
O meu fiel advogado, que acompanha a nossa família, da parte do pai, há décadas, disse-me que isso de ter estabelecido com ele uma relação financeira de 6€ para rever os pormenores da herança foi uma brincadeira de muito mau gosto. Quando lhe tentei explicar que não passava disso mesmo, de uma brincadeira, intrigado, disse-me que estava a ficar careca e a precisar de óculos e farto de aturar meninos da mamã como eu, martírio que, de acordo com as palavras dele, é bem pior do que aturar ciganos do rendimento mínimo, apanhados em flagrante delito, a vender droga dissimulada em cuecas da Hugo Boss.
Como me pareceu realmente chateado, para o tentar animar, voltei à carga e aconselhei-o a abrir uma conta nas Berlengas, porque lá é calmo e não há ciganos, e a probabilidade de os jornalistas do TVI 24 lá irem meter o bedelho é muito reduzida, nomeadamente no Inverno, em que as vagas chegam a atingir os 5 metros de altura. O que vale é que eu sei que o meu advogado não me vai abandonar. Ele diz que detesta casos de partilhas mas pronto, como é para mim, até vai fazer um esforço. Para além do mais, ele sabe o quanto a colecção de boiões de iogurte da minha avó é importante.
Coitadinho do meu avô, que não emigrou para o Brasil, quando teve a oportunidade.


- 
-
- 




