quarta-feira, 2 de junho de 2010

Canções De Embalar!

Podem já ter passado uns quantos dias, e até o Ronaldo já ter descoberto que o Pacto de Varsóvia, afinal, é coisa do passado (coitadinha da Dona Dolores), todavia, ignorar a reunião da arte da música festivaleira do Sábado passado seria estar a renegar a uma forma de entretenimento capaz de ser um descanso para a alma e um conforto para o corpo.

Para mim, o Festival da Eurovisão foi sempre um mundo de sentimentos amplamente contraditórios, uma imensa maratona sinfónica sofrível, apenas suportada através de uma estratégia tripartida de técnicas de motivação. Dito isto, ignorar até à exaustão as canções dos outros países, acreditar de forma mediana que a nossa representação (naquele ano) poderia atingir o pódio e, por fim, vibrar com o período da votação e da consequente atribuição da pontuação sempre me pareceu o método ideal para substituir o transe provocado por uma injecção de morfina.

Ou seja, no fundo no fundo, a abordagem ao evento sempre passou por, basicamente, abstrair-me da parte artística e apostar, directamente, na parte do negócio ou, estupidamente, talvez, transformar aquele conjunto de música celestial num jogo do bingo à escala internacional.

Mais uma vez, este ano, ainda que por mero acaso, ignorei, por exemplo, os alemães a cantar em inglês (uma forma de influenciar os britânicos a aderir ao Euro???), acreditei moderadamente que tínhamos uma canção capaz de fazer história (apesar de não ter chegado a assistir à performance lusa, retido que fiquei na casa de banho por mais tempo do que estava à espera) e diverti-me à grande, mas mesmo à grande, com o período da votação final (os russos a votar nos ucranianos, os ucranianos a votar nos russos, os croatas a votar nos sérvios, os sérvios a votar nos croatas, os dinamarqueses a votar nos suecos, os suecos a votar nos dinamarqueses…).

Com tanta honestidade, e no meio de tanta luz e cor e espectáculo, ficou-me na memória a frase mais repetida da noite pelo locutor da RTP, a convincente…”nada para Portugal”. Ora, com provas destas, nada como me render à evidência e por isso dizer a pulmões cheios, e em inglês, claro…”Festival Forever!”.

3 comentários:

Cristal disse...

sempre me agradou a ideia de "ver" no festival as supostas amizades entre países, "quê? e Espanha não nos dá nada? palhaços. pró ano também não lhes damos nenhum ponto!".
Do que espreitei este ano, Turquemistão (seria?) alô? eurovisão??? ;)

Disse disse...

Mais que isso era o tom melodramático da frase... nada para Portugal, mas todos já sabemos o que a casa gasta e de que é feito esse festival: oportunismos politicos e conveniências pseudo-fraternais. e enquanto assim for poderemos dizer no final de cada "eurofestival"... "Há dias assim".

Jade disse...

Que coisa tão má...por acaso tenho o fétiche de assistir à votação, coisa parva eu sei...a música que ganhou até é girinha mas nada mais que isso...não surpreende n fica no ouvido, nada!