segunda-feira, 29 de junho de 2009

Porque 1+1 Pode Simplesmente Ser Igual a Uma Coisa Qualquer!

Não é que tivesse percebido grande coisa no meio de tanto berro e de tanta gritaria mas, ainda assim, deu para ver que, no fundo no fundo, havia ali uma atitude louvável não tão despropositada quanto, à primeira vista, podia fazer crer.

Assim de repente, observando ao longe e sentado confortavelmente na esplanada, a figura era desagradável. Alto, de aspecto rude, roupas velhas e sujas, barba de vários dias e por controlar, não era aquele o tipo de pessoa ao qual apelidaríamos de modelo social. Talvez outros conceitos, outros adjectivos. Sem abrigo, mendigo; por aí.

A mim a cerveja sabia-me bem. E seguramente que os outros, que ajudavam a compor o local, fosse o que fosse que estivessem a tomar, não se queixavam do momento que estavam a viver. Mas os gritos não paravam, os insultos, a raiva.

O senhor era alemão. Estava furioso. Gritava para o ar. "Porcos, são uns porcos", dizia. Estava imundo. Calças de ganga nojentas. E ali se manteve, no largo, perto da estação do Rossio, a apanhar todo o tipo de lixo que encontrava no chão, implacável, nos canteiros, nas escadarias, para depois o depositar num contentor, à vista de todos, junto a uma parede.

Na mesa ao lado, reparei que um casal deu mostras de estar incomodado. Ele fumava e no final, acto contínuo, e ainda meia por apagar, largou a beata para baixo da mesa, directamente para o chão, onde jaziam outras duas.

Pois!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Uma Luz ao Fundo do Túnel!

Uma coisa é dizer que foi distracção mas outra, totalmente diferente, é fazer da aselhice uma forma natural de estar na vida. Mesmo assim, se calhar, o mais grave até nem é ser aselha pois, o mais correcto, será falar de irresponsabilidade que essa sim, bem pior que a aselhice, é uma desconexão social que pode até não fazer tanto mal à camada do ozono quanto um desodorizante fatela mas, sem dúvida, que também nunca há-de ser água de malvas nem Channel Nº5.

Pode não parecer mas os parques subterrâneos/garagens, de uma maneira geral, são locais "perigosos". É importante conduzir com atenção, jogar na antecipação e pôr em prática aquela coisa da condução defensiva. O espaço é apertado e as manobras exigem um pouco mais de perícia e nada aconselha fazer disso uma corrida de fórmula 1.

Ver e ser visto é, pois, fundamental. Põem-me os cabelos em pé os amáveis condutores que ainda não descobriram que as luzes do seu auto não servem apenas para a noite escura como breu ao ar livre e que, aliás, é de todo aconselhável que nesses parques/garagens façam, igualmente, uso dos respectivos lampiões. Eu, pelo menos, agradeço.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Whisky De Malte Com Asas!

É algo que não me tira o sono mas acho curioso o facto de, durante anos, ter criado uma espécie de mito que, a pouco e pouco, se veio a desmoronar rapidamente tal qual castelo de areia em hora de maré cheia. Relativamente ao facto, agora, a única coisa que sinto é mesmo um enorme desconsolo; um imenso vazio já impossível de preencher e que durante tanto tempo, baseado em imagens pré-concebidas, me fez acreditar numa maravilha da natureza à qual por terras de Vera Cruz decidiram dar o nome de aeromoça.

Não falarei, pois, de bebedeiras, de actos estúpidos provocados pelas bebedeiras, nem sequer de bêbedos. Nem de patos, canários ou periquitos. Apenas sinto que chegou a altura de exorcizar essa minha visão edílica no que concerne a uma determinada profissão. Tão respeitável quanto qualquer outra, diga-se, mas, ainda assim, não tão sumptuosa como, inocentemente, sempre acreditei que fosse.

Passaram muitos anos por hospedeiras mas hoje, com um pouco mais de estilo (lá está, o estilo sempre à mistura) são conhecidas por comissárias de bordo. Conhecidas e conhecidos, aliás. Que estilo, que glamour, que coisa fantástica, que educação, que perícia, que técnica, que uniformes...O quê, servir chá e café? Servir sandochas de paio requentadas? Aturar malta antipática e que mais merece ser esbofeteada e lançada borda fora a 10000 pés de altitude? Arrumar malas? Providenciar almofadas e cobertores? Apregoar descontos em relógios e perfumes como se se estivesse na feira? Empurrar carrinhos cheios de tralha e a cheirar a gordura?...

Imagino que seja bem mais complicado arranjar uma cunhazita para posar nua ou conhecer jogadores de futebol, mas trabalhar ao balcão de um café sempre tem a vantagem de se comer melhor, poder experimentar doçaria variada e de melhor qualidade e não ficar à mercê de um mergulho surpresa no atlantico.

domingo, 21 de junho de 2009

A Montanha Pariu Um Rato!

Se ainda me lembro, o primeiro segredo para construir a Fisga perfeita é, antes de mais, arranjar um bom pedaço de madeira sólido em forma de forquilha. Depois, cortada à medida certa, a madeira deve ser alisada e dela eliminadas todas as pequenas farpas que possam magoar a palma da mão, e que possam vir a impossibilitar uma utilização eficiente do referido objecto.

O segundo segredo é encontrar um elástico devidamente resistente que aguente a tensão pretendida, bem como saber fazer o nó ideal que mantenha e aguente a ligação do elástico ao pedaço de madeira. Um bom elástico e uma boa ligação irão garantir, de certeza, que a capacidade de atingir um alvo a uma média distância, com precisão e eficácia, será conseguida.

Quando li que o Nuno Eiró tinha levado um tiro, imaginei logo um cenário de horror com tripas e litros de sangue à mistura. Pelo menos, pensei eu, um pulmão furado, intestinos revolvidos ou uma ou duas costelas partidas. Mas qual quê. Nada. Ao ver a fotografia no jornal, lá estava ele, todo sorridente. Do tiro, só aquele pensito na mão de fazer lembrar alguém que se queimou a servir o chá.

Não querendo aqui dizer nada que possa fazer de mim uma versão rasca do American Psico, e não percebendo eu nada de armas de pressão de ar ou de brinquedos similares, que da próxima vez, e só para chatear, usem uma boa fisga. Pelo menos, se levar com uma pedrada bem em cheio naquela mona ou no meio dos periscópios, por instantes, tenho a certeza que se vai esquecer daquelas piadas parvas e daquele jeito de alguém que deve acordar todos os dias a pensar que é uma reencarnação do Benny Hill.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Figura de Corpo Presente!

Se falassem, seguramente que estes pobres coitados muito teriam para nos contar. Ao sol e à chuva, ao calor e ao frio, não deve de ser fácil aguentar uma vida cristalizada, crucificada, sem qualquer reconhecimento, honras ou prestigio.

E porque deve de ser duro ter de passar horas e horas seguidas sem poder mexer um dedo do pé que seja, levantar o sobrolho ou coçar o que der mais jeito no momento, que haja alguém que se lembre destas pobres almas, e se digne de lhes criar um sindicato, um que encontre maneira de lhes arranjar descontos para a segurança social e, em caso de necessidade, cobertura do fundo de desemprego.

Ainda assim, no fundo, mau mau até nem é estar ali a fazer figura de parvo, com uma expressão de ir ao vomito, olhar de fastio e sorriso a precisar de duraglite, o pior mesmo é a inamobilidade forçada dos membros superiores e inferiores que, para quem não sabe, provoca uma a degeneração acentuada das partes moles, pele e cartilagens.

Mesmo assim, no meio de tanta amargura, antes estar o dia todo rodeado de estrume, de tomates e de hortaliças, que a fazer de publicozinho, de rabo sentado numa cadeira, a bater palmas, num programa de televisão. O que diriam eles? Talvez...caguem-nos na cabeça à vontade, mas não nos obriguem a aturar a Júlia, o Manel, o Baião...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Entradas à Leão, Saídas à Urso!

Começou a Terceira Guerra Mundial!

Como é que eu sei disso? Bem, para ser sincero, saber saber não sei. E para não me encher de bazófia, como estou convencido que vocês sabem perfeitamente que eu não sei assim tanto quanto digo saber, ainda que saiba alguma coisa mais que vocês próprios não saibam, pouca, creio, não se esqueçam que existe uma palavra denominada imaginação, essa sim, que pode fazer milagres. Mas olhem que a dita cuja começou mesmo, acreditem. Disfarçada, ela anda pelo meio de nós, e não é com um espírito saudável nem apaziguador.

Ontem, numa autoestrada que mais parece um caminho de pé posto, de cabras ou carros de bois, o carro de trás encostou-se ao da frente como se fossem postal e selo acabado de lamber. Então, o selo lambido, com uma vontade indomável de passar, buzinou, buzinou e buzinou. O postal, pronto a ser ensopado, fez que não viu e continuou em velocidade de cruzeiro. Correio normal, vá. Nada dessas coisas de velocidade supersónica de correio azul.

Então, o selo, completamente esbaforido, esbracejou e tentou armar-se em Nelson Piquet, o dos bons velhos tempos, passando a tentar furar ora à esquerda ora à direita. Por instantes, da minha carripana, observei o braço de ferro com a percepção que estavam ali mais dois brilhantes números para engrossar a estatística dos idiotas mortos ao volante de um carro. A tal terceira, de que vos falava.

No fim? No The End? Passei pelo corredor da Via Verde, como manda a lei a 70km/h, e eles lá ficaram na fila, um atrás do outro, paradinhos, cada um à espera da sua vez para largar a moedinha...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Crocodilos de Água Doce!


Mais rapidamente acredito que há muito muito tempo, mesmo que não numa galáxia longínqua, algo fez com que o nosso aspecto amacacado fosse desaparecendo - e não necessariamente sabendo, à partida, que passados alguns milhares de anos estaríamos rodeados de telemóveis, televisões, escovas de dentes, gps, relógios, etc -, que acreditar que tudo isso tenha acontecido fruto da obra, graça e vontade de um omnipotente ser divino. Seja ele qual for. Mas, enfim, outras conversas...
Se os nossos antepassados mais distantes tudo fizeram para evoluir; tanto é que descobriram o fogo, inventaram a roda, criaram o vestuário, entre outras coisas, fico algo desgostoso quando sou surpreendido com invenções de gosto duvidoso e que, de certa forma, podem ser uma falta de respeito, e até um atentado moral, para com todos os quantos se esfalfaram por descobrir a sandes de carne assada, sem que eles próprios se tornassem na carne, da sandes de um qualquer mamute pré-histórico. E deve ter sido difícil, digo eu, correr pelo meio de silvas e de cardos com os pés ao léu, apenas porque algumas espécies foram achando que carninha que é boa, é a das nádegas e da barriga das pernas do senhor homo-sapiens.
Pois. Mas se eles é que eram os toscos. Os primitivos. Os primatas. Se eles é que tinham de fugir dos dentes dos leões e dos Tiranossauros-Rex, por que raio não se lembraram eles de transformar crocodilos em sapatos de cores berrantes e de design pelintra? Sempre podia dar jeito enquanto fugiam de gruta em gruta. Não? Pelo menos, sempre teria dado mais lógica à palavra Evolução. Certo????
No sábado, quando os vi aos quatro a sair do carro; pai, mãe, filho e filha, pezinho emborrachado verde fluorescente, apeteceu-me apenas agarrar num maçarico e reciclar aquelas socas de plástico num pega monstro gigante.

domingo, 14 de junho de 2009

O Rei Vai Nú!

Não são necessariamente precisos dois reinos para se jogar uma partida de xadrez. Bastam apenas dois lados, dois adversários, ainda para mais sabendo que, às vezes e para facilitar as coisas, até nem isso. É que são poucos, mas, de facto, há quem se aventure nesta batalha mental sozinho. De pensamento dividido em dois, com estratégias ardilosas e elaboradas lá se vão deliciando com os prazeres que o jogo dá, jogando, umas vezes de um lado outras vezes do outro.

Apregoa-se há dias que morreu um príncipe. Pergunto, qual? Que príncipe? De que reino? Não é novidade nenhuma que nem a realeza resiste à ditadura da força da gravidade e que asas é coisa difícil de fazer crescer, mesmo em banho maria ou embebidas em sangue azul.

Portugal é uma republica e (o Brasil também), como tal, títulos não passam de símbolos. Na prática, não existem. Claro que dá jeito para vender papel. Especialmente agora que até a Walt Disney parece ter-se desinteressado dos contos de fadas. Daí que, "Dom", imagino apenas que seja pai de "Donuts" e, por inerência genealógica, avô de "Donnetes". Tudo o resto é fantasia. E da má.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Troca Tintas!

Podem, à vontade, chamar-me de velho. Retrograda, antiquado, jarreta, enfim, dêem o vosso melhor e surpreendam-me com a vossa capacidade de imaginação. Mas há coisas que são assim porque, simplesmente, o são. Nascem connosco. Amadurecem. Firmam-se em nós. Coisas que não precisam de ser explicadas por fórmulas nem sequer por teorias iluminadas. Coisas que nos acompanham e que, invariavelmente, nos seguem ao longo de anos a fio, por mais que o tempo passe. Coisas que resistem até ao último dia. Àquele em que já não se pensa no que se quer, apenas porque, também, chegados aí, já não se pode pensar em mais nada.

A Tinta Permanente continua a ser um mistério para mim. O cheiro, a consistência, a suavidade. Essa sim, tinta que é vida e voz em bruto. É paixão. É tudo que temos para dizer. É a verdade das palavras que queremos mostrar, sem pressas.

Daí que não me prendam outras, envoltas em plástico. Que em nada me deslumbram com os seus preços, enganadores, de satisfação imediata. Pois mais não são do que corpos de aspecto pueril que não excitam, sequer, ao toque. Projectos inacabados de maturidade para esquecer em qualquer sitio, sem remorso nem dor.

Para falar por palavras escritas , se pudesse, seria sempre assim, como num mergulho de cabeça, intenso, até ao último ponto final.

domingo, 7 de junho de 2009

À Vontade do Freguês!

A cor, ao longo dos anos, terá sido daquelas coisas simples mas de valor crescente e verdadeiramente incomensurável. Sinal de diferença pela positiva, muito distante dos pré-conceitos a que alguns, por facilitismo, e tão erradamente a vão associando, a cor pode influenciar os nossos actos e atitudes das maneiras mais dispares e antagónicas. Por isso, umas mais frias, outras mais quentes, funcionam como ignidor de sensações e reacções químicas instantâneas.

Não foram tão poucas as vezes quanto isso que, ao ver um filme em B&W, me pus a imaginar se aquele mundo ali retratado seria mesmo assim, sem cor. Aquelas roupas, os carros, os olhos, o céu, o campo, a pele...tudo. Que bom que os filme de época feitos hoje em dia, em jeito de alivio, comprovem que, de facto, a cor, sempre existiu, e que esteve sempre lá, em tudo.

Claro que há cores das quais gosto mais, em detrimento de outras. Isso acontece com todos, acredito. Pois o espectro é de tal forma amplo que, olhando para um arco-íris, de braços abertos, as misturas, ainda que confusas, podem ser significativamente visíveis, da esquerda, à direita. Resta-nos parar e observar aquele ínfimo ponto onde conseguimos reconhecer a nossa favorita.

E a cor também pode ser um bom motivo de escolha. De opção. Desafio-vos a que escolham a vossa, que talvez um dia vos fale sobre a minha. Mas hoje não. Hoje, não posso.

sábado, 6 de junho de 2009

Reflicto Logo Existo!

Não há dias melhores do que outros para reflectir. No fundo, todos os dias contam para tudo. E no que diz respeito a reflectir não se abre daí nenhuma excepção à regra. Frágeis, contudo, tememos o tempo porque o não sentimos nosso. O que nos torna reféns dos relógios, dos calendários e das agendas. Mas nada mais do que uma ilusão vã de posse. Um engano. Um que, enfim, aceitamos. E, submissos, gostamos.

É que não precisamos sequer de passar os dias a reflectir. Acima de tudo o que temos é de viver. E agir é bem mais real do que pensar. Que, sem se sentir, pode magoar bem mais e abrir feridas bem mais profundas. Às vezes reflectir muito não implica, necessariamente, decidir melhor. Há o instinto, a vontade, o sabor. É preciso saber ver, também.

Óbvio que quando se reflecte tiram-se conclusões e podem-se descobrir soluções imprevistas e inimagináveis. Aprende-se com os erros. Percebe-se que há um bem e que há um mal. Sente-se que, no fundo, mudar até pode ser o caminho mais lógico a seguir. Todavia, reflectir pode ser apenas uma boa maneira de dar dois murros na mesa, e de alertar para que todos oiçam que aqui, agora, o que é realmente necessário é ganhar forças e agir dizendo BASTA.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Pêlo na Venta a Cheirar a Nestum!

Eu até que gosto. A sério. E quando me dá vontade, uma daquelas às quais nem interessa sequer fingir que se consegue resistir, agarro-me a um pratinho convenientemente atestado e toca de me por a encher a barriga.

Realmente, bem vistas as coisas, acaba por ser daqueles pecados que me tem acompanhado ao longo dos anos, pequena facada nas costas na coerência do meu próprio crescimento ou, enveredando por caminhos mais extremistas, um ataque suicida à minha já escassa maturidade.

É muito provável que aqueles pedaços de farelo açucarado, por si só, não fossem capazes de ter criado esta relação estranha de dependência. Mas aquilo misturado com leite transforma-se numa mistela de tal forma viciante, que se acham que alimentar burros a pão de ló é uma despesa enorme, então, é porque nunca me viram a encher o carrinho do supermercado com embalagens deste pó ao qual deram o nome de nestum.

Acho uma piada enorme aos antigos lideres e elementos das juventudes partidárias, aqueles acabadinhos de sair da fábrica do endoutrinamento ideológico. Os masculinos, pelo menos. Quando são das jotas pulam, refilam e vestem qualquer trapinho. Depois, quando passam aos seniores, aquilo deve-lhes fazer ali um qualquer curto de circuito que começam logo a armar-se em gente crescida. Olham em frente e dizem que sim a tudo. Agora, está na moda deixarem crescer umas barbinhas de homem grande. Acham eles que aquilo lhes disfarça a carinha de menino desmamado e a cheirar a leite. É a credibilidade, julgam.

Credibilidade não é deixar crescer a barba, vestir fato e gravata e falar caro. É, no mínimo, provar que se é diferente dos muitos maus exemplos que por aí andam a encher o bandulho. E não é de nestum, garanto-vos.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Baby's In TOYland!

Já houve, com certeza, dias mais chatos para cortar o cabelo. Mas hoje, e perfeitamente ao acaso, acertei em cheio no momento certo, facto que me salvou de uma espera aborrecida e entediante.

Se a televisão não existisse, não seria uma meia dúzia de revistas de folhas amachucadas e amarelas capaz de, pelo menos, atenuar o sofrimento pelo qual o número de cabeludos à minha frente, acredito, me faria passar. Assim, num tom calmo e moderado, lá estava ela, no alto e a um canto da sala de espera, com as caras mais ou menos habituais para aquela hora da manhã.

É que pelo meio de Cinhas, Lilis, Gouchas e demais compinchas, sem aviso prévio nem sinal de alerta, ora se não quando, num close-up firme e arrojado, brota um dos maiores reis do cançonetismo nacional. O inigualável e bem parecido TOY. Esse figurão, que para mal dos nossos maiores pesadelos tivemos o desprazer de "conhecer" em momentos da sua vida privada. Daquelas figuras que nos fazem deprimir sobre o facto de que, no fundo, os famosos também fazem chichi, entre outras coisas.

Mas olhando assim de esguelha, e até com um certo cuidado para não dar nenhum mau jeito ao pescoço, tentei evitar pensar que a Cinha também faz chichi, e que a Lili também faz outras coisas. Porque ali, o que interessava mesmo era ouvir falar sobre o filho bastardo do T, que afinal não é do T, mas até pode ser bastardo de um outro tipo qualquer. Importante importante, e segundo a Lili, é usar o preservativo, isso sim, algo que reduz a possibilidade de bastardos e bastardas. E isso diminui a confusão, apesar de toda a gente já saber o que é o ADN.

Valha-nos nossa Senhora a oportunidade que a televisão generalista nos dá todos os dias de irmos aprendendo umas coisas. A minha maior lição de hoje foi, depois de ver a Cinha sentada ao lado do T, na amena cavaqueira e numa de tu cá tu lá, continuar a acreditar que a integração social é possível, e que a convivência de bairros sociais e condomínios privados até pode ser uma coisa super bem.