À falta de melhor,
há pelo menos uma coisa que diferencia o presente do futuro: a realidade.
Alheado das chatices do trânsito ou do défice, o presente anda por aí a
cair-nos em cima a todos os santos minutos. Deitamo-nos e acordamos com ele,
mais ou menos constipados, mais ou menos desejosos que chegue o verão para
podermos dançar e beber à vontade sem guarda-chuva na mão. Mas de entre o que
tem de mal, lá nos vamos safando. Estamos cá. O presente, vive-se.
Já “o
futuro não existe” e, em teoria, será aquilo que quisermos, haja ideias e
objetivos. Mas isto pode ser excelente ou catastrófico. Lá está, haja ideias e
objetivos. Pessoalmente desconheço a data da chegada do futuro. Se pudesse,
estaria à espera dele, umas vezes de braços abertos e outras tantas com os
punhos cerrados. Será o futuro daqui a cinco segundos, daqui a cinco minutos,
daqui a cinco anos ou daqui a cinco décadas? Durante bastante tempo, para mim,
o futuro foi o “Espaço 1999” e até isso já se perdeu no passado.
Se Hugo Chávez tivesse
sido um ursinho de peluche, e como todas as avaliações a ursos de peluche, dos
da feira aos do Toys R Us, dos mais ou menos fofinhos, dos de verdadeira
pelúcia aos que mais parecem feitos de palha-de-aço, por certo que, no final, a
classificação não seria consensual. Ora o PR, não sendo nenhum ursinho
de peluche, também nunca foi nenhum Hugo Chávez. E refiro-me apenas,
entre outras coisas, à dinâmica, à força geradora de motivação, à coragem para
intervir ou à capacidade para agregar o país num verdadeiro espirito coletivo.
Infelizmente, personifica as naves patéticas do “Espaço 1999” a fazer vrrum
vrrum. É impossível de acreditar naqueles efeitos especiais. Agora vão
embalsamar o Hugo Chávez, fazer dele um urso de peluche. Mas
desenganem-se os venezuelanos e os portugueses. As múmias não levantam voo.
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