
Talvez as coisas tenham sido sempre assim porque, simplesmente, tinham mesmo de ser assim. O que não espanta que haja leis que falam sobre isso. Dos azares e das coincidências, digo. Mas desta vez aconteceu tudo de uma forma bem diferente e a resistência foi consideravelmente maior. Ora tive de explicar que para mim, o facto de estar morto é já um dado adquirido, e se o novo cartão atrapalha a vida aos vivos, é compreensível que também atrapalhe a vida aos mortos como eu. Quer dizer, pelos vistos, o problema até nem foi o facto de eu estar morto, porque isso estava-se mesmo a ver e bastava olhar para mim de alto a baixo.
Já a moça à minha frente, que atesto eu por minha honra estava bem vivinha da silva (como bom fantasma que sou, trespassei-a de um lado ao outro para lhe certificar as carnes), ficou, também ela, ali a saber, na hora, que padecia de uma doença rara e que ataca em dia de eleições presidenciais. Afinal, acabara de morrer instantes antes e ainda não tinha dado por nada. O que é uma chatice andar a fazer papel de morto vivo. Coisa que acontece bastante comigo. Que fosse a velhota atrás de mim, já mais para lá do que para cá, eu ainda entendia, mas aquela adorável moça? Porque há lições e ensinamentos que se aprendem todos os dias, pois uma delas é o de não acreditar quando alguém fala em vida para além da morte.
4 comentários:
Andas a vaguear? estás perdido e não vês a luz? aprecias atormentar os vivos porque estás aborrecido? ohhh, precisarás tu de um exorcismo?
Tu és o PP_Fantasma, logo, estas perguntas devem ser redundantes. :)
"como bom fantasma que sou, trespassei-a de um lado ao outro para lhe certificar as carnes"...
LOL
Pois sim, dizem todos o mesmo! :p.
Gostei da metáfora em si ;).
DeepGirl,
metáfora? Explica-te!
:)
Cristal,
um exorcismo pode até ser que dê o seu jeito:)
Bjs
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