
Bastam dois dedos de testa para perceber, sem dificuldade de maior, que isto da campanha eleitoral é sempre mais do mesmo. Em tempos, afirmei que o Povo não existia mais. Ora, reconheço hoje que me enganei e que falhei no prognóstico como as notas de mil. Afinal, sim, o Povo ainda existe, e anda por aí. Todavia, talvez como sempre e sem nunca ter reparado, agora, anda de mão estendida e a pedinchar. Quer dizer, este dito Povo não é bem o tal Povo a que me referia inicialmente. Pelo menos, aquela ideia que tinha do que deve ser o Povo; forte, afirmativo, determinante, simples mas interventivo, espinha dorsal e com sangue na guelra.
O Povo que vejo na televisão resume-se ao conformismo de uma ideia peregrina que é votar na setinha ou na mãozinha. Um Povo que desfralda bandeiras em troca de uma sandes de torresmo e um refrigerante de marca rasca. Um Povo que não sabe explicar ao que anda, refém de si mesmo e da sua fatalidade. Um Povo dos beijos melados, dos berros estridentes e idiotas. Um povo que tem de aprender a falar inglês para perceber o que se passa à sua volta, mas, ainda assim, que vai para a cama à noite sem fazer ideia do pesadelo que lhe vai cair em cima. É só isso que eu vejo. Um Povo que ladra mas não morde.
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