A última vez que me recordo de ter tentado misturar água com azeite (andaria
eu aí pela escola primária), resignado perante o insucesso e rendido às
evidências, jurei afastar-me de vez de todas as missões impossíveis,
especialmente aquelas que se autodestroem em trinta segundos, e que entre lesões
permanentes no cérebro e aftas nas papilas gustativas só fica mesmo o prejuízo, pois nem servem sequer para acertos no IRS.
Eu tenho esta coisa das misturadas. É um defeito. Um problema. Misturo
tudo. Os nomes, as idades, a data dos aniversários, os clubes de futebol, as
moradas, o tamanho dos soutiens, os restaurantes, os perfumes, os números de telemóvel,
as profissões, as maluqueiras, as super maluqueiras, os cortes de cabelo, as marcas de gin, os concertos, o local
das praias, a cor das cuecas, o tipo de drogas, enfim…
Admito que seja possível levar chineses para o Sporting e reconheço a
possibilidade de se comer um buffet
de comida japonesa num restaurante chinês. Assim como admito que entre o vir e
o vai, o Porto e o Montijo, é ali a meio caminho, entre o Rossio e a Betesga,
que começam as bebedeiras com Licor Beirão. Pior é que os travesseiros de Sintra
que se vendem no Pingo Doce conseguem ser mais reles que as queijadas que se
compram nos estádios de futebol. Porque travesseiros e queijadas de Sintra são
de Sintra e é lá que devem de ficar. Engendrar um plano para tomar de assalto
uma Junta recorrendo a um pontapé de bicicleta é pior do que mexer em seara
alheia ou do que fazer o pino com mil euros em moedas de cêntimo nos bolsos. Há
misturas que só merecem acabar como vómito espalhado pelo alcatrão.
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