terça-feira, 11 de maio de 2010

Ainda Sobre O Mesmo Assunto!

Clarifico que o objectivo do título deste post não é o de vos baralhar ou muito menos o de vos obrigar a irem vasculhar as mais recônditas memórias deste blog, espalhadas pelos meses anteriores. Sei perfeitamente que há por aí quem nos seus blogs gosta de fazer aquilo a que chamo “enrolar o croquete”, versão melhorada de um “fazer render o peixe”, técnica apreciada pelos fervorosos adeptos das telenovelas mexicanas e vício predilecto de quem se rege pelo lema de vida “não fodo, nem deixo foder”. Todavia, para vosso completo descanso, revelo que não agirei com tal comportamento biltre e repulsivo.

Na verdade, ainda assim e como sempre, também hoje não possuo qualquer assunto aprazível ou digno de registo, um que possa ser do vosso total interesse e capaz de vir a suscitar frenesim ou amena discussão, alvo de comentários nos próximos minutos, horas, dias ou semanas.

Acabo apenas de descobrir que o Infarmed, prestigiada instituição reguladora das drogas legais, fez saber ao público que andam por aí lotes de preservativos falsos. Ora à falta de coisa com maior e melhor sentido de profundidade, revelo apenas as últimas sobre o assunto em epígrafe:

Então, para que não se deixem enganar, aqui fica alguma informação generalista. Um preservativo falso é aquele que…

- É hiper-sensível ao hélio, tem várias cores e vende-se nas feiras, nas bancas de algodão doce.
- As companhias aéreas low-cost oferecem aos clientes como recipiente de vómito.
- É amarelo ou cor-de-rosa, pode ser usado por cinco vezes e dá imenso jeito quando se quer preservar o verniz das unhas e reduzir a conta da electricidade, amiga da máquina de lavar loiça.
- Cheira a salpicão, farinheira, morcela ou outros arraçados.
- Não diz a letras negras garrafais “O Preservativo Mata” mas esconde no fundo da embalagem uma pequena inscrição a dizer “Made in Vatican”.

domingo, 9 de maio de 2010

CAMPEÕES!


sábado, 8 de maio de 2010

Glória A Deus Nas Alturas!

Aguardamos empolgados a chegada do Sr. de Branco. Um dia que tão bem sabemos será uma excitação, e histeria também. Vamos ter caças e fragatas e mísseis e atiradores especiais. Tudo para zelar pela segurança do Sr. de Branco. Mas para quê tanto alarido quando quem aqui está em causa, o Sr. de Branco, tem toda uma armada de protecção divina à sua volta? Ou será que não tem? Teremos ainda estradas cortadas e transportes públicos condicionados. Mas eu cá lembro o que aconteceu ao Sr. Berlusconi. Porque “um das caldas” bem atirado, com a devida pontaria, pode muito bem ser três vezes mais letal que uma qualquer replica da catedral de Milão.

Apesar dos milhões de prejuízo o país vai andar a meio gás nos próximos dias. Ele vão ser tolerâncias de ponto como der mais jeito, feriados a gosto e dispensas à grande e à francesa. O que vai ser útil a muita gente. Para meditar, para rezar, para pensar na sua própria fé. Não? Interrogo-me como vamos conseguir emprestar tantos milhões à Grécia, com esta imensa onda activa de produtividade nacional. Ou se calhar já pedimos emprestado e eu é que ainda não sei. E oferecer o emprestado está na moda nos dias que correm.

Mas pronto, apesar de tudo, venham de lá esses ossos, Sr de Branco. É que como diz a música, quem sabe se não nos encontraremos lá pela Cova da Iria, ou por uma outra esquina qualquer nas redondezas.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

No Aproveitar É Que Está O Ganho!

Sei que sou daqueles perfeitos idiotas que nunca, por mais que o quisesse fazer, conseguiria escrever palavra que fosse sobre o Amor. Não sei explicar a razão, apenas sei que, aqui por dentro, os processos atrapalham-se e as solucões resultam sempre confusas e desordenadas quando tento escrever sobre isso de que tanta gente fala, e que continuamente me tem vindo a passar ao lado.

Gostava de saber escolher as palavras certas. Arranjar a combinação perfeita capaz de gerar a mais bela das emoções. Pensar no assunto e pronto, de uma assentada, de forma inata, como um instinto, dar vida a um conjunto de ideias claras e arrebatadoras. Mas talvez eu seja apenas mais um tipo que vagueia sem perceber a profundidade das relações amorosas. Simplesmente incapaz de perceber a sua importância ou sequer entender o significado que podem ter na vida das pessoas.

Talvez um dia consiga escrever uma dessas belas e fabulosas histórias repletas de romantismo. Daquelas em que a idade é apenas uma estrela no universo, onde a beleza nada mais é do que uma percepção, em que não há interesses escondidos, agendas privadas, segundas intenções. Mas estou cego, empedernido, insensível, abstraído, desligado, ausente. Por agora, vejo-me chegado a um beco sem saída, onde o mais inspirado a que consigo chegar resume-se a um empírico e popularucho...o amor é lindo.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Primitivas, Derivadas E Outros Danos Colaterais!

Há perguntas que me começam a irritar, daquelas que já não esperam resposta e só servem para aquilo que pode ser dado como um exemplo de conversa de ervanária. Quando me perguntam com ar de Sr. Feliz e voz de Sr. Contente se "JÁ me casei", não reviro os olhos porque para artista de circo pouco mais conseguiria fazer do que estalar os dedos das mãos, algo que seria pouco para me atribuírem um nome artístico pomposo, e só não berro porque parece mal andar por aí aos gritos na praça pública, a assustar as pombas e os pardais.

Realmente, ainda não casei. Realmente, ainda não sou pai. Realmente, ainda não estrago o bronzeado do dedo anelar por causa de uma aliança. Mas sim, claro que já podia ter passado por isso tudo. Podia ter casado, podia ser pai, podia até andar, consecutivamente, em cada novo Verão, a estragar o bronzeado do dedo anelar.

Se calhar, a questão é esta. Cada vez mais me convenço que por estas bandas não mora nenhum príncipe encantado. Daqueles dos almoços de domingo, das alianças de ouro, dos papeis assinados, dos filhos por encomenda, do fato e gravata, dos CD do João Pedro Pais, da rosa no dia de S. Valentim, das férias em Albufeira, das telenovelas...

Acho que entranhei as ideias do compromisso sem assinaturas protocolares cobertas por grãos de arroz, do bronzeado saudável (o possível, pelo menos), dos Ramones e dos Joy Division, dos filhos desejados e não impostos, dos jeans pretos, das férias em Nova Iorque, dos concertos ao vivo, do cinema e do teatro...

Mas não se guiem por mim. Sou um desastre nestas coisas.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pregar Aos Peixinhos!

É aproveitar e desentupir os ouvidos!
Discos confirmados para 2010...
- Goldfrap
- Sevendust
- Godsmack
- Papa Roach
- TapRoot
- Band of Horses
- Deftones
- The National
- Hole
... e outros, assim assim.
- The Strokes
- Limp Bizkit
- Interpol
- Depeche Mode (Live)
- Arcade Fire
- Coldplay
- The Klaxons

terça-feira, 23 de março de 2010

Casa Roubada, Trancas à Porta!

Há muitos muitos anos, numa galáxia muito muito distante, ali para os lados da Venda do Pinheiro, assim como quem parece que vai às Trouxas da Malveira, mas, no final, até acaba por se arrepender com medo de estragar a silhueta para o Verão, ficámos todos a conhecer o que aqui hoje apelido carinhosamente de Irmandade dos Famosos! É que apesar da expectativa gerada, tão nobre grupo, de famosos, nada tinha de famoso para nos oferecer, acabando mesmo por se revelar nada mais do que uma espécie de gata borralheira simplória e banal, à espera que, por artes mágicas, as abóboras ganhassem vida e o mundo passasse a ser um corrupio de capas de revista e festas do jet-set.

Na altura cavaleiro desconhecido, todavia, já famoso no nome devido à inteligência nipónica que tão bem soube transformar um pequeno boneco rechonchudo e de bigode, canalizador de profissão, num verdadeiro acontecimento à escala global, Mário, de seu cognome Big Mário, de reconhecidos pergaminhos na área do espectáculo dos assaltos à mão armada, acabaria por ficar na história da irmandade como o mais novo dos famosos a ser engavetado, por mérito e em grande estilo. Valha-nos ao menos isso.

Hoje, acabo de saber que o Big Mário, na onda da visita do Papa a Portugal, em Maio próximo, está a delinear uma estratégia com vista à sua libertação antecipada, baseando a coisa num indulto extraordinário, tão habitual nestas ocasiões. Big Mário! Mas o teu advogado ainda não te disse que nossa santidade, por estes dias, anda apenas preocupada em dar a bênção sagrada a meninos que se deixaram ficar pelas sacristias, depois da hora da missa? Claro que podes sempre ligar à Teresa Guilherme e pedir-lhe que te marque uma missa de domingo, na capela da prisão, para ver se é desta que deixas de ver o sol aos quadradinhos. Que tal, interessado?

segunda-feira, 22 de março de 2010

O Império Contra-Ataca!

Sempre soube que apenas um acontecimento deveras transcendente e peculiar ou, no mínimo, inquestionavelmente aberrante ou assustador, me faria voltar, nesta altura, a misturar letras, palavras, frases e ideias. Em consciência, claro, sei que nem por um segundo, sequer, me senti incapaz para lidar com essa situação pouco confortável, por tantas e tantas vezes adiada, e por um bom par de ocasiões escondida por entre incómodas hesitações. Porém, e como em tudo na vida, nada melhor do que deixar o tempo fazer a sua parte.

Ora, neste mês de abstinência, como é natural, ávido e sequioso de vos presentear com novidades relevantes, não escondo que idealizei um regresso em grande, com a pompa e a circunstância que, na minha inocência, o momento me parecia exigir. Assim, teria de ser sempre algo parecido com o reportar o regresso do ET à terra, a utilização da foto da Maddie na próxima campanha de natal do Toys r Us, ou, algo que também consideraria interessante, a alergia crónica ao botox, diagnosticada ao neto da Cinha Jardim.

Todavia, porque as coisas nem sempre correm como nós queremos, e desculpem lá qualquer aborrecimento, enfado ou transtorno, mas tenho de vos dizer que a realidade é crua, dura e não vem servida nem com champanhe nem com papelotes de brilhantes. É que se não fosse a existência de um estúpido de um burocrata, sentado no conforto da sua cadeira de pele, de pança cheia, a respirar o belo do ar-condicionado e à espera do chá das cinco para se pôr na alheta, e ainda por cima armado em zelador da moral e dos bons costumes do Império, muito provavelmente não tinha passado estes últimos minutos a achatar as pontas dos dedos das mãos, no teclado deste computador.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ontem, Hoje e Amanhã!

Não percebo essa vossa curiosidade, juro que não percebo.
Que vontade é essa de saber o que se passa por aqui quando, na verdade, tudo o que há de mais interessante, diferente, impensável, inacreditável e exótico está neste momento a passar-se à frente do vosso nariz?

Ainda assim, fiquem descansados, no dia em que me cruzar com um porco a andar de bicicleta serei o primeiro a espalhar a boa nova...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Conversas De Pé De Orelha!

Descobri por portas travessas que está para chegar um programa de televisão cujo tema principal vai ser falar com mortos. Ora bem, até aí tudo porreiro. Todavia, como sou daqueles tipos que não pode com a morte nem por um bocadinho, ao ponto de a achar consideravelmente antipática e desagradável, estou com a pulga atrás da orelha e curioso para ver em que é que isso vai dar.

Custa-me a entender as reais vantagens de falar com alguém que não se mexe vai para anos, que foi literalmente comida pelo caruncho e que, basicamente, não faz nada durante o dia a não ser estar, simplesmente, especado e armado em morto. Para mim, continua a fazer bem mais sentido conversar com alguém que esteja disponível, mais à mão, que respire e que continua a acordar e a levantar-se todos os dias.

Tentei, ainda assim, imaginar como será conversar com um mortinho da silva e, até agora, há aqui qualquer coisa que não consigo computar correctamente. É que estando o interlocutor morto, ou seja, tecnicamente inacessível através de qualquer tipo e meio de comunicação, onde se inclui a Internet, o telemóvel ou o fax, como conseguiremos então conversar com alguém que, resignado, se aposentou sete palmos abaixo do solo?

Depois, para ajudar à confusão, que temas de conversa podem ser abordados que sejam de simples entendimento e não suscitem mal entendidos? Deveremos nós fazer perguntas do género...e como vai o tempo aí por baixo? ...então como vão esses ossos? Ou, simplesmente, para sermos simpáticos... que tal um mata bicho ao final da tarde?

Felizmente que a tarefa está nas mãos da Júlia Pinheiro, da TVI, facto que me deixa bem mais descansado e confiante quanto à qualidade daquilo que nos vai ser apresentado. Para nosso completo deleite, claro.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A Realidade Aos Pedacinhos!

Não precisam de me matraquear a cabeça apenas para me dizerem que o Sócrates e a Câncio lá acabaram por embicar por diapasões diferentes, que o Mário Crespo vai passar a jogar na equipa da Manuela Moura Guedes, que a ETA anda a passar férias em Óbidos ou, muito menos, que a Bolsa de Lisboa vai passar a ser uma loja dos chineses. Escusam, inclusivamente, de me vir a choramingar com essa coisa da demissão do governo e, por outro lado, de me apareceram de sorriso rasgado no rosto por causa do surpreendente e original anúncio, feito pela organização do Rock In Rio Lisboa, dando conhecimento de um tão aguardado concerto da Ivete Sangalo.

De vez em quando tenho destas birras sem explicação aparente. Parece que nada me importa e que tudo me passa ao lado. Um estado de alienação incontornável. Sei até que o Ronaldo não larga os Bruxos, que a Sónia Araújo andou a brincar aos monges do Tibete e que a Elsa Raposo já se está a preparar para a sua próxima desgraça pessoal. Mas, enfim, talvez me tenha apenas deixado abstrair por completo, depois de ter constatado que etiqueta e boas maneiras podem muito bem ser apenas uma forma intransigente e louca de querermos, à força, transformar os filmes do Chaplin numa espécie de Avatar.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O Portugal Dos Pequeninos!

Nesta terra imaginária onde quem tem olho é rei, sem dúvida que convém fazer um esforço para evitar as ondas maiores e tentar, simultâneamente, passar a coberto por entre os pingos da chuva. Não sendo, ainda assim, uma solução de todo perfeita ou muito menos inequívocamente fiável pode, todavia, evitar que se chegue a casa feito num pito, com gripe e com os pés molhados. Com democracia ou não, constato que a lei da selva continua a pairar sobre essas esquinas, becos, avenidas e centros de inspecção automóvel e que, infelizmente, é na crueldade da lei do mais forte que os patinhos acabam por se deixar lambuzar em arroz de refogado; corados, no final, à imagem do bacon e do chouriço.

Levar o carro à inspecção é daquelas tarefas que à primeira vista até pode parecer simples mas que, vista à lupa e com um pouco mais de atenção, pode transformar-se, sem darmos por isso, numa experiência surreal, irritante e avassaladora para todos os que gostam de manter a boa disposição e abominam ficar com os nervos em franja. Até dou de barato o facto de, nestas alturas, o carro que nos passa pelas mãos dia sim dia sim pareça ganhar, de um momento para o outro, segredos indecifráveis. Daquelas coisas que nos levam a esquecer que o volante serve para fazer rodar as rodas e que os três pedais, por debaixo dos nossos pés, têm uma determinada lógica para serem pressionados, bastando apenas saber qual deles faz o quê.

Enfim, ser-se nabo nestas alturas deve até já ser uma coisa normal e dá até um certo jeito. Especialmente porque quando se estabelece essa relação de características predominantemente avaliativas, a questão do ego é muito importante e nem que seja para dizer que umas luzes estão a apontar para o sitio correcto, que o esguicho do para-brisa é forte e tem a personalidade de um órgão genital masculino a fazer lembrar uma estátua do período neoclássico grego,tudo isso é motivo de afirmação de poder e de autoridade, sem esquecer que poupa meia dúzia de discussões em casa, ao jantar e durante a hora da telenovela. Livre-nos o dia em que alguém se lembrar de introduzir uma última estação de verdascadas com ramos de louro nas costas do condutor, pois aí então é que seria a cereja em cima do bolo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

A Lógica Da Batata...Doce!

Se me abstrair da técnica de misturar barbitúricos no leite do pequeno almoço, é num instante que o domingo volta a fazer todo o sentido, e que até o sabor das torradas queimadas me volte a fazer lembrar um verdadeiro repasto dos deuses. Não, não estou deprimido, não estou triste, não estou de ressaca nem, muito menos, perdi o gosto por comer torradas ao pequeno almoço. Apenas tomei contacto com a maior bomba publicitaria nacional, desde que se lembraram de pôr a Marisa Cruz a saltar à corda e o CR9 a cantar ao estilo do Julio Iglesias.

Aprender uma outra língua que não a nossa é, antes de mais, um acto de inteligência, de perspicácia, uma constatação da realidade e uma prova de auto-estima. Nestas coisas, todavia, é bem fácil de se ficar baralhado, tal a oferta em escolas e institutos que por aí andam apostados em nos transformar, da noite para o dia, em proficientes poliglotas. Motivo mais do que suficiente para estarmos atentos e alertas.

Agora, o WallStreet Institute lembrou-se de associar à sua imagem, pasme-se, o Zezé Camarinha, essa proeminente figura do folclore algarvio, com créditos e competências comprovadas ao longo de anos e anos de prática da língua anglo-saxónica. De uma maneira geral, a ideia, sem dúvida original, agradou-me sobremaneira, especialmente porque me parece uma verdadeira lufada de credibilidade, num sector de actividade que tantas e tantas vezes nos põe a duvidar. Da campanha propriamente dita, apenas tenho a apontar como menos conseguido o tipo de letra escolhido para os cartazes. A ser minha a decisão, teria optado, na certa, pelo estilo Arial Bold. De resto, os óculos escuros, os trocadilhos brejeiros, o bigode e o zezé, parece-me tudo cinco estrelas e com nota máxima. Yes, we can!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Envelhecer...Com Estilo Ou Aos Solavancos???

Que atire a primeira pedra quem em si próprio nunca detectou uma ruga intrometida ou, no mínimo, um cabelo branco solitário e irritante capaz de pôr em risco a qualidade de um penteado acabadinho de arranjar. Enfim, envelhecer, sem dúvida, pode ser penoso, especialmente se nos metermos por atalhos que, consequentemente, acabam sempre por terminar em trabalhos. Mas já lá vamos a esses...

Talvez, então, quanto menos nisso se pensar, menos assuste a ideia, para mim perversa, de um final de vida enfiados num lar, de penico preso às pantufas, ainda que agora, finalmente, já se possa apodrecer a jogar boxe, ténis ou ping-pong, com a consola Wii, da Nintendo. Isto se formos mais dados ao desporto porque, se preferirmos manter um espírito idealmente jovem e amigo do ambiente, podemos sempre optar pelo jogo das vacas voadoras ou, então, num segmento diametralmente oposto, jogar golfe com o Tiger Woods, mas, neste caso, claro está, fazendo por esquecer que para além do tipo passar o tempo atrás de buracos, também tem um fraquinho por espatifar jipes de milhares de dólares, enquanto anda atrás de actrizes do cinema "erótico".
Mas admiro o que fica e perdura por anos e anos, décadas, séculos, milénios. Admiro as pirâmides do Egipto. Admiro o Sol. Admiro o Partenon, na Grécia. Admiro os oceanos...Mas detesto, e não compreendo como é que uma estrada de alcatrão, com menos de seis meses, à primeira gota de chuva, faça frente à Via Apia em aspecto e degradação. Se assim o entenderem, injectem-lhe botox ou silicone. Mas terminem com este martírio que é andar de rabo tremido no carro com a sensação de que estou calçado com umas sandálias, do tempo dos romanos.
PS: pode não parecer, mas, nada tenho contra o golfe.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Os Pesadelos da Rua Sésamo!

Podia dizer-vos que gosto mais de Geografia do que gosto de História, porém, estaria bem longe de vos estar a dizer a verdade, coisa que me faria sentir mal e pouco à vontade para escrever as palavras que se seguem. Ainda assim, apesar de gostar bem mais de História do que gosto de Geografia, é precisamente disso que me apetece escrever hoje, ou seja, de Geografia.

O Ruanda é um país africano encravado bem no centro de África e, à semelhança de tantos outros seus países vizinhos, é uma ex-colónia subdesenvolvida e violenta. Tem aproximadamente oito milhões de habitantes, dos quais cinquenta por cento constam no campo da pobreza das estatísticas oficiais. No Ruanda não há auto-estradas com via-verde, não há restaurantes de comida biológica nem muito menos spas com ambientes zen. Não se fazem saldos depois do Verão, do Inverno ou do Natal e por lá, senhores como o Pinto da Costa seriam, com certeza, à primeira oportunidade, coroados reis. No Ruanda não há nem se espera que venha a haver TGV. Pelo menos no próximo milénio, pois é pouco provável sequer que ande alguém a pensar no assunto. No Ruanda os problemas resolvem-se à catanada, fala-se muito e escuta-se pouco e as meninas que desaparecem da casa dos pais durante o sono, normalmente, acabam banhadas no suco gástrico dos crocodilos.

No Ruanda não há corrupção. Pelo menos no modo a que estamos habituados, pois é tudo tão corrupto que não conseguimos sequer imaginar o quão corruptos, na realidade, eles são. No Ruanda, passados dez anos, a justiça proferiu, finalmente, as conclusões respeitantes à investigação levada a cabo sobre os eventos relacionados com o brutal genocídio de 1994. Mas sobre isto eu já não quero falar, pois envolve assuntos delicados, como o segredo de justiça, coisas das quais eu não percebo nada. Ainda para mais, como já vos disse, o que eu queria mesmo era falar-vos de Geografia. E isto de estar a falar sobre assuntos que perfazem dez anos já é tudo menos Geografia. Isso fica para uma outra tarde, em que a disposição seja outra, em que não me apeteça falar nem de Geografia nem de países do Terceiro Mundo e em que me apeteça, ao invés, falar de História.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mitos Urbanos, Parvoíces E Outros Dizeres!

Ando obcecado em evitar, a todo o custo, cair na rotina. É que sei perfeitamente que isso é mau para uma mão cheia de coisas, das quais destaco a sanidade mental, as relações amorosas e, muito importante, a originalidade. Sim, não me poderia esquecer da originalidade, é que sem ela os políticos incompetentes e corruptos estariam ainda a ser guilhotinados na praça pública e assim, fruto dessa mesma originalidade, e para quebrar a tal rotina, são apenas nomeados administradores sem função especifica atribuída, em bancos ou empresas públicas.

Não sei porquê mas, de há uns tempos para cá, não suporto sequer a ideia de ter de fazer duas vezes seguidas a mesma coisa, da mesma maneira. Por isso, estou determinado e motivado a eliminar a rotina da minha vida. Para começar, decidi passar a lavar os dentes em dias alternados, tomar banho em dias resultantes da fórmula Fibonacci, mudar de roupa interior duas vezes por trimestre e, entre outras coisas, para não me sentir tantas vezes roubado, ir morar para uma barraca com duas assoalhadas, para baixo da ponte Vasco da Gama, que assim, ao menos, quebro a rotina de ter de pagar o IMI.

Agradeço também a um grupo de cidadãos que ontem, não sei se para me fazerem a vontade ou não, decidiram contrariar a malvada da rotina e a sensação de que "no metro nunca acontece nada". Então, vai daí, decidiram mostrar as bochechas do rabo a quem as quisesse ver, simplesmente fazendo frente aos criadores e fabricantes de saias, Jean's, leggins e calças de fato de treino. Ai a rotina, a rotina, a malvada da rotina. A administração do metro gostou tanto da publicidade, que lá para o Carnaval, quando já estiver mais quentinho, vai dar salvo conduto a uma célula da Al-Qaeda para que esta nos ponha a todos a rir às gargalhadas.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Tudo Está Bem, Quando Acaba Em Bem!

Estava escrito algures que, mais tarde ou mais cedo, haveria de acabar por se concretizar.
No fundo, sabiamo-lo, e só não viu quem não quis ver, quem preferiu refugiar-se por entre temores e crenças bacocas, ao invés de acompanhar a evolução da situação pelos jornais e pelas televisões. O mundo a andar para a frente, todos os dias, um pouco mais. E se por vezes a oposição e a inércia foram tremendas, bem como as opiniões divergentes e os comentários dispares e confusos, resta-nos agora o conforto da solução encontrada, durante tanto tempo velada pela opacidade de gavetas e de armários fortificados, ensombrada pela gravidade maior de roturas e desacertos no tendão de Aquiles. Já não se justificava que fosse de outra forma, outra coisa não se esperava depois de tanto tempo a falar sobre o assunto, a debater, a criar suspense, a criar expectativas, a dar tempo de antena a comentadores mais ou menos interessantes. Ontem, foi o dia mais desejado para tantos e tantos milhares de pessoas, milhões. Particularmente agora, a começar a nova década, onde todas as forças serão escassas para enfrentar as próximas batalhas. Este é um motivo que nos deve encher de esperança. Ontem, o Aimar voltou aos treinos.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Queimar O Soutien E Deixar Crescer O Bigode!

Sabemos que Ele até já teve bigode, essa instituição que é coisa de homem com h grande, daqueles que abrem a garrafa da cerveja com os dentes e que no natal partem as nozes com a ponta dos dedos sem fracturar falange ou unha que seja.

Bem ou mal, eu cá nunca tive bigode. Assunto com o qual aprendi a viver desde a infância e que, admito, me fez refém da imperial em vez da cerveja de garrafa e dos tremoços no lugar das nozes, mesmo na altura da consoada.

Em muita gente, sempre que vêem um homem de bigode, isso faz lhes lembrar o saudoso vocalista da banda inglesa Queen, Freddy Mercury. O que até está bem visto, sim senhor, mas, mesmo assim, há muitos outros exemplos...

Como os tempos mudam, hoje em dia, seria estranho olhar para Ele e voltar a vê-lo com a sua antiga penugem no buço. A muita gente, aqueles óculos, fazem lembrar o Elton John. O que está bem visto, sim senhor, mas, mesmo assim, há muitos outros exemplos...

Ele ganhou o prémio para a "Melhor Apresentadora" e sem pestanejar processou os malandrões que lhe atribuiram o distinto galardão. Não posso estar mais de acordo. É uma total falta de respeito terem-se esquecido d'Ele nas categorias de "Melhor voz feminina", "Melhor gargalhada histérica" e "Melhor pirueta em sapato de verniz".

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

As Coisas Novas!

Perdemos a habilidade para tratar das coisas velhas. Orgulhosos, decidimos há muito, não sei em que geração, que não temos tempo para elas, nem paciência, nem muito menos interesse. Temos tudo tão rápido, tão cedo, em tão grande quantidade, que se torna ainda mais célere a forma como, há medida que nos vamos cansando, vamos dizendo não e esquecendo, simplesmente, tudo o que já nos pareceu tão impossível de conseguir largar.

Ainda hoje não bebemos nem comemos a provisão e já as sobras estão a ir para o lixo. Fazemos nós o nosso próprio prazo de validade. Ansiamos pelo cheiro a plástico da novidade, queremo-lo desesperadamente, como um vício irresistível. Pior quando acordamos, inebriados e, afinal, continuamos a ver-nos tal e qual. Um decalque, uma fotocópia. As mesmas cores, as mesmas coisas. Contaremos até doze num ritmo frenético de destruição.

Começámos hoje a cuspir no prato em que comemos.