terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dois De Mim Já Seria Um Exagero!

A última vez que me recordo de ter tentado misturar água com azeite (andaria eu aí pela escola primária), resignado perante o insucesso e rendido às evidências, jurei afastar-me de vez de todas as missões impossíveis, especialmente aquelas que se autodestroem em trinta segundos, e que entre lesões permanentes no cérebro e aftas nas papilas gustativas só fica mesmo o prejuízo, pois nem servem sequer para acertos no IRS.
 
Eu tenho esta coisa das misturadas. É um defeito. Um problema. Misturo tudo. Os nomes, as idades, a data dos aniversários, os clubes de futebol, as moradas, o tamanho dos soutiens, os restaurantes, os perfumes, os números de telemóvel, as profissões, as maluqueiras, as super maluqueiras, os cortes de cabelo, as marcas de gin, os concertos, o local das praias, a cor das cuecas, o tipo de drogas, enfim…
 
Admito que seja possível levar chineses para o Sporting e reconheço a possibilidade de se comer um buffet de comida japonesa num restaurante chinês. Assim como admito que entre o vir e o vai, o Porto e o Montijo, é ali a meio caminho, entre o Rossio e a Betesga, que começam as bebedeiras com Licor Beirão. Pior é que os travesseiros de Sintra que se vendem no Pingo Doce conseguem ser mais reles que as queijadas que se compram nos estádios de futebol. Porque travesseiros e queijadas de Sintra são de Sintra e é lá que devem de ficar. Engendrar um plano para tomar de assalto uma Junta recorrendo a um pontapé de bicicleta é pior do que mexer em seara alheia ou do que fazer o pino com mil euros em moedas de cêntimo nos bolsos. Há misturas que só merecem acabar como vómito espalhado pelo alcatrão.           



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