mesmo nada o caminho que isto tudo está a levar. Prefiro que falte o açúcar, a farinha, o fermento, o arroz, a massa, a ter de aturar tamanho definhar de conceitos.
Vamos mas é voltar ao verdadeiro Natal, ao dos serões da Música no Coração, do beatismo da missa do galo e do filme pornográfico das duas da manhã. Antes que o IVA suba, vamos esgotar os stands da Mercedes e da BMW. Voltemos aos tempos em que se embrulhavam prendas em caixas de cartão, para, de uma forma consciente e abnegada, continuarmos a impulsionar o mercado imobiliário dos sem-abrigo.
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