quinta-feira, 25 de março de 2010

Primitivas, Derivadas E Outros Danos Colaterais!

Há perguntas que me começam a irritar, daquelas que já não esperam resposta e só servem para aquilo que pode ser dado como um exemplo de conversa de ervanária. Quando me perguntam com ar de Sr. Feliz e voz de Sr. Contente se "JÁ me casei", não reviro os olhos porque para artista de circo pouco mais conseguiria fazer do que estalar os dedos das mãos, algo que seria pouco para me atribuírem um nome artístico pomposo, e só não berro porque parece mal andar por aí aos gritos na praça pública, a assustar as pombas e os pardais.

Realmente, ainda não casei. Realmente, ainda não sou pai. Realmente, ainda não estrago o bronzeado do dedo anelar por causa de uma aliança. Mas sim, claro que já podia ter passado por isso tudo. Podia ter casado, podia ser pai, podia até andar, consecutivamente, em cada novo Verão, a estragar o bronzeado do dedo anelar.

Se calhar, a questão é esta. Cada vez mais me convenço que por estas bandas não mora nenhum príncipe encantado. Daqueles dos almoços de domingo, das alianças de ouro, dos papeis assinados, dos filhos por encomenda, do fato e gravata, dos CD do João Pedro Pais, da rosa no dia de S. Valentim, das férias em Albufeira, das telenovelas...

Acho que entranhei as ideias do compromisso sem assinaturas protocolares cobertas por grãos de arroz, do bronzeado saudável (o possível, pelo menos), dos Ramones e dos Joy Division, dos filhos desejados e não impostos, dos jeans pretos, das férias em Nova Iorque, dos concertos ao vivo, do cinema e do teatro...

Mas não se guiem por mim. Sou um desastre nestas coisas.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pregar Aos Peixinhos!

É aproveitar e desentupir os ouvidos!
Discos confirmados para 2010...
- Goldfrap
- Sevendust
- Godsmack
- Papa Roach
- TapRoot
- Band of Horses
- Deftones
- The National
- Hole
... e outros, assim assim.
- The Strokes
- Limp Bizkit
- Interpol
- Depeche Mode (Live)
- Arcade Fire
- Coldplay
- The Klaxons

terça-feira, 23 de março de 2010

Casa Roubada, Trancas à Porta!

Há muitos muitos anos, numa galáxia muito muito distante, ali para os lados da Venda do Pinheiro, assim como quem parece que vai às Trouxas da Malveira, mas, no final, até acaba por se arrepender com medo de estragar a silhueta para o Verão, ficámos todos a conhecer o que aqui hoje apelido carinhosamente de Irmandade dos Famosos! É que apesar da expectativa gerada, tão nobre grupo, de famosos, nada tinha de famoso para nos oferecer, acabando mesmo por se revelar nada mais do que uma espécie de gata borralheira simplória e banal, à espera que, por artes mágicas, as abóboras ganhassem vida e o mundo passasse a ser um corrupio de capas de revista e festas do jet-set.

Na altura cavaleiro desconhecido, todavia, já famoso no nome devido à inteligência nipónica que tão bem soube transformar um pequeno boneco rechonchudo e de bigode, canalizador de profissão, num verdadeiro acontecimento à escala global, Mário, de seu cognome Big Mário, de reconhecidos pergaminhos na área do espectáculo dos assaltos à mão armada, acabaria por ficar na história da irmandade como o mais novo dos famosos a ser engavetado, por mérito e em grande estilo. Valha-nos ao menos isso.

Hoje, acabo de saber que o Big Mário, na onda da visita do Papa a Portugal, em Maio próximo, está a delinear uma estratégia com vista à sua libertação antecipada, baseando a coisa num indulto extraordinário, tão habitual nestas ocasiões. Big Mário! Mas o teu advogado ainda não te disse que nossa santidade, por estes dias, anda apenas preocupada em dar a bênção sagrada a meninos que se deixaram ficar pelas sacristias, depois da hora da missa? Claro que podes sempre ligar à Teresa Guilherme e pedir-lhe que te marque uma missa de domingo, na capela da prisão, para ver se é desta que deixas de ver o sol aos quadradinhos. Que tal, interessado?

segunda-feira, 22 de março de 2010

O Império Contra-Ataca!

Sempre soube que apenas um acontecimento deveras transcendente e peculiar ou, no mínimo, inquestionavelmente aberrante ou assustador, me faria voltar, nesta altura, a misturar letras, palavras, frases e ideias. Em consciência, claro, sei que nem por um segundo, sequer, me senti incapaz para lidar com essa situação pouco confortável, por tantas e tantas vezes adiada, e por um bom par de ocasiões escondida por entre incómodas hesitações. Porém, e como em tudo na vida, nada melhor do que deixar o tempo fazer a sua parte.

Ora, neste mês de abstinência, como é natural, ávido e sequioso de vos presentear com novidades relevantes, não escondo que idealizei um regresso em grande, com a pompa e a circunstância que, na minha inocência, o momento me parecia exigir. Assim, teria de ser sempre algo parecido com o reportar o regresso do ET à terra, a utilização da foto da Maddie na próxima campanha de natal do Toys r Us, ou, algo que também consideraria interessante, a alergia crónica ao botox, diagnosticada ao neto da Cinha Jardim.

Todavia, porque as coisas nem sempre correm como nós queremos, e desculpem lá qualquer aborrecimento, enfado ou transtorno, mas tenho de vos dizer que a realidade é crua, dura e não vem servida nem com champanhe nem com papelotes de brilhantes. É que se não fosse a existência de um estúpido de um burocrata, sentado no conforto da sua cadeira de pele, de pança cheia, a respirar o belo do ar-condicionado e à espera do chá das cinco para se pôr na alheta, e ainda por cima armado em zelador da moral e dos bons costumes do Império, muito provavelmente não tinha passado estes últimos minutos a achatar as pontas dos dedos das mãos, no teclado deste computador.