sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Pedras Rolantes - O Mistério Dos Automóveis Sem Caixa de Velocidades!

Lá se costuma dizer e com razão; "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa". Ou seja, uma coisa é um triciclo com rodas outra, completamente diferente, é um triciclo com rodas e com motor.

Mas mesmo assim, pior do que um triciclo com rodas e com motor é um triciclo com rodas, com motor e com uma chassi tipo caixa de fósforos.

Como se não nos bastasse tal pesadelo da engenharia mecânica, pior do que um triciclo com rodas, motor e chassi tipo caixa de fósforos só mesmo um triciclo com rodas, motor, chassi tipo caixa de fósforos e lá dentro um homo-sapiens de boina, a rondar os 70 anos, armado em Nelson Piquet.

Filho que é filho, que pelo natal se lembre de oferecer tal presente envenenado a um pai, tem de saber que a eutanásia é uma prática ilegal e éticamente reprovável no nosso país e que há presentes bem mais simpáticos e capazes de contribuir para a diminuição da sinistralidade rodoviária.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ao Vivo E Bem Vivo!

Dificilmente, nos tempos mais próximos, sairá um álbum que me diga tanto quanto este "Xutos ao Vivo", apesar de outras excelentes e aguardadas novidades que por aí vão surgindo.

Tinha 12 anos quando este disco foi editado. Na altura, uma cópia em K7 foi a solução encontrada. Passei anos a desejar e a acreditar que, um dia, a versão completa do concerto no Pavilhão do Restelo pudesse sair em CD, até agora amputada de algumas músicas fundamentais na discografia dos Xutos.

Claro que preferia ganhar o euro-milhões, depois de tal pensamento profético, ainda assim, enquanto vou tendo de continuar a trabalhar para o dia-a-dia, trocadilho à parte, fica o consolo de poder voltar a ouvir a voz do Tim num tom de garra e de combate.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Quando Começar A Cheirar Aviso!

Fechado o ciclo laboral do ano transacto, ano em que, basicamente, nada mais andei por aí a fazer do que..."coisas"...muitas delas, em abono da verdade, que pouco contribuíram para a minha condição de individuo e de cidadão do mundo livre, vejo-me agora, novamente, hóspede residente de um castelo de cartas edificado entre uma porta e uma janela.

Tenho novo gabinete! "Uau, mas que tipo de sorte", pensam vocês.
Pois é, na verdade, digo-vos, esqueçam. Aliás, desenganem-se, mudem o chip, formatem-se.
É que a caverna fica paredes meias com a casa de banho e se, logo à partida, isso é mais do que motivo para deixar qualquer um desconfiado e de pé atrás, imaginem, então, o que é terem de constatar, in loco e ao vivo, diariamente, as vossas piores expectativas.

Para além de parecer que, por estas bandas, chove de manhã à noite, em cascata, tromba de água ou diluvio dos deuses, temo passar a sofrer de dores nos ouvidos, tal a tortura do trovejar intenso e francamente audível a que sou sujeito, sem dó, nem piedade.

Se um dia destes vos aliciarem com um gabinete maior, mais arejado, mais moderno, mais isto e aquilo, certifiquem-se, de tudo e mais alguma coisa, que fica a léguas de distância da máquina do fax...pois, pois.

domingo, 25 de outubro de 2009

Está Tudo Bem, Muito Obrigado!

Lisboa deve ser, provavelmente, a única cidade do planeta em que as faixas de rodagem desaparecem sem deixar rasto. Quero dizer, mais próximo do que a sensação de se estar a entrar num buraco negro não deve haver, nem mesmo se nos voltarmos a lembrar dos tempos da saudosa feira popular, de Entrecampos (que Deus a tenha em paz e sossego), em que o efeito produzido em quem se aventurava no Comboio Fantasma andava lá perto.

Em muitos pontos da cidade, a ilusão das três faixas de rodagem não passa disso mesmo, ou seja, de uma ilusão. Os risquinhos brancos até estão lá, a sinalética a condizer e tudo, todavia, na hora da verdade, a anarquia do estacionamento acorda-nos para a dura e triste realidade, para o caos. Onde a policia ainda, de vez em quando, se vai entretendo a fiscalizar, a coisa até vai funcionando. Mas, se a rédea afrouxa um milímetro que seja, lá volta a nossa incontornável característica do chico-espertismo, que em nada abona a favor da vida em sociedade. Evoluída, pelo menos.

Se estão fartos de andar às piruetas e a zigue-zaguear como se estivessem a jogar um jogo de computador, fartos de fazerem olhos cegos aos tracejados e traços contínuos, tratem mas é de chamar o rolo compressor, tal qual carro vassoura, para dar um miminho de conforto a todos os que pensam que basta encostar as rodas a um passeio para estacionar o "chaço".

Ainda assim, por outro lado, se vos excita essa vossa faceta de piloto de rali, então, pronto, fiquem a saber que por mim está tudo bem, muito obrigado!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Memoirs Of An Imperfect Angel!

Este, é o nome do mais recente longa duração da Mariah Carey.

Andando eu distraído, ainda assim, parece-me que pegou moda, por esta franja do universo musical, os títulos dos discos num tom autobiográfico, com mimos ao ego e siglas com mensagens codificadas. Pessoalmente, chamo-lhe lamechice, mas adiante; neste campo, ando no pólo oposto das notas musicais, ou seja, estou absolutamente cego, surdo e mudo.

No caso concreto em questão, podendo estar muito enganado, identifico, logo à partida, um enorme e clamoroso erro de casting. Ora, na capa do disco, a "menina" até se vestiu de branco e tudo, apelando a um espírito angelical. Todavia, do seu staff pessoal, ninguém lhe soube explicar as mais elementares leis da física que regem o mundo e que, de certa forma, acabam por compensar a tontura do Newton, que de parvo não tinha nada e, no fim da linha, acabou por ter sorte com a maçã, pois na rifa até lhe poderia ter saído um coco ou um ananás.

Assim, alguém lhe explique, por favor, que nos anjos, o excesso de silicone aumenta de forma drástica a probabilidade de acidente aéreo grave.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A César O Que É De César!

Mas que gente é esta que se refere à própria mulher como se estivesse a lavar os dentes com ácido muriático?

É, respiro fundo três vezes sempre que oiço alguém a referir-se à namorada/mulher como "a minha Maria" ou, muito melhor, simplesmente, "a Maria". De facto, nessas alturas, só não solto uma lágrima com tal demonstração de carinho, porque as ando a guardar para algum evento que valha verdadeiramente a pena. E este, por amor de Deus, do mais azeiteiro que há, não vale lágrimas nem que seja sob tortura.

A minha Maria? Meus amigos, se em casa não tiverem nenhuma Maria e, ainda assim, andarem por aí a apelidar de "Maria" a vossa cara metade, convençam-se que isso é algo de tão carinhoso quanto romântico é fazer douradinhos Iglo para o jantar, acompanhados de um tinto de marca branca e mousse de chocolate instantânea.

Espero que elas, as respectivas, no trabalho e com as amigas, não vos andem a abençoar com mimo de igual gabarito, referindo-se a cada um de vocês como "o meu Zé", ou, muito melhor, simplesmente, "o Zé", já para não falar, "o Tó".

Se assim for, não se queixem. Quem semeia ventos, colhe tempestades.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Pézinhos de Coentrada!

Acompanho com interesse relativo a história do feiticeiro que, ao que por aí consta, a troco de transferências inter-bancárias, tem como hobbie favorito atazanar a vida do Cristiano Ronaldo. Entre o chove e não chove, o vai aqui e vai ali, lá me vou apercebendo da dimensão deste caso que tem feito as delícias de jornais da craveira do 24horas, da sua importância, e do quão vulnerável está o destino da humanidade na eventualidade de esse senhor continuar a misturar pozinhos de cor e a fazer mezinhas de efeito duvidoso.

Como se não bastasse já a lesão no tornozelo, o alvo da atenção subiu agora para classificação M18, hardcore, 1ºescalão. O objectivo, ainda que sem magoar, claro, é o de provocar um nível de sub-rendimento técnico no âmbito sexual, independentemente da quantidade e qualidade dos exercícios das sessões de treino, a que o atleta se sujeite. O bruxo, pouco adepto do esquema de pagamento por intermédio de recibos-verdes, mas fã confesso das técnicas do velho manual Disney, do Mago Merlin, já veio dizer que agora, para o menino madeirense, coisa que é doce só mesmo se for pipocas no cinema e que, mesmo assim, o efeito primário do jejum é de tal ordem que é como passar um filme inteiro a engolir "guelas" abafadores.

A fazer crer nos pergaminhos apresentados, quem me dera que a magia do senhor resvale ali para os lados do programa Ídolos, que de parvoíce em parvoíce, de mansinho e sorrateiramente, já nos começou a alfinetar com vudu da pior espécie.

domingo, 18 de outubro de 2009

A Garota de Ipanema!

A Garota de Ipanema é uma musiqueta brasileira à qual nunca liguei um chavo. É que aliás, a bem dizer, e em nome da verdade verdadinha, o Brasil, como país, sempre me disse pouco, e não saiba já eu o que a casa gasta, assim isso deverá continuar, não seja, entretanto, fulminado por um raio que me avarie cá por dentro a massa encefálica.

Uma semana distante do mundo e quando volto não se fala de outra coisa. Vinte anos depois de ter caído o Muro de Berlim, fazendo desaparecer a Guerra Fria, encontro o país lavado em pranto e em risco de se afogar em lágrimas de crocodilo, fortes e violentas, com tiques de tempestade de Outono, em copos do Ikea.

Cruzando-me na rua com a Maitê, cá por mim, das duas uma; ou dou-lhe um beijo na boca ou tento fazer prova do que dizem por aí, que a senhora está velha, gasta e sem rabo. Parece-me isto melhor motivo, bem mais interessante e remunerador do que, por outro lado, alinhar pela equipa dos chocados e dos ofendidos. Se se ofendem é porque são dos que vivem a acreditar nos super elogios dourados com que os actores brasileiros adoram presentear-nos naqueles programas da treta tipo Fama Show e primos, elogios que cheiram a peixe podre e são a prova provada de que, realmente, comer arroz de frango em vez de arroz de pato, por escolha própria, mais do que brega, é estúpido.

domingo, 11 de outubro de 2009

Hoje é 1 X 2!

Hoje, faço parte daquela franja negra do eleitorado nacional que mora num local mas que continua recenseado num circulo eleitoral diferente do da área de residência. Se quiserem, se vos apetecer, chamem-me nomes, xinguem-me, mandem-me para lugares que façam corar qualquer um, mas, também, e a saber, é algo que pouco ou nada me transtorna.

Hoje, estou que nem aqueles milhões de pessoas espalhados pelo mundo desprovidos da sorte de verem a sua selecção nacional de futebol jogar no mundial e que se limitam, apenas, a escolher uma outra, como forma de consolação, para poderem dizer que estão a torcer por alguém.

Hoje, a torcer por alguém, torço por mim. Candidatos aqui por Lx? Que percam os dois. Os três, os quatro...

Hoje, há eleições autárquicas, que até deveriam ser das mais importantes, mas que são o espelho do que é o nosso país, a imagem da mesquinhez, do caciquismo, da falta de educação, da politiquice, da demagogia, da intriga...

Hoje, gostava que gente como o Avelino Ferreira Torres, o Isaltino Morais, o Hernâni Carvalho, a Fátima Felgueiras, entre outros, se espalhassem ao comprido em cima de gravilha afiada ou, no mínimo, que levassem uma banhada de alcatrão a ferver.

sábado, 10 de outubro de 2009

Perdoai-lhes Senhor, Eles Não Sabem o Que Fazem!

Como se o ter começado com uma citação de figura tão ilustre não fosse, por si só, no meu caso, algo de profunda bizarria, espante-se, então, quem continuar a ler o que por aí vem no próximo aglomerado de palavras...

O efeito auréola sempre me incomodou, foi algo que sempre me fez pensar que, na hora de recompensar o trabalho das pessoas, muitas das vezes, o esforço, o mérito e a obra feita não são mais do que puro efeito de decoração. Ontem, fiquei surpreendido com a atribuição do Prémio Nobel da Paz! Sim, sei que não fui o único. Mas a questão acaba até por nem ser essa, pois poderiam ter-se lembrado em atribuir o referido prémio à Carolina Salgado, que o resultado seria exactamente o mesmo, com a diferença de que, provavelmente, de ontem para hoje, a minha boca ainda não se teria fechado do espanto, ou melhor, do susto.

O mundo anda confuso! Para não dizer, perdido. O "nosso" mundo, o "mundo ocidental", parece-se mais com um peão de madeira acabado de ser lançado do que, propriamente, com um local seguro para se viver. A atribuição deste prémio é um exagero! Para algo que sempre foi tão convencional, algo que sempre foi tão quadradinho, passar cheques em branco desta forma não é sinónimo nem de objectividade nem de coerência.

Ainda assim, se o intuito foi mesmo o de agitar as águas, o de nos pôr a todos imbuídos de um certo estado de espírito pink, digamos até que um sinal de afirmação para com o mundo dito "não ocidental", então, meus amigos, sou o primeiro a pagar para ver os resultados. Vou é manter-me por aqui de boca fechada, pois com o abaixamento da temperatura isso é demasiada violência para com as minhas amígdalas.
Peace!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Cala-te Boca!

De vez em quando dá-me para me desbocar todo. Discursar, entenda-se. Escrevinhar umas palavras, juntar umas frases e articular meia dúzia de ideias com algum sentido. Claro que os meus discursos são na pura óptica do pregar aos peixinhos, pois ninguém está para me ouvir, ninguém me ouve e, mesmo aqueles que por obrigação tiveram de me ouvir, ainda eu não voltei a amarfanhar as páginas de papel, de volta no bolso, e já se esqueceram de tudo quanto acabei de dizer.

Quando sou atacado por essa dose extrema de incontinência verbal, seja uma, duas ou três vezes, mesmo que num curto espaço de tempo, coisa que me faz confusão interior é quando alguém me aconselha a ceder à tentação do plágio. Nessa situação, prefiro tapar o ouvidos e começar a cantarolar "não tou t'ouvir, não tou t'ouvir".

Hoje, estou sentadinho e a faladura vem de outra garganta. Hoje, sei que vou ser plagiado, mas estou calmo, autorizei.

O resultado final? Péssimo! Há quem só mereça mesmo beber vinho a martelo!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Rato Roeu a Rolha do Rei da Rússia!

Fosse eu perceber de armas, e já uma lança de metal em fogo ter-me-ia beijado a têmpora. A saber, um beijo destes, inegavelmente um acontecimento, pode fazer toda a diferença quando tudo à volta pouca diferença faz. Pode mudar tudo, de alto a baixo. Pode extravasar toda a amargura acumulada.

Esforço-me por imaginar como seria, mas, difícilmente sequer encontro sensação real próxima, nada. Há um pouco de negro lá no fundo, uma imagem desligada que em tempos senti, mas, pouco, ainda assim. Talvez a resposta, essa, esteja mesmo cá dentro, e só abrindo se consegue descobrir o que se procura. Parvo, parvo! Eu que cheguei a pensar que talvez tivesse algo para dar. A ilusão dos inocentes. O sorriso das crianças.

Tivesse eu um gatilho no dedo e pouco haveria de ficar para contar. Apenas um estalido abafado. O baque metálico do osso a partir. Um jorro quente e sujo para alguém limpar. Nenhum grito, por certo que nenhum.

O amanhã, é apenas mais um muro, e não havendo balas atiro-me de cabeça, sedento do chão com que me venha a deparar. Quanto ao resto, se não me encontrarem, é porque a pulso e à força de braços continuo a escalar até alcançar o topo. E num último instante, quem sabe, não acabe até por perder a vontade de me sentir a voar. Quem sabe...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Le Roi Est Mort, Vive Le Roi!

Ontem, foi feriado nacional, dia em que, há umas boas dezenas de anos, alguém decidiu mandar o então rei vigente contar carneirinhos, para o paraíso. Aquilo que na altura deve ter sido um choque, tiro daqui e tiro dali lá se curaram as maleitas ao senhor sua majestade e seu descendente, digamos que com técnicas radicais e pouco dadas à terapia da dor mas, enfim, coisas da História.

Que nem de propósito, todos os anos, neste mesmo dia, lá voltou a reunir-se o grupo de fervorosos saudosistas monárquicos. Por certo já fartos de passarem as tardes de domingo a ver filmes do Errol Flynn, decidiram ir dar uns pulos até ao Chiado, pois até diz que faz bem ao colesterol e sempre deprime menos.

Pessoalmente, adorei toda aquela alegria e vivacidade. Os gritos de viva ao rei, as gargalhadas histéricas a fazer lembrar as juventudes partidárias, as bandeiras desfraldadas ao vento, as vénias, os "sim sua majestade", "vossa senhoria como está?", "que chatice não poder trazer o meu cavalo para aqui para o Bairro Alto", "o que ia bem agora era um javali assado na brasa", "o que irrita aqui é esta plebe intrometida"...

Espero que esta malta se volte a reunir no Carnaval, com uns papelotes à mistura, melhor não deve haver.

domingo, 4 de outubro de 2009

Ver Para Além da Montanha!

Ainda que seja uma estopada de todo o tamanho. Ainda que seja uma seca descomunal. Ainda que seja uma dose intravenosa de tédio. Ainda que seja um massacre de ir às lágrimas, mesmo assim, quem sabe se a haver eleições de mês a mês isto até se endireitasse?

Surpreendentemente, de uma momento para o outro, deslocando-se mais rápido que velocidade warp, as passagens de peões do meu bairro apareceram de cara lavada, branquinhas branquinhas que até dá gosto ver. Óbvio que não acredito que, subtilmente, esteja por aí algum político a esfregar as mãos de contente e a pensar que já cá canta mais um. Claro que não! Aliás, ninguém me convence do contrário que esta técnica de deixar o embelezamento para a semana das eleições só tem é muito a ver com o fair-play com que as autarquias encaram a possibilidade de poderem vir a perder as eleições, não querendo deixar as coisas com mau aspecto para os futuros sucessores.

Inicialmente tinha pensado em escrever dois parágrafos sobre a nova depressão do Zé Maria mas depois, por ser domingo, dia da família, não me apeteceu estar a ser irónico.