
Mas na inauguração, aquilo que mais me espantou não foram nem os rails metálicos a luzir, e muito menos o cheiro tóxico do alcatrão acabadinho de aplicar. Brilhante, mais uma vez, esteve o sentido de oportunidade português de estar no local certo, à hora certa. Porque perder pitada da inauguração de uma estrada é uma falha grave na formação de qualquer cidadão, e arriscar, mesmo que só daqui a vinte anos, quando já nem dinheiro houver para a gasolina, a impossibilidade de poder dizer “eu estive lá”, é pior que ceder voluntariamente ao martírio das insónias de quem está desempregado, não tem dinheiro para pagar as contas, está prestes a entregar a casa ao banco ou, um pouco melhor, sabe que o subsídio de desemprego não é eterno e já acabou no mês passado.
Claro que eu estou feliz com a CRIL. Aliás, muito feliz, até. Tenho pena é que a inauguração de ontem não tivesse ocorrido há dez ou quinze anos pois, isso sim, teria sido digno de registo. Já de toda a cerimónia, custa-me a engolir a forma aportuguesada com que milhares de pessoas picaram o ponto, de pé no acelerador, à espera que a fita vermelha fosse cortada; gramando de forma abnegada com uma fila de trânsito compacta (contra a qual reclamam todos os dias), depois de terem acordado cedo, numa bela manhã de domingo. Se calhar, sou eu que ando a ver tudo ao contrário. Para mim, a CRIL corresponde apenas a um conjunto de coisas simples: acordar o mais tarde possível, chegar a horas ao destino, circular com desafogo e segurança e sem a menor sombra de trânsito.
1 comentário:
Tal como tu também segui, via TV as imagens da dita inauguração. O que dá sempre cabo de mim nos festejos tugas, são os ranchos folclóricos! E olha que eu até me considero uma pessoa castiça! ;)
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