Há perguntas que me começam a irritar, daquelas que já não esperam resposta e só servem para aquilo que pode ser dado como um exemplo de conversa de ervanária. Quando me perguntam com ar de Sr. Feliz e voz de Sr. Contente se "JÁ me casei", não reviro os olhos porque para artista de circo pouco mais conseguiria fazer do que estalar os dedos das mãos, algo que seria pouco para me atribuírem um nome artístico pomposo, e só não berro porque parece mal andar por aí aos gritos na praça pública, a assustar as pombas e os pardais.Realmente, ainda não casei. Realmente, ainda não sou pai. Realmente, ainda não estrago o bronzeado do dedo anelar por causa de uma aliança. Mas sim, claro que já podia ter passado por isso tudo. Podia ter casado, podia ser pai, podia até andar, consecutivamente, em cada novo Verão, a estragar o bronzeado do dedo anelar.
Se calhar, a questão é esta. Cada vez mais me convenço que por estas bandas não mora nenhum príncipe encantado. Daqueles dos almoços de domingo, das alianças de ouro, dos papeis assinados, dos filhos por encomenda, do fato e gravata, dos CD do João Pedro Pais, da rosa no dia de S. Valentim, das férias em Albufeira, das telenovelas...
Acho que entranhei as ideias do compromisso sem assinaturas protocolares cobertas por grãos de arroz, do bronzeado saudável (o possível, pelo menos), dos Ramones e dos Joy Division, dos filhos desejados e não impostos, dos jeans pretos, das férias em Nova Iorque, dos concertos ao vivo, do cinema e do teatro...
Mas não se guiem por mim. Sou um desastre nestas coisas.















