
Por mim passava o tempo a dar conselhos. A dizer aos outros que fizessem assim ou assado, frito ou cozido. Agarrava num caderninho de linhas pretas e ia anotando tudo para não me esquecer. Se fosse eu, para a esquerda, se fosse eu, para a direita. A chatice é que passo o tempo a descarregar problemas nos outros e nunca tenho soluções para nada. Engano-me nos caminhos com frequência e parece que adormecer nos sinais de estrada com prioridade passou a ser uma característica vincada e que já considero irritante.
Todavia, o estilo do professor é débil e, igualmente, susceptível de falhar. Ele não tolera segundas hipóteses, nem terceiras, ou quartas, vá. Com ele as dúvidas estão sempre do outro lado da barricada. As dúvidas e os erros, claro. Mas ter dúvidas até deve ser um sintoma normal e pode ser saudável para se decidir com maior clareza e afirmação. Talvez o problema dele nem esteja no não admitir as dúvidas ou os erros ou as terceiras e quartas hipóteses. Talvez ele seja apenas daquelas pessoas de tal maneira focadas em andar e andar e andar em frente, que se falasse sem a influência do peso das audiências veria que, no fim das contas feitas e do resultado somado, era mesmo aquilo e não outra coisa qualquer que por ali assim surgiu, de repente, dentro da sua cabeça.
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