Já deve ter dado para perceber que eu gosto de histórias. De as ler, que mas contem, de as escrever, de as contar. É assim uma coisa incontornável e com a qual me identifico. E é talvez por isso, também, que me lembrei, há pouco, da primeira vez que ouvi a história de Aladino e o Génio da Lâmpada Mágica. Uma história simples, empolgante, geradora de boa disposição e serenidade; e o mal, sempre o mal, lá no fundo, disfarçado. Da trama, agradou-me a ideia do pedido dos desejos e, especialmente, a ilusão de que, escolhendo bem, estes podem ser concretizados. O que dá jeito e faz todo o sentido.O meu avô, minifundiário numa terra lá para os lados das Beiras, sempre falou das vinhas com paixão. Das vinhas e do vinho, claro. Por isso planeou toda uma vida sempre de acordo com o calendário das Vindimas, e numa perspectiva similar, da apanha da azeitona. E tudo sempre gerou à volta disso. Inclusive as minhas férias de Verão e de Natal. Das uvas lembro-me que eram doces. Não me lembra o vinho pois na altura ainda era refém dos refrigerantes. E muita uva se apanhou, muitos anos de vindimas se passaram.
Para mim, associar os desejos às uvas é uma ciência oculta e ainda em estado de verdadeira obscuridade. Ainda por cima quando se trata de emparelhar doze desejos que materializam a esperança e perspectivam uma ideia de um futuro melhor, a doze uvas enrugadas e em registo de terceira idade, em fase terminal. Eu peço desejos todos os dias e doze não me chegam de maneira nenhuma. Acredito que quantos mais pedir, maior a probabilidade de, pelo menos alguns, se virem a concretizar. Como prefiro as uvas frescas, acabadas de cortar da videira, também não fico pior se comer doze amendoins, doze nozes ou doze cajus. E como para me embebedar nem preciso do champanhe, porque quando me quero embebedar embebedo-me à grande, nem que para isso tenha de beber cinco litros de água do luso de penálti, se calhar o melhor mesmo é não tentar compreender demasiado o porquê das coisas. E já agora, se calhar, até não faz mal nenhum fazer de conta que já chegámos ao Carnaval.
4 comentários:
Cat,
verdade, e é um bom pensamento, esse. Os Stones são tramados de bons :)
Ks
Prefiro bater com tampas de alumínio, enquanto me ergo sobre uma cadeira de baloiço, tentando um equilíbrio difícil, mas não impossível.
Tal como os cupcakes são feitos de plasticina, as passas fazem-me sempre lembrar testículos de hamster curtidos ao sol.
Este ânus optámos por engolir doze nacos de bife do lombo, nas doze badaladas ;)
Pois que essa questão do pedir desejos por cada fruto seco que se come (passas, sultanas, cajus, nozes e afins) para mim tem os dias contados...ou seja, este ano só para ser diferente vou concentrar todos os desejos, os mais profundos, os mais sentidos, os mais emergentes de serem concretizados num só fruto seco! Vou engoli-lo com vontade...ups, isto também não fica bem a uma lady, dizê-lo... mas o que é certo é que vou. E garanto-te que se só houver uvas frescas, ainda que não colhidas no minuto, vou lembrar-me de ti e deste post genial.
Beijo 2011 é que "é o tal" ;)
Ana,
em tempos também já tive esse lado de baterista dos Marretas, que agora, bem vistas as coisas, até dava para fazer a folha a muitos ratos. Cuidado é com o colestrol, mas à parte disso, uns excertos do lombo parecem-me perfeitos :)
Catarina,
concentra o fruto mas não concentres os desejos, claro. Desses, pede sempre muitos :)
Ks
Enviar um comentário