Por esta altura, se há coisa que sinto é uma sensação estranha de que estou a chegar ao fundo de alguma coisa. Pois, eu sei, é muito estranho. E ando assim desde o início de Dezembro, sem fazer a mínima ideia da razão, e ávido de encontrar uma explicação lógica que justifique este desarranjo mental.
Parece que sinto o peso de alguma coisa em cima de mim. Montes de coisas. Tralha e mais tralha. E como se este peso nas costas não fosse já suficientemente cansativo, é quase como se estivesse no "Pulo do Lobo", perto de Mértola, e ainda tivesse de arranjar forças para saltar para o lado de lá, sem cair à água...(mas para onde?)
Conforta-me, todavia, o facto de saber que isto não é novidade nenhuma. Que todos os anos é igual. Para mais, parece-me que daqui a bem pouco voltarei a ficar no topo de outra coisa qualquer, mesmo que, também, não saiba bem o que isso é. No topo e do outro lado (o que quer dizer que consegui saltar, sem cair à água).
O tempo...essa ideia abstracta que o Homem teve de objectivar e de controlar a todo o custo (como tudo o resto, diga-se). É, isto de se terem inventado números, e de se terem inventado segundos, e minutos, e horas, e dias, e semanas, e meses, e anos, e séculos tem muito que se lhe diga.
E depois inventou-se o champanhe, transformaram-se uvas em passas, construiram-se os hotéis de luxo...
Será que amanhã isto vai estar assim tão diferente?













