Querem matar o Magalhães e isso,
mais do que deixar-me preocupado, deixa-me profundamente desconfiado
relativamente à existência de um qualquer tipo de plano B para o sector da
Educação. Apesar das más-línguas, sempre achei o Magalhães um tipo conceptualmente
porreiro. Bem composto e com os bits todos no sítio, certinho e possuidor dos
devidos anti-corpos para resistir ao lado mais obscuro do ciberespaço, granjeou
a simpatia na franja pré adolescente do espectro social. Aparecido de dentro do
nada político, deu um ar de novo-riquismo à escola pública nacional e foi capaz,
de uma forma mais ou menos ilusória, de juntar os filhos de assalariados e
subsidiodependentes à volta de um teclado de computador.
Talvez um pouco azul em demasia
para alguns gostos, algo que umas pintalgadas de escarlate lhe fariam arrebitar
o hardware, nasceu envolto em controvérsia e assim mais ou menos que para o torno.
Confusões de concursos e adjudicações ad
hoc, politiquices intercontinentais com ditadores da América do Sul,
resistências internas e piadas de pacotilha, enfim, o pior do marketing político
ao serviço de um determinado projecto (a ter havido um). Porém, agora que
estamos todos contentes porque as coisas mudaram, vão reavivar as mais
dolorosas memórias do Holocausto e enviar o Magalhães para o forno crematório. Sim,
colocá-lo em banho-maria, dizem.
Sinto que, nesta altura, voltar a assobiar o Magalhães
é pior do que assobiar o Cristiano Ronaldo, que é “bonito, rico e grande futebolista”.
O Magalhães não é bonito, rico e que se saiba não se lhe reconhece qualquer
capacidade a jogar com os dois pés. É apenas mais uma visão ou um possível rumo
que vai pelo esgoto abaixo. Continuamos sem perceber se queremos branco ou
tinto, se preferimos branco ou preto, frio ou calor. O problema é tão-somente
esse. Quanto ao Magalhães, até lhe podem chamar lancheira ou caixa do
berbequim; os Estrunfes também passaram a Smurfs e ao que se sabe ninguém morreu de desgosto.
1 comentário:
LoL, muito bom :)
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