quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Quantum Leap?

Por esta altura, se há coisa que sinto é uma sensação estranha de que estou a chegar ao fundo de alguma coisa. Pois, eu sei, é muito estranho. E ando assim desde o início de Dezembro, sem fazer a mínima ideia da razão, e ávido de encontrar uma explicação lógica que justifique este desarranjo mental.
Parece que sinto o peso de alguma coisa em cima de mim. Montes de coisas. Tralha e mais tralha. E como se este peso nas costas não fosse já suficientemente cansativo, é quase como se estivesse no "Pulo do Lobo", perto de Mértola, e ainda tivesse de arranjar forças para saltar para o lado de lá, sem cair à água...(mas para onde?)

Conforta-me, todavia, o facto de saber que isto não é novidade nenhuma. Que todos os anos é igual. Para mais, parece-me que daqui a bem pouco voltarei a ficar no topo de outra coisa qualquer, mesmo que, também, não saiba bem o que isso é. No topo e do outro lado (o que quer dizer que consegui saltar, sem cair à água).

O tempo...essa ideia abstracta que o Homem teve de objectivar e de controlar a todo o custo (como tudo o resto, diga-se). É, isto de se terem inventado números, e de se terem inventado segundos, e minutos, e horas, e dias, e semanas, e meses, e anos, e séculos tem muito que se lhe diga.

E depois inventou-se o champanhe, transformaram-se uvas em passas, construiram-se os hotéis de luxo...

Será que amanhã isto vai estar assim tão diferente?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

OS SALDOS!


Não dou o alerta porque, obviamente, não há alminha nenhuma que ainda não tenha reparado que os Saldos andam aí.


Antes que a coisa se esfume, e perca o interesse, aí vão dez coisas, em resumo, que me chateiam na época dos Saldos:


1. Constatar que fui "roubado" nas compras que fiz antes de os saldos começarem.

2. Ficar parado no trânsito dentro de uma garagem.

3. Ser atropelado por velhotas de olhar furioso que não olham a meios para pagarem primeiro.

4. Olharem para mim como se eu fosse um inimigo a abater, no meio de uma guerra.

5. Constatar que aquele tal artigo que tanto quero não está em saldo.

6. Ser acotovelado de dois em dois metros.

7. Ser pisado de metro a metro.

8. Sentir-me tentado a acreditar que os saldos fazem esquecer os problemas.

9. Ficar com aquela sensação que estou rodeado de "Zombies" sempre que entro numa loja.

10. Ficar com aquela sensação que eu próprio estou num estado "Zombie".

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Morrer a 25 de Dezembro!



Há tipos assim, uns felizardos!


Ninguém escolhe o dia em que nasce. E muito menos se escolhe o dia em que se morre (de forma natural, entenda-se).

Hoje, faleceu o dramaturgo britânico, Prémio Nobel da Literatura em 2005, Harold Pinter. Junta-se, pois, a uma restrita casta de notáveis falecidos neste dia de tão carregado simbolismo; Charles Chaplin (1977), Joan Miró (1983), Monica Dickens (1992), Dean Martin (1995), James Brown (2006) - e, claro, a um incontável número de cidadãos anónimos que por todo o mundo não chegaram ao fim do respectivo dia de Natal.
Morrer a 25 de Dezembro não é para todos. É tão poético que parece até que não se morre.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Vira o disco e toca o mesmo!





Não são novidade por esta altura do ano!

Ele são Best Of, Antologias, The Singles, B-Sides and Raraties, Greatest Hits, The Hits... enfim, tudo aquilo que já conhecemos mas onde, irracionalmente, podemos sempre vir a gastar mais alguns euros.

Considero que este tipo de produto é um desencaminhamento deliberado das editoras ao nosso equilíbrio orçamental. Um enlatado para os desatentos. Uma tentação para os incondicionais. Uma saída fácil para uma prenda comprada no dia 24, a caminho do jantar da consoada.

Por norma não me deixo tentar. Resisto! Especialmente quando possuo a integra dos trabalhos que originaram tal compilação. Ainda assim, não lhes sou, totalmente, imune. Sei disso, porque, também eu já cedi.

Ponto de honra é mesmo resistir à tentação sendo um incondicional. Por outro lado, se andei desatento não há nada a fazer. E aí, então, admito-o!

Vamos ver como será este ano antes de ir para a consoada...é que às vezes sinto-me mesmo um fraco...

(o exemplo acima apresentado até é daqueles que, mesmo sendo um incondicional, me apetece fraquejar de forma deliberada)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Ouvir sem desistir!


Calma, digo eu! Aconteceu o mesmo com Sam's Town.
De cada vez que vou à Fnac lá vou directo aos auscultadores do ponto de escuta onde se vai mostrando o terceiro disco dos The Killers.
Mas não, ainda não foi desta...
Vou continuar a ouvir e, por agora, sem desistir...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Blood Red Shoes!

Continuamos a sofrer dos males do excesso de "ocidentalização".
Tenho andado a correr as Fnac à procura deste Box of Secrets dos Blood Red Shoes...e nunca mais.
Não há por aí um Pai Natal que seja mais perspicaz do que eu e que esteja a pensar fazer a viagem via Londres?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sons para 2009

A fixar!


14 de Maio de 2009, Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Chuck Wallberg (IV)

Em duas décadas a terra rodopiou ao seu ritmo normal. As casas cresceram em direcção ao céu e a sensação de distância deixou de fazer sentido. Em pouco tempo escreveram-se regras e princípios; leis, decretos, missivas. E fizeram-se eleições. A ordem voltou às ruas. As fronteiras voltaram a fazer sentido.

O raiar da aurora voltou a marcar o nascer de um novo dia. O reboliço. A confusão...A rotina. Voltou a ouvir-se conversar nas esquinas. Voltaram os sorrisos, a simpatia. As pessoas voltaram a ser pessoas.

Esperança. Sim, esperança. A palavra que define o estado de espírito de uma geração que levou anos a viver em permanente agonia. Em constante sobressalto. Sonhos? Tiveram-nos como qualquer geração. E ideais, sim. Utopias, óbvio. Especialmente utopias. Quem as não tem? Acredita-se que, no fim da linha, se pode. Tudo se pode. Tudo é possível. Até mesmo renascer das cinzas. Fazer o possível e o impossível para voltar a respirar o ar puro. Caminhar pelo túnel dentro em direcção ao clarão que ofusca e fere os olhos. No fim da linha acredita-se. Acredita-se que a luz está lá. Mas qualquer coisa mais. Porque é isso que se deseja sempre. Algo mais. E tinham conseguido.

E aquela rua nunca estivera tão serena, tão perfeita, tão limpa, tão simetricamente ordenada, tão milimetricamente espaçada de jardim a jardim, de porta a porta. A mesma rua que Chuck encontrou, vinte anos depois. A mesma rua de onde partira sem qualquer tipo de remorso. Pareceu-lhe outra mas, no intimo, sabia que tinha sido ali que, à sua maneira, se tinha tornado homem .

Continuou, rua abaixo, sem fazer qualquer esforço para reprimir aquela avalanche de energia que se lhe apoderava da mente. Sabia ao que vinha. Inundou os pulmões com o fumo de uma última baforada do seu cigarro e sem qualquer tipo de preocupação largou no chão uma pequena mortalha ainda incandescente. A nuvem de fumo voou ao sabor da aragem, suave e constante. O cheiro do tabaco estava agora à entrada de todas as portas do bairro, pronta a entrar...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Valerá a pena ter Fé?


Prometi a mim mesmo que não deixaria acabar o ano sem escrever meia dúzia de frases sobre os "Faith No More". E antes que me esqueça...
Há 10 anos os FNM "desligaram-se" do mundo, curiosamente, após dois concertos em Portugal. Agora, correm rumores de que uma possível reunião e consequente digressão possam estar para se concretizar no inicio de 2009, algo que seria uma dádiva e uma prova de que "Acreditar", mais cedo ou mais tarde, produz os seus frutos.
Tenhamos fé... Eu já comecei a fazer figas!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Chuck Wallberg (III)

Não demorou muito até o cheiro se alastrar pela rua. A peste, encapotada de carne em decomposição.
Descobriram os corpos num sábado de manhã. Por acaso. Era raro alguém passar ali, tão perto da porta. Aconteceu nesse dia, por acaso. A princípio foi um choque. Quem haveria de acreditar que pudessem haver crianças assim. E que outra hipótese mais haveria a considerar? Demónios, disseram muitos. Encarnações do próprio Diabo.
Foi um trauma para quem entrou na casa. Uma imagem que nenhum deles jamais iria esquecer. Conseguiriam ainda dormir a partir daquele momento? Diz-se que os corpos estavam sentados à mesa. Mas a visão era mais penosa do que isso. Por que raio haveria ele de os ter decapitado? E onde foi ele buscar coragem para fazer tal monstruosidade?
Chovia copiosamente quando retiraram os corpos de casa e os "arrumaram" nas traseiras de uma carripana a cair de podre. Está um caos este mundo, alguém disse, no meio da multidão que já dispersava. Um caos, sem dúvida, concordou a voz doce, terna e cristalina de uma criança que por ali se encontrava a brincar com uma bola de borracha vermelha. Mas não tão cristalina quanto o olhar, que brilhava, como sempre...

Ideias para um Coliseu em 2009


The Killers!


Bloc Party!



PJ Harvey!



The Strokes!

She Wants Revenge!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Livros - ADAPTAÇÕES - Filmes



Hoje decidi juntar o útil ao agradável!

Gosto de livros. Gosto de filmes. Portanto, pensei fazer um "mix" e juntar estes dois prazeres.

A abordagem é simples e intuitiva. Fácil. Como convém.

Os livros e os filmes fazem-se de histórias. Umas reais, outras nem tanto. Mas que sejam boas, de preferência!Ao longo destes primeiros anos tenho lido e visto umas quantas. Conto ler e ver muitas mais. Haja tempo para tal. E já agora, saúde, também (cliché, eu sei) !

Uma boa história faz-me bem. Seja ela lida num livro ou vista no cinema. Tanto me faz. Por via das dúvidas, prefiro as duas maneiras. É no aproveitar que está o ganho.Fico na expectativa quando surgem adaptações de livros ao cinema. Não são fáceis! Acredito!Mas já tive boas surpresas. E já tive algumas desilusões. Normal!

Está para chegar "A Estrada", adaptação do livro de Cormac McCarthy. Vamos ver o que aí vem...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Fraquezas de Natal!

E não estivéssemos em época natalícia...


Como todos e cada um de nós, também eu tenho as minhas fraquezas.

Sim, a carne é fraca e claro, a mente está ávida de novos prazeres.


Eis a minha tentação do momento, substituir o meu actual Toshiba por um "mano" mais modernaço com igual pedigree.


Por favor, não me falem em crise que fico envergonhado...




terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Visões de Natal (II)



E por fim, chegaram!


Calma, sei que não chegaram só agora, à hora a que escrevo. Sou distraído mas não tanto. Aliás, em alguns centros comerciais de Lisboa já cá estão desde o final de Outubro (???). E acreditem que foi difícil não reparar nelas.


Quer queiramos quer não as luzes de natal fascinam-nos. E a verdade é que não lhes conseguimos resistir. Ficamos embasbacados a olhar e a querer olhar; vezes e vezes sem conta.

Que interessa que sejam um atentado aos recursos energéticos? Que interessa quem paga a factura da electricidade? Que interessa que, especialmente a partir das 19:00, em Lisboa (exemplo), as ruas fiquem às moscas e ninguém repare se estão acesas ou não?


Nada! Nada disso interessa! Queremos as luzes de Natal! Eu quero as luzes de Natal!


O que acho escusado é, à boa maneira portuguesa, querermos sempre dizer que lá na nossa terrinha temos a maior árvore de natal da Europa, o maior pai natal do mundo, a lâmpada florescente mais brilhante do universo, a rena mais peluda da galáxia...

É isso que nos faz pequeninos.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Chuck Wallberg (II)

Apesar de tudo, o simples facto de estarem ali todos juntos, sentados, fazia-os sentirem-se bem; crentes, descontraídos e confiantes.

À data dos acontecimentos que vos irei descrever, Chuck Wallberg era ainda uma criança inocente, uma criança para a qual a maldade do Homem não existia. Aliás, para quem não existia qualquer tipo de maldade. Normal, bem vistas as coisas, numa criança de seis anos. De facto, aos olhos brilhantes de Chuck tudo era perfeito. Deslumbrava-se com pouco. Tudo era motivo para um rasgado e sentido sorriso. Por vezes, o pai pegava nele ao colo e num movimento único erguia-o pelos pés, em direcção ao céu. E nestas alturas Chuck sentia-se como se conseguisse tocar nas nuvens. Sentia-se especial, diferente, forte; com uma força interior imperceptível a não ser para ele próprio.


Mas voltando ao inicio, não querendo adiantar-me...


Naquela noite sentaram-se à mesa com o objectivo de decidirem o que fazer daí em diante. A luz da candeia iluminava-lhes os rostos, num tom laranja que serpenteava de forma incontrolável. E aquecia-os, também. O azeite, estava já a menos de um terço. Sabiam que não conseguiriam arranjar mais antes de o dia nascer. Era, pois, preferível irem directos ao assunto. Sempre falavam olhos nos olhos. Porque depois não lhes restava outro remédio se não irem deitar-se. Irem dormir. Ou pelo menos tentar. Descansar, vá.

No topo, George Wallberg, homem robusto e de físico compacto, aparentava um semblante pesado e pensativo. Provavelmente ressentia-se do peso da responsabilidade. Um por um olhou para os filhos, que o rodeavam à volta da mesa. Anne, a mais velha, estava sentada ao seu lado direito com a sua habitual altivez que inspirava segurança. Mãos e dedos entrelaçados em cima do tampo da mesa. Como se estivesse a orar. Costas muito direitas. Elizbeth, a segunda mais velha, com uma diferença de quatro anos para Anne, em breve a fazer vinte anos, estava sentada do lado esquerdo de George. Os olhos de Elizbeth aparentavam um estado de espírito totalmente diferente do de Anne. Vislumbrava-se-lhe tristeza no olhar. Uma certa dose de temor. "Saio à mãe", costumava dizer. "Sou uma fraca".
Sabiam que o assunto era delicado. Uma decisão, fosse ela qual fosse, implicaria uma mudança na vida de todos. Estava apenas em causa saber-se o que, realmente, cada um deles estava disposto a fazer para mudar o estado das coisas. No outro topo da mesa, expectante, Chuck observava o pai e as irmãs. Parecia embrenhado num estado de apatia mas, em segredo, observava-os ao pormenor. O pai olhou-o nos olhos e ele, impassível, sem se mexer, limitou-se a esboçar um ténue sorriso. "Deve achar que sou um rato", pensou George, tentando ler os olhos do filho, mas esbarrando numa parede de um brilho impenetrável.
Haveria de o compreender um dia, em definitivo...