
Basta ser-se português de gema (o que não implica, necessariamente, saber cantar o fado do desgraçadinho ou andar com um pente no bolso das calças), ter-se vivido em Portugal desde pequenino e, importante, ser-se benfiquista, acreditar que o Eusébio ainda tem vinte e cinco anos e que vai ser contratado para a próxima época. É que isto foi de uma inspiração fora de série, ó ai se foi. Com esta tolerância de ponto voltámos a tomar a rédea à situação. O segredo chama-se aculturação, foi praticado há séculos, com perícia, pela altura dos Descobrimentos e, em véspera de sexta-feira santa, voltou a mostrar os seus efeitos imparáveis. Não lhe chamem emboscada. Não lhe chamem ardil. Não lhe chamem estratagema.
Em última instância sim, queremos que os membros da troika fiquem iguais a nós. Que pensem como nós. Que levem isto da vida como nós. O resultado está à vista de todos e nem duas semanas passaram e já está a dar frutos. Ontem ninguém lhes colocou a vista em cima. Onde é que estiveram? Por onde andaram? Ah, pois é. Ficaram mas foi na caminha, no bem bom, na sorna, no choco. O objectivo é simples, daqui a três semanas, quando o tempo da praia chegar, já ninguém vai estar a falar de resgate financeiro, são eles é que vão estar a pedir de joelhos para nos darem dinheiro. E às carradas. Os senhores da troika são inteligentes, mas vou adorar vê-los a desfilar na Avenida da Liberdade, por altura dos santos populares, agarrados a um manjerico, de sardinha na boca e com uma mini na mão.
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