Nunca fui muito de ideias. Idiota sim, mas nesse mesmo sentido
em que estão a pensar. De manhã à noite e sem dificuldade espalho-me ao
comprido em idiotices umas a seguir às outras. Aprendo devagar. Compreendo que
o natal é uma época tramada. Andamos por aí baralhados e pressionados com tudo
e mais alguma coisa; da comida aos embrulhos, passando pela falta de neve, pelo
pinheiro artificial, pelas luzes, pelo bacalhau e mais isto e aquilo. Aviso que
este ano vou omitir a Popota por aqui, decisão que não deve ser entendida como
uma variante extremada da greve geral de ontem. Apenas uma tomada de
consciência de que não vale a pena andar mais a chamar nomes a um hipopótamo cor-de-rosa.
Derrotado? Talvez!
O mal do natal é que nos leva a tomar atitudes de petrificar
qualquer gelatina acabada de fazer. Ora queremos as ruas iluminadas de forma a
serem vistas em Marte, ora nos lembra a crise e toca de apagar tudo de
rajada e não há luzes para ninguém. O pior do natal nem é o menino Jesus nem o
presépio a cheirar a bosta de vaca. É que a oportunidade faz o ladrão e o natal
continua ser a melhor época do ano para gamar até o mais incauto e vivaço dos
humanos. A questão, creio eu, estará sempre na forma mais ou menos idiota com
que o gamanço é feito. Por isso evitem os assaltos à mão armada nesta época.
Evitem as burlas com fundações fictícias de apoio aos ceguinhos. Esqueçam lá
isso de fingir que acabou a gasolina só para não pagarem o parquímetro.
Para mim a figura da Sónia Brazão é assim uma imagem próxima
da Popota. Prometi não voltar ao tema, da última e única vez. Enfim, o natal desgraça-me
e adormece em formol os poucos bons pensamentos que ainda sobrevivem nesta
cabeça. Afinal, mesmo sem iluminação pública de encher o olho, este ano, o
natal vai ser para cima de incandescente. O livro chama-se “Não vou desistir” e
já me sinto roubado sem sequer ter folheado um exemplar que seja. O título, esse
então é que é brilhante. Aqui nos quintos dos infernos, espero mesmo que não
desista e eu até consigo sugerir. As lâminas já não são o que eram e
podem causar desconforto desnecessário. Quanto à chumbada, entre uma pistola e
uma caçadeira não há dúvida do que escolher. Direi que este ano o natal pode
vir a ser mais explosivo nos prédios equipados com gás natural.
2 comentários:
Já reparaste que ela está em todo o lado? Ora a mostrar a nova manicure, ora a mostrar a nova pedicure, ora a mostrar a trombinha de sorriso poli traumatizado, ora a mostrar o drama e o horror, seguido do êxtase iluminado que viveu?
Já não se aguenta.
Ana,
já é o fenómeno deste natal!
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