sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Roubaram O Arco-Íris Mas Também Já Ninguém O Quer!

Se algum dia realmente chegar a compreender tudo aquilo que desejo, sem dúvidas, sem omissões e sem falhas de interpretação, acredito que esse será um momento glorioso para mim. Cheguei à conclusão simples que a interpretação pode fazer toda a diferença, quer se tratem de assuntos banais, ou outros, da mais delicada e vital importância. Claro que este é um processo lento e até, quem sabe, utópico, pois os dilemas diários são tão diversificados, que observar, processar e interpretar tudo, de forma eficiente e eficaz, é não só difícil, mas, principalmente, doloroso.

Esforço-me por observar, experimentar e interpretar mas, constato, que não é coisa fácil, não senhor. Interpretar é ficar, no final de todo o busílis da questão, apto a entender; no complicado ou no aparentemente simples. Aos que se limitam exclusivamente a observar e a experimentar, a esses, reconheço-lhes, pois, a nítida vantagem, já que não se contentam com a fama sem primeiro, de facto, tirarem o proveito. É por isso que tentar demonstrar que entre o preto e o branco existe uma infinidade de tons de cinzento, é não só uma perda de tempo como, também, um erro crasso e sinal flagrante de falta de inteligência.

Pessoalmente, à hora a que escrevo, assolam-me grandes dúvidas. Haveria mesmo necessidade de reduzir o tamanho da capa dos livros do Tintin? Será que uma nova revista de nome Aurélia venderia mais do que a Ana, a Maria ou a Mariana? É normal que a voz da música de natal do Coro de Santo Amaro de Oeiras continue igual desde há 30 anos? Se chegamos à conclusão que o filme que estamos a ver no cinema é, pelo menos, igual ao tamanho de uma bosta de búfalo almiscarado de barriga cheia, na altura dos pastos verdes, então, porquê sair da sala apenas a dez minutos do filme acabar, e ainda por cima com um ar chateado de quem esteve duas horas a ter um pesadelo com livros de reclamações?

1 comentário:

anouc disse...

Pior seria sempre assistir a duas horas do Coro de Santo Amaro de Oeiras. Por pior que fosse o filme.