
Pois que hoje ser gordo é ser-se uma espécie de estrela de cinema, arrependo-me de me ter andado a queixar pelos cantos anos a fio, depressivo e em lamúrias consecutivas. Já que uma nádega pode fazer concorrência à maior abóbora do livro dos recordes, e que uma sessão de ginástica de dez minutos ao martírio de meses de treino a assentar massa e tijolo, o que sei é que não nasci na altura certa, ou melhor, que morri na altura errada. Hoje estava até capaz de soltar a luxúria que há em mim e lançar-me como actor de um filme erótico caseiro. E correr, correr muito. Mas gritar mais ainda do que correr, pois gritar ajuda a perder peso e isso está provado cientificamente.
Pior é que aqui à minha volta, no inferno, estou rodeado de trinca espinhas olheirentos, mortinhos, todos eles, à conta de colesterol em excesso e enfartes de miocárdio. Gordos ou magros, o inferno é um tédio verdadeiramente insuportável. Uma crise pardacenta que nem as labaredas ajudam a esquecer. Sei bem que cá vim parar porque ajudei a descarrilar um comboio, mas, apesar de tudo, uma coisa é castigarem o Bin Laden com um tiro na cabeça e outra, completamente diferente, é andar por aí apregoar a revolução e acabar por voltar a devolver o poder aos mesmos do costume. O que mais sinto é a saudade dos gelados, porque como dizem e está na moda, gordura é formosura.
3 comentários:
...gostei particularmente do "Hoje estava até capaz de soltar a luxúria que há em mim e lançar-me como actor de um filme erótico caseiro."...já vi que quando aí chegar vou aperceber-me de que afinal Portugal já se transformou numa cópia rasca dos EUA...e o pior é que só copiamos o que é mau...que triste sina esta dos Portugueses! Abraço
Caro Anónimo,
tem tudo a ver com dificuldades logísticas!
...dificuldades logísticas mas não de "material"!!! Espectacular...ai que saudades desse país à beira mar plantado!!! Abraço
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