quinta-feira, 10 de junho de 2010

Erros De Casting!

A mim parece-me que isto até dava para aguentar; não fosse o fado, as sardinhas, as marchas populares, a TVI, o carnaval de Sines...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Terra Gira E O Tempo Passa!

A primeira vez que ouvi falar do Clube das Virgens fiquei de imediato deliciado com o assunto. Por aqueles dias, podia até estar à espera de tudo. Ovnis a sobrevoar Lisboa a caminho do deserto do Mojave, ou um outro qualquer projecto de vivenda duplex com terraço, sem piscina, para a Cova da Moura, feito pelo engenheiro Sócrates. No entanto, com o Clube das Virgens foi diferente, pois apanhou-me de surpresa e agarrou-me sem hipótese de pestanejar. Foi uma coisa violenta e à bruta, mesmo.

Eu já tinha ouvido falar de virgens, sim. E até conhecia algumas/alguns, claro. Para não dizer que eu próprio o havia sido durante vários anos, lembrança que provocara em mim uns quantos calafrios na espinha. Então, a vontade de descarregar meia dúzia de baboseiras ao meu melhor (pior) estilo foi, por assim dizer, instintiva. Um ligeiro trabalho de investigação, um ou dois exercícios mentais de arranjo florar e pronto, o Clube das Virgens passava, por direito próprio, a fazer parte desta coisa que eu para aqui faço.

A sócia fundadora do clube foi ao Salão Erótico de Lisboa e teve direito a tratamento diferenciado (não falo desse tipo de tratamento). Com acepipes e aperitivos, provavelmente, e fotografias e entrevistas confirmadas pelos jornais e pela internet. O que sinto é que o tempo vai passando e novidades novidades nem vê-las. Ou seja, o Clube das Virgens está a sofrer de estagnação e perdeu o encanto. É sempre a mesma coisa, sempre o mesmo sorriso, sempre a mesma cara, sempre as mesmas declarações. Está a transformar-se aos poucos numa coisa geracional. Daqui a vinte anos, os miúdos de hoje vão continuar a ver a Margarida Menezes a sorrir e a dizer que ser virgem é a melhor coisa que lhe aconteceu na vida e que é bem melhor do que comer bolachas de água e sal com Tulicreme de chocolate. A mim, acho que já me anda a fazer lembrar o Avô Cantigas.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Alheira De Fumeiro!

Apetecia-me começar este post com um simples mas nobre era uma vez. Um desejo antigo em que já pensei várias vezes, mas ao qual, com muita pena minha, digo-vos, tem-me faltado o engenho para juntar argumento, suficientemente sólido, capaz de servir de fio condutor a tão inspirador inicio. Provavelmente, um era uma vez verdadeiro, um assim como deve de ser, um que fosse ao encontro das minhas mais reais expectativas, pediria daí por diante um assunto igualmente sólido e cativante. Não obrigatoriamente uma história bombástica ou excessivamente surpreendente, mas, no mínimo, algo alicerçado em matéria credível e transbordante de inegável consequência.

A dar-se o caso de não terem reparado, revelo que até hoje não escrevi vírgula que seja relacionado com o tema Bruna Real, o nosso mais recente exemplo da cultura de raízes populares. À espera do sacrifício final, este quadro vivo da pintura naif, que de forma irremediável acabará por ser dilacerado pela primazia dos clássicos, lá vai vivendo o seu sonho pessoal à sua maneira, aproveitando ao máximo o calor dos flashes das máquinas fotográficas, experimentando a efémera e excitante ilusão do fim de uma realidade corriqueira e banal. Mas por aqui me fico, e mais não digo.

Apetecia-me ter começado este post com um simples mas nobre era uma vez. Porém, a página de um jornal lembrou-me o tema Bruna Real. Feliz ou infelizmente, ainda não sei. Ora a Bruna até pode ser um conto bombástico e tudo o mais que as revistas nos queiram fazer crer, mas, por certo, nunca será História, pois pouco mais é do que um não assunto insignificante. Não obstante, cedi à tentação da Bruna Real porque li que o seu ex-namorado comentou alguns dos seus maiores desgostos. Os da Bruna, não os dele. Lá foi dizendo que ela, durante muito tempo, viu-se e desejou-se por um soutien de numeração superior. Que só pensava naquilo. Que era infeliz e não sei o quê mais.

Encaro com uma considerável dose de abominação e perplexidade todas estas pessoas que se promovem à custa dos outros, e que a troco de uns tremoços e amendoins expõem relações antigas na praça pública com o à vontade de quem conta o que comeu ao almoço ou ao jantar. Não sei se lhe hei-de chamar dor de cotovelo, imaturidade, estupidez, falta de educação ou simplesmente “ai que agora é que era, chucha no dedo ó palhaço”. Reconheço que não resisti à Bruna Real. Embora confesse que me estava a preparar para lhe fazer a folha, de alto a baixo. Salvo seja, claro. É que sei que não ia ser brando com ela. Conheço-me. E ainda por cima, ela anda a pedi-las, dia sim dia sim. Se ela quiser, que agradeça ao ex-namorado. Comigo, por agora, safa-se por entre os pingos da chuva.

domingo, 6 de junho de 2010

Casca Grossa - Diálogos Entre Dois Meninos Da Mamã [(M/18)]

Boca1- E então, foste ao piquenique?
Boca2- Estás a falar de quê?
Boca1- Estou a falar de quê? Do piquenique, pá! O piquenique do Tony Carreira!
Boca2- Mas esse gajo não é cantor?
Boca1- É, e qual é o problema? O tipo fez um piquenique com mais de cem mil pessoas.
Boca2- Não gosto de piqueniques.
Boca1- Eh pá, lá estás tu. Mas não gostas de piqueniques porquê?
Boca2- Detesto formigas.
Boca1- Mas quais formigas? Ali não havia formigas nenhumas.
Boca2- Como é que tu sabes se havia ou não, estiveste lá?
Boca1- Quer dizer, estar estar não estive, mas tenho a certeza que ali para o Parque Eduardo VII não há formigas, assim como as há no campo.
Boca2- Pior ainda, há pombos que comem milho barrado em vaselina.

sábado, 5 de junho de 2010

Pescadinhas De Rabo Na Boca!

Se gostarem tanto de concertos ao vivo quanto eu (nem é necessário serem viciados, como eu sou), e se acreditam piamente que a música ao vivo é algo que vos está entranhado no corpo, correndo-vos pelas veias de alto abaixo, então, estou mais do que certo que perceberão esta próxima amálgama de considerandos. Sempre ouvi falar dos Pink Floyd como sendo uma das bandas mais criativas e pioneiras das últimas décadas. E compreendi isso na pré-adolescência e adolescência, quando me ofereceram umas cassetes (sim, K7). Ainda hoje tenho remorsos de os ter perdido quando tive a oportunidade, em Alvalade. Ouvi-los “berrar” debaixo de uma colossal tempestade de luzes e de lasers psicadélicos. Fui estúpido, bem sei. Mas a carteira não era minha, e tenho isso, pessoalmente, como uma desculpa aceitável e como factor atenuante.

Roger Waters, tal qual lêndea e piolho em volta de cabelo cheiroso e asseado, é o nome que não deixa (e nem pode, justiça seja feita) de estar associado aos Floyd. E só é pena que, aos poucos, se tenha transformado numa prima-dona de porcelana, com um ego maior do que o planeta, transformado no género de pessoa que acaba por passar o resto da vida a tentar enfiar, à cabeçada, um elefante dentro de um mini. Mas vai voltar aos espectáculos em Portugal. Uma imensa tournée mundial. E na certa será acompanhado por uma parafernália de material e por megalómanas encenações. Quanto ao concerto? Quanto à música? Noventa e cinco por cento será Pink Floyd, Pink Floyd, Pink Floyd, Pink Floyd…E não duvidem!

Nunca simpatizei com as compilações, e muito menos com as denominadas carreiras a solo de todos quantos se escapam das respectivas bandas, após um primeiro sinal de sucesso massificado e unânime. Sempre quis distância dessas carreiras a solo baseadas em direitos de autor de reportório antigo. E é, talvez, por isso que já tenho bilhetes para os Limp Bizkit e para os Interpol. É que por minha vontade Mr. Roger Waters pode mas é ir dar banho ao cão. Mas isto sou eu a dizer, que sou mau e ruim como as cobras, e não percebo nada disto dos concertos. Certo é que, nessa noite, para chatear, vou mas é ficar em casa, todo esparramadinho no sofá, e refastelado ao máximo a ouvir “The Delicate Sound of Thunder”, claro está, dos Pink Floyd.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O Sentido Das Coisas!

Algures pelos anos oitenta, dois mil anos depois de alguém o ter inventado lá para os lados da Grécia, foi mais do que natural ter-me deixado levar pela moda do “yo-yo”. Como não poderia deixar de ser, à semelhança de todos os meus amigos, aprendi a fazer a ponte, a estrela e o satélite. Manobras com o sentido possível a fazerem desafiar a imaginação e a habilidade individual de cada um.

À época, Nova Iorque ia bem mais para além do que, simplesmente, a cidade que nunca dorme e, em simultâneo, nas ruas, fervilhava de dinamismo, envolta num manto colorido de grafites rebeldes, ao som irreverente do Breakdance. O sentido de uma atitude alternativa. Anos dos yuppies, evolução natural dos hippies, viciados no lucro e não nas causas nobres. Um novo sentido. Anos da consagração doItálico Cubo de Rubik. O sentido da lógica e da cor.

Dentro de uma semana estaremos submersos nas notícias do campeonato do mundo de futebol. E dizem que somos bons e que por isso, desta vez, queremos experimentar o sabor da glória. Dar sentido ao investimento e às expectativas. E querem que ponhamos as beiças num tubo de plástico, a lembrar uma corneta, por onde devemos soprar todo o ar que tivermos nos pulmões. E fazer barulho, fazer muito barulho, o maior estardalhaço que conseguirmos, sem vergonha e com convicção. Ou seja, sem o menor pingo de sentido…

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Canções De Embalar!

Podem já ter passado uns quantos dias, e até o Ronaldo já ter descoberto que o Pacto de Varsóvia, afinal, é coisa do passado (coitadinha da Dona Dolores), todavia, ignorar a reunião da arte da música festivaleira do Sábado passado seria estar a renegar a uma forma de entretenimento capaz de ser um descanso para a alma e um conforto para o corpo.

Para mim, o Festival da Eurovisão foi sempre um mundo de sentimentos amplamente contraditórios, uma imensa maratona sinfónica sofrível, apenas suportada através de uma estratégia tripartida de técnicas de motivação. Dito isto, ignorar até à exaustão as canções dos outros países, acreditar de forma mediana que a nossa representação (naquele ano) poderia atingir o pódio e, por fim, vibrar com o período da votação e da consequente atribuição da pontuação sempre me pareceu o método ideal para substituir o transe provocado por uma injecção de morfina.

Ou seja, no fundo no fundo, a abordagem ao evento sempre passou por, basicamente, abstrair-me da parte artística e apostar, directamente, na parte do negócio ou, estupidamente, talvez, transformar aquele conjunto de música celestial num jogo do bingo à escala internacional.

Mais uma vez, este ano, ainda que por mero acaso, ignorei, por exemplo, os alemães a cantar em inglês (uma forma de influenciar os britânicos a aderir ao Euro???), acreditei moderadamente que tínhamos uma canção capaz de fazer história (apesar de não ter chegado a assistir à performance lusa, retido que fiquei na casa de banho por mais tempo do que estava à espera) e diverti-me à grande, mas mesmo à grande, com o período da votação final (os russos a votar nos ucranianos, os ucranianos a votar nos russos, os croatas a votar nos sérvios, os sérvios a votar nos croatas, os dinamarqueses a votar nos suecos, os suecos a votar nos dinamarqueses…).

Com tanta honestidade, e no meio de tanta luz e cor e espectáculo, ficou-me na memória a frase mais repetida da noite pelo locutor da RTP, a convincente…”nada para Portugal”. Ora, com provas destas, nada como me render à evidência e por isso dizer a pulmões cheios, e em inglês, claro…”Festival Forever!”.