O sentido de oportunidade é uma coisa muito importante e por isso optei, determinado, por não referir palavra acerca dos dez anos passados sobre os acontecimentos trágicos do dia 11 de Setembro de 2001. Reparei, porém, que muitos optaram por seguir precisamente o caminho oposto. Testemunhos sentidos. Homenagens rendidas. Foram várias as opções e várias as modalidades. A questão é que não tinha nada para dizer sobre o 11 de Setembro e, especialmente, referir-me ao que estava a fazer àquela precisa hora, daquele preciso dia, seria tirar todo o interesse ao próprio 11 de Setembro. Quer dizer, andavam aviões a cair a torto e a direito e eu a entrar para o metro para ir lanchar com a minha avó? Estava no supermercado a comprar álcool para assar umas linguiças para o almoço? Estava no dentista a arrancar um dente de leite que me tinha ficado da puberdade? …
Sabe-se, [só] agora, que Michael Jackson em pessoa, ele mesmo, falhou uma reunião de trabalho no World Trade Centre, naquela manhã fatídica. E isto não é nem marketing nem publicidade. Apenas informação relevante que teve de ser mantida em segredo durante dez anos. Muitos fãs teriam sucumbido a tamanha emoção. Ah, uma quase morte. Ah, uma partida do destino. Fiquei bastante sensibilizado com esta notícia chocante que, mais do que qualquer outra do género, fez-me levantar os cabelos em pé. A visão do Rei da Pop esborrachado por uma turbina de um Boeing 757 deixou-me estarrecido. Foi muito bom saber que no dia 11 de Setembro o MJ não estava no World Trade Centre, que estava noutro sítio qualquer e a fazer uma coisa, qualquer. É o que dá ter sentido de oportunidade.
2 comentários:
Estás tu a querer dizer que a tragédia podia ter sido menorizada e que por um infeliz acaso... caput?!? :o
Ooooh
anouc,
esse pensamento "é" perverso!
:)
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