terça-feira, 10 de abril de 2012

A História Que Nunca Existiu!

O Fantasma ganhou asas low-cost, juízo, e farto de comer lasanha de marca branca foi em busca da verdadeira, da saudável e saborosa, a uns quilómetros daqui, em Roma. Uma que, no mínimo, lhe fizesse esquecer os vinte e dois quilos a mais omitidos nas instruções do modo de confecção. Exterminador instantâneo de guarda roupas e da boa aparência (que já lá vai). Mas o que pode, então, dizer-vos, esta humilde e serva assombração, sobre essa cidade eterna? Não vi o Papa! Não andei de metro! Não comi Tiramisu! O Fórum Romano ficou do lado de lá do gradeamento! Não pus os olhos na Pietá! Não fui a um jogo do Calcio! Não andei de Vespa! Fiquei à porta do Coliseu! Péssimo.

Em Roma sê Romano e bebe tanto ou mais do que eles, sejam mojitos às dezenas ou vino rosso aos litros. Assim, lembrei-me do Portugal dos Pequeninos. Esse belo aglomerado artístico popular, ode metafórica à monumentalidade do Império Lusitano de outrora, dentro e fora de portas. Das suas casinhas em miniatura. Das janelinhas prendadas. Do ser-se comezinho. Do Deus, Pátria e Família. Do orgulhosamente sós. Do faça favor de dizer senhor doutor; pois com certeza senhor prior. Silêncio que se vai cantar o fado. Oh, que animação.

Em séculos, Roma sobreviveu e esperou por mim. A outros, aos pequeninos, nem milhares de anos hão-de ser capazes de dar graça. O consolo dos carneirinhos. A ternura dos eternos candidatos. Os que lutam lá por baixo, distantes, na apanha das migalhas. Os habituais dos gritos em êxtase por uma mão cheia de nada. Do vazio repetível vezes e vezes sem conta. Milhares de anos de vazio. Dos verdes ferrenhos convictos que gritam bem alto: viva o Porto!!! Percebe-se agora porque nos passou ao lado a invenção da lasanha.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Noites Longas Com Facas De Plástico!

Vejamos uma coisa; e simples. Por alguma razão tudo tem um nome. Por alguma razão as pessoas de carne e osso, como eu e vocês, têm nome. É que o nome é importante. O nome identifica, define, permite fazer associações, facilita as recordações. O nome nasce e multiplica-se com os anos. Perdura e resiste e não morre assim, sem mais nem menos. O nome é uma marca cravada a fogo; e a sangue, alguns. É por isso que o nome das coisas e das pessoas não deve ser dado ao acaso. Criado ao sabor do vento ou das marés. Um pouco de parcimónia, de lógica, e até de algum bom senso, faz todo o sentido no acto da escolha de um nome. Até nos programas de televisão…Até na televisão: ID(I)O(T)LO(A)S

sábado, 24 de março de 2012

A Variável Modificada Do Input Por Relacionar!

Cheguei à conclusão que a televisão (eletrodoméstico ou aparelho receptor ) é algo que até faz companhia, e que sempre tem como vantagens não largar pêlo nem verniz das unhas por tudo quanto é canto da casa. Após experiência científica não remunerada, conclui-se que Marte é um planeta engraçado, mas onde o silêncio e a pasmaceira hão-de ser sempre os únicos e principais competidores à vitória no prémio da Alta Maluquice Espacial. Como o que eu queria muito era ganhar o euromilhões , e, mais do que ganhar o euromilhões, queria muito que as manifestações e as  greves gerais fossem verdadeiras manifestações e verdadeiras greves gerais, fiquei extremamente contente por voltar a descobrir a televisão (tecnologia de transmissão de imagem à distância), e por ter conseguido apanhar o último autocarro intergaláctico de regresso à Terra, antes da restruturação da Carris.

É certo que ainda não foi desta que ganhei o euromilhões, todavia, finalmente, já vi aquilo a que podemos chamar uma verdadeira manifestação e, vá, ok, algo bastante próximo daquilo que entendo que ainda se possa conseguir fazer no domínio das verdadeiras greves gerais. É por isso que dou os meus mais sinceros parabéns aos intervenientes na contenda; bravos, afoitos e guerreiros manifestantes por um lado, e os brutos qb, maus como as cobras e policiais pelo outro. Há muito que passei a ignorar alterações à ordem pública nas horas que antecedem jogos de futebol entre o Sport Lisboa e Benfica e os outros que vestem de azul e branco - uma chatice pegada -, por isso, momentos de verdadeiras manifestações e de verdadeiras greves gerais são, para mim, motivo de agradecimento a todos os participantes.

Prova do meu equilíbrio emocional, clarividência e sentido de equidade, é a forma como, por um lado, rejubilei com os trambolhões de alguns dos manifestantes, e, por outro, em muito maior grau de satisfação, como me deixei levar em êxtase pelas escarretas coladas às testas de alguns dos polícias. Direi que são muitos anos de coerência a tentar não ser apanhado em contradição. Se o manifestante foi feito para se manifestar; já o agente da polícia de intervenção foi feito para levar com umas mesas, umas cadeiras e uma valente quantidade de garrafas de cerveja. Em Marte, por acaso, ainda não há vacas a pastar, facto que me leva a pensar que, um dia, o negócio da restauração pode vir aí a ser uma ideia com futuro. Isso e ter a noção que escolher entre um de alcatra ou um do lombo, de sair-nos do lombo, dar no lombo, ou, levar no lombo, vai uma grande diferença.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Qualquer Coisa!

A reles imagem que acima serve de adorno a este post é propriedade intelectual do autor. É sabido que estamos em época natalícia, porém não abusem da já pouca paciência que é preciso ter para aturar todas essas balelas da paz, do amor, do circo, da vaquinha, do trá-lá-lá-lá-lá e do trá-lá-lá-lá-lá. Desta feita, qualquer tentativa de usurpação indevida do referido conteúdo multimédia dará direito a sessões contínuas de sodomização no quinto dos infernos. Ou isso ou um combate até à morte de Mikado. O aviso está feito. A escolha é vossa.

PS: Na eventualidade de não conseguirem contrariar a vontade de plagiar ilegalmente a foto contactem:
eunaoquerosersodomizadonoquintodosinfernos@smartchoice.hell
ou

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Enxaquecas De Um Pénis Feliz!

O dilema existencial é sempre o mais perigoso de ultrapassar e andar muito tempo à volta da eterna dúvida do que surgiu primeiro, se o ovo se a galinha, está ao nível do tentar explicar o desarranjo de forma do programa do governo da república. O problema, como já se percebeu, não está na pontuação. Conclui-se, assim, desta fugaz abordagem ao tema do existencialismo humano, que não compensa nem o esforço nem a dedicação colocados em prol de uma empresa falida. É que mesmo abordando o tema numa vertente mais crítica, fazendo o paralelismo com o envelhecimento dos homens na casa dos quarenta anos, eu direi que é duro admitir que muitos se rendem à técnica do verter águas sentado, facto que comprova que pensar muito, quando houve sempre muito pouco em que valesse a pena perder tempo a pensar, é o maior, mais espapaçado e mal cheiroso cocó que podemos vir a fazer.

Ou seja, o mal não pode estar em terem pintado a Rua Nova do Carvalho de rosa choque. Aliás, para mim, olhando para o arruamento em questão, numa perspectiva isométrica, família das axonométricas ortogonais, ao contrário dos pregões, não consegui ver naquilo nada de apaneleirado. Há é por aí muito boa gente a tentar condicionar o pensamento lógico com tácticas de terrorismo xenófobo anti-heterossexual. Aquilo até pode fazer lembrar um Pé, da Olá, mas a isso eu chamo gulodice pré diabética, e daí a levar alguém a ter vontade de passar a ver o mundo ao contrário vai uma vida inteira. Um possível worst case scenario seria desatar a lamber a rua de uma ponta à outra e isso sim já seria sinal de alarme e uma ideia porca e nojenta.

Também, andarem aos tiros às portagens é coisa de pouco existencialismo. Especialmente porque o Natal dos Hospitais, este ano, brindou-nos, e de rajada, lá está, com as três gerações Carreira. Ora se é para fazer tiro ao alvo ao menos que escolham alvos em movimento. Sempre cria alguma dificuldade ao atirador, não? Digo eu, que não percebo nada de vinganças contra radares de velocidade e a primeira e única vez em que peguei numa pistola, verde, de plástico transparente, foi no já longínquo Carnaval de 69. Há esguichos de água que às curtas distâncias parecem bala real e olhem que elas não matam mas molham. Para falar a verdade já nem sei em que pensar. Mas o existencialismo e a pergunta não me saem da cabeça. Afinal de contas, qual é o nome do Pai Natal?

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Rabos De Palha E Pedras No Sapato!

Isto para mim é tudo uma tamanha desilusão, um enorme desapontamento que pode até levar-me a encarar o futuro dos meus futuros filhos com acérrimas reservas do ponto de vista da fomentação do imaginário típico de um adolescente com distúrbios graves ao nível da imaginação fértil. Logo agora que andava tão animado com a distinção do Fado a património da humanidade, e a pensar que o próximo passo poderia ser, e por que não, investir na exportação da sandes de courato ou na internacionalização das filas de trânsito do IC-19, surpreendem-me com esta. Ó cambada. Vis e desprezíveis desmancha-prazeres. 

Jack the Riper (para quem não sabe inglês, o Estripador) sempre fez parte do meu imaginário. A dúvida. O real, a ficção. O mito. Médico da rainha? Inspector da Yard? Membro da alta aristocracia inglesa? ... Pois agora dizem que o “Estripador de Lisboa”, afinal de contas, é de Matosinhos! Fogo, de Matosinhos? Da terra das lotas? Eh pá, pelo menos que fosse de Odivelas ou da Buraca ou, assim já a esticar, vá, da Arrentela. Pelo menos que nos transportes urbanos chegasse ao Terreiro do Paço, no máximo, em cinquenta minutos. Que não fosse pedir muito, alguém em quem acreditássemos capacidade para ir a pé do Intendente ao Rato, sem se perder.

Trolha da construção civil? Então e aquela cena dos cortes cirúrgicos minuciosos? O intestino todo dobradinho para um lado. A vesícula toda direitinha e embrulhada numa página do jornal A Bola. A bílis tratada com jeitinho. A bexiga rota mas acamada no local certo. Afinal este tipo passou a vida a chapar massa e a misturar duas de cal com duas de areia, que é assim, provavelmente, a coisa mais minuciosa que alguma vez deve ter feito (a parte do somar duas porções de duas coisas diferentes). Quanto à credibilidade da captura, fala-se que foi encontrado…e por um jornalista. Com um pouco de sorte este ainda é descendente do homólogo inglês, o que me levará, tenho quase a certeza, a substituir, na minha lista de prioridades, a sandes de courato pela Policia Judiciária.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Colecção Outono/Inverno (IV)!

Mastodon, 22 de Janeiro, Coliseu dos Recreios.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

À Volta Das Coisas Bem Mais Giras!

(à minha irmã…)

Este lado e o outro… Este lado e o outro não estão tão longe assim. O que são os quilómetros no meio de uma vida inteira de imagens unidas pelo mesmo sangue? Visto daqui, o outro lado tem árvores verdes e casas de telhados vermelhos e fábricas e um céu tão azul quanto o meu céu, igualmente azul. Dois lados reflexo do mesmo espelho gigante que ondula ao sabor das marés mais ou menos bravias.

Deste lado ao outro não há distância que barre o conforto de um abraço visceral. Vê-se sempre o que se quer ver e sente-se tudo. Talvez estes lados não sejam meus nem teus e trocaremos se algum dia nos apetecer e se nos der para isso. O meu lado tem o que já sabes e conheces bem. E o teu lado tem coisas que o meu lado não tem, coisas que eu não vejo, eu sei. No fundo, o meu lado e o teu lado não são tão importantes assim. Nunca estivemos em lados opostos, e é do mesmo lado que continuaremos, do princípio ao fim.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Batata Frita, Arroz e Ovo Estrelado!

Aborrecidíssimo com as labaredas esterilizantes que me acompanham minuto a minuto decidi, num pinote, saltar bem para o meio da sordícia dos copos de plástico espalhados pelo chão, agarrados à vida pelo último terço de cerveja que alguém não quis esvaziar. Um fantasma não paga bilhete e anda sempre por aí, por todo o lado, invisível, com a anexa vantagem de poder beber até cair para o lado sem que um nicho de barriga lhe estrague o abdominal. E neste caso deu jeito. O evento: Festival Mexefest. O local: Avenida da Liberdade, em Lisboa. Fui ver: Asterisco Cardinal Bomba Caveira, Capitão Fausto, Eleanor Friedberger, Handsome Furs, S.C.U.M. O resultado final: uma análise pessoal livre e disparatada (previsível).

O Festival Mexefest é uma mutação genética do Super Bock em Stock. O nome mudou mas o conceito está lá. É imperfeito? Sim, porém é arrojado, diferente e ínsita ao dinamismo. É aquilo e pronto. Andar, rua a cima, rua a baixo, de palco em palco. Aprendi uma coisa. Gostar e conhecer muitas bandas complica com os nervos. Se é ignorante em termos musicais, duro de ouvido ou acha que consegue jogar ténis com uma Fender Telecaster, então, está no ponto para embarcar numa aventura destas. Escolha uma banda e será uma pessoa feliz durante quarenta e cinco minutos a uma hora.

 No reverso da medalha de tanta felicidade reparei que os fantasmas também envelhecem. Nas diferentes salas vi o choque geracional à minha frente e pensei no assunto. Os trintões, na sua basófia insegura, alguns mais atentos aos casacos de cabedal e aos IPhone do vizinho, atiraram-se às bandas estrangeiras que, sem repararem nisso (falta de perspicácia), apresentavam-se com músicos tão teen quantos os das bandas nacionais. Já os “vintões” e pós-teen, na sua alienação intrínseca, foram para o pop-rock dos Capitão Fausto, por exemplo. Vi o contraste. O negro e o laranja. O introspectivo e o explosivo. O picar o ponto e o eu estive lá e diverti-me comó caralho. A meio caminho entre um concerto e outro dei por mim pespegado à frente da montra da Boss. Pois. A (minha) geração rasca é uma seca…

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Antes Assim Do Que Depois Perguntar Porquê!


Nunca fui muito de ideias. Idiota sim, mas nesse mesmo sentido em que estão a pensar. De manhã à noite e sem dificuldade espalho-me ao comprido em idiotices umas a seguir às outras. Aprendo devagar. Compreendo que o natal é uma época tramada. Andamos por aí baralhados e pressionados com tudo e mais alguma coisa; da comida aos embrulhos, passando pela falta de neve, pelo pinheiro artificial, pelas luzes, pelo bacalhau e mais isto e aquilo. Aviso que este ano vou omitir a Popota por aqui, decisão que não deve ser entendida como uma variante extremada da greve geral de ontem. Apenas uma tomada de consciência de que não vale a pena andar mais a chamar nomes a um hipopótamo cor-de-rosa. Derrotado? Talvez!            
O mal do natal é que nos leva a tomar atitudes de petrificar qualquer gelatina acabada de fazer. Ora queremos as ruas iluminadas de forma a serem vistas em Marte, ora nos lembra a crise e toca de apagar tudo de rajada e não há luzes para ninguém. O pior do natal nem é o menino Jesus nem o presépio a cheirar a bosta de vaca. É que a oportunidade faz o ladrão e o natal continua ser a melhor época do ano para gamar até o mais incauto e vivaço dos humanos. A questão, creio eu, estará sempre na forma mais ou menos idiota com que o gamanço é feito. Por isso evitem os assaltos à mão armada nesta época. Evitem as burlas com fundações fictícias de apoio aos ceguinhos. Esqueçam lá isso de fingir que acabou a gasolina só para não pagarem o parquímetro.
Para mim a figura da Sónia Brazão é assim uma imagem próxima da Popota. Prometi não voltar ao tema, da última e única vez. Enfim, o natal desgraça-me e adormece em formol os poucos bons pensamentos que ainda sobrevivem nesta cabeça. Afinal, mesmo sem iluminação pública de encher o olho, este ano, o natal vai ser para cima de incandescente. O livro chama-se “Não vou desistir” e já me sinto roubado sem sequer ter folheado um exemplar que seja. O título, esse então é que é brilhante. Aqui nos quintos dos infernos, espero mesmo que não desista e eu até consigo sugerir. As lâminas já não são o que eram e podem causar desconforto desnecessário. Quanto à chumbada, entre uma pistola e uma caçadeira não há dúvida do que escolher. Direi que este ano o natal pode vir a ser mais explosivo nos prédios equipados com gás natural.       

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Colecção Outono/Inverno (III)!

Xutos & Pontapés, 10 de Dezembro, Campo Pequeno.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Já Que Espreitas Ao Menos Vê Alguma Coisa!


Porque a verdade é que a ideia do Inferno apoquenta e é ameaça intangível à qual ainda não arranjámos maneira de fazer frente, vivemos de arroubos limitados, reféns de assomos de sentimentos híbridos, confusos e, obviamente, mais cedo ou mais tarde, traiçoeiros. Gostamos de nos sentir bonzinhos e de dormir à noite sem pesos na consciência ou pensamentos ignóbeis. Porém, vão por mim, faz anos que ando a arder nestas labaredas infernais, tantos dias e tantas noites, que já nem me lembro de quando ainda sentia medo por andar a fazer de frango no churrasco.
Não desejo mal a vivalma. Por princípio, quero dizer. Ora e isto do filho do jogador Carlos Martins, na especificidade, é igual. Mas eu que até já estou todo queimadinho e na fase do tostar a pele das asas, arrisco e não me assusto nem com percevejos nem com adornos moralistas. Daqui do buraco eu pouco me comovo com a situação. Aliás, para mim, neste momento, a situação do filho do CM é tão importante quanto ter de escolher entre comer castanhas assadas ou cozidas para o jantar. E agora até comia uns tremoços e bebia uma parelha de cervejas. 
Até nem me surpreende a onda popular de solidariedade, motivação abnegada e mobilização. Mas entristece-me o facto de, neste preciso momento, serem várias as crianças em situação idêntica e cuja fotografia não aparece sequer nos panfletos das Testemunhas de Jeová (mas que já estão em estágio para a página de obituários do Correio da Manhã). Quem tem boca vai a Roma, e daí não surge qualquer dúvida. E eu direi mais. Quem tem boca, dinheiro e pseudo-influência vai aos jornais, às revistas e aos telejornais. Vão lá fazer os testes de compatibilidade que eu vou ali comer umas moelas.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Colecção Outono/Inverno (II)!

Blood Red Shoes, 03 de Dezembro, Vodafone Mexefest.

Dead Combo, 03 de Dezembro, Vodafone Mexefest.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Colecção Outono/Inverno (I)!

The Smashing Pumpkins, 09 de Dezembro, Campo Pequeno!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Deixem Respirar A Pimenta!


As evidências estão bem à vista. Todos temos segredos. São baratos e, por agora, não exigem declaração obrigatória com um consequente imposto estatal. Eu tenho segredos. Confirma-se que dizemos todos o que queremos e apenas a quem queremos. É interessante e não deixa de ser um equilíbrio de vantagens e desvantagens. Podem nunca ter reparado, mas, até vocês têm segredos.

Reparam, por certo, nesta dificuldade agrilhoada de evitar ir directo ao assunto dos segredos. Da casa que os tem. Ao que consta. Há coisas que podem ser menos más e de qualidade sofrível. Por isso suportamo-las, apesar do seu lado remediado. Queria conseguir descontrolar-me completamente numa apreciação livre a esse programa. Já houve outros, antes. E a nota foi negativa, também. Sem estranhar.

Esta edição de "A Casa dos Segredos" é horripilante. Queria arranjar melhor adjectivo mas não consigo. É, sem dificuldade, das maiores baixarias alguma vez produzidas numa televisão em Portugal. O conceito já era de se detestar com facilidade, porém a escolha dos concorrentes, desta vez, bateu todo os limites do mau gosto. É aquela uma amostra decente de jovens, homens e mulheres, da juventude portuguesa que se autoproclama à rasca, e que reivindica e luta diariamente para contrariar as dificuldades e falta de esperança no futuro? Melhor a produção do programa não conseguia ter feito. Desta vez, acertou nos melros todos. Reuniu um confrangedor grupo de néscios, péssimos a todos os níveis. Afinal, a geração rasca existe mesmo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Três Quartos Daquilo Que Eu Quiser!

O sentido de oportunidade é uma coisa muito importante e por isso optei, determinado, por não referir palavra acerca dos dez anos passados sobre os acontecimentos trágicos do dia 11 de Setembro de 2001. Reparei, porém, que muitos optaram por seguir precisamente o caminho oposto. Testemunhos sentidos. Homenagens rendidas. Foram várias as opções e várias as modalidades. A questão é que não tinha nada para dizer sobre o 11 de Setembro e, especialmente, referir-me ao que estava a fazer àquela precisa hora, daquele preciso dia, seria tirar todo o interesse ao próprio 11 de Setembro. Quer dizer, andavam aviões a cair a torto e a direito e eu a entrar para o metro para ir lanchar com a minha avó? Estava no supermercado a comprar álcool para assar umas linguiças para o almoço? Estava no dentista a arrancar um dente de leite que me tinha ficado da puberdade? …

Sabe-se, [só] agora, que Michael Jackson em pessoa, ele mesmo, falhou uma reunião de trabalho no World Trade Centre, naquela manhã fatídica. E isto não é nem marketing nem publicidade. Apenas informação relevante que teve de ser mantida em segredo durante dez anos. Muitos fãs teriam sucumbido a tamanha emoção. Ah, uma quase morte. Ah, uma partida do destino. Fiquei bastante sensibilizado com esta notícia chocante que, mais do que qualquer outra do género, fez-me levantar os cabelos em pé. A visão do Rei da Pop esborrachado por uma turbina de um Boeing 757 deixou-me estarrecido. Foi muito bom saber que no dia 11 de Setembro o MJ não estava no World Trade Centre, que estava noutro sítio qualquer e a fazer uma coisa, qualquer. É o que dá ter sentido de oportunidade.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Gritar Para O Outro Lado Da Montanha!


A raiz do problema, na sua essência, nada tem a ver com a simples mudança de opinião em si. Mudar de opinião não é assim tão mau. Melhor, mudar de opinião não é mau nem é bom, é apenas uma das formas e possibilidades possíveis, ao longo de um determinado espaço temporal, de ver e de pensar sobre uma questão ou assunto. Mudar de opinião relativamente a qualquer coisa, especialmente se daí advierem proventos generalizados pode ser, sem a menor sombra de dúvida, uma tomada de decisão acertada e até inteligente.

Reparem que eu não quero entrar pelo campo dos valores nem dos princípios. Todos temos os nossos. Uns mais iguais do que outros. E nem digo melhores ou piores. Sinto, isso sim, que mudar de opinião acontece frequentemente e cada vez mais. Eu próprio mudo de opinião várias vezes, noto-o. Deito-me a assumir um compromisso quase certo com umas torradas na pastelaria Versailles e acordo a sucumbir ao chamamento do galão pingado com pastel de nata do Pingo Doce. E é quando me sinto um verdadeiro troca-tintas, a mudar enquanto o diabo esfrega o olho, inocentemente.

O Hélio, se bem me lembro, ele que aos trambolhões foi recentemente promovido a figura pública nacional, conseguiu ser o primeiro a mostrar-se devastado com a sua impensável ascensão mediática. Deixem-me trabalhar, terá dito o rapaz já quase em pânico, imaginando-se, daí para diante, uma potencial vítima dos ataques de paparazzis ao serviço do Correio da Manhã. Ou seja, um dia a cheirar a gordura e a banha de porco, o outro a emprestar a carantonha em tudo o que é computador e revista. Esta semana choquei com o Hélio a apresentar um programa de televisão. Todo ele deslumbramento. Ar de cool. Não só fiquei com medo, como fiquei mesmo com muito medo. Que não se esqueça qual a diferença entre um prego e um bitoque com batata frita. Saber mudar pode ser um acto de inteligência.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A Brusquidão De Um Ângulo Recto!

Querem matar o Magalhães e isso, mais do que deixar-me preocupado, deixa-me profundamente desconfiado relativamente à existência de um qualquer tipo de plano B para o sector da Educação. Apesar das más-línguas, sempre achei o Magalhães um tipo conceptualmente porreiro. Bem composto e com os bits todos no sítio, certinho e possuidor dos devidos anti-corpos para resistir ao lado mais obscuro do ciberespaço, granjeou a simpatia na franja pré adolescente do espectro social. Aparecido de dentro do nada político, deu um ar de novo-riquismo à escola pública nacional e foi capaz, de uma forma mais ou menos ilusória, de juntar os filhos de assalariados e subsidiodependentes à volta de um teclado de computador.

Talvez um pouco azul em demasia para alguns gostos, algo que umas pintalgadas de escarlate lhe fariam arrebitar o hardware, nasceu envolto em controvérsia e assim mais ou menos que para o torno. Confusões de concursos e adjudicações ad hoc, politiquices intercontinentais com ditadores da América do Sul, resistências internas e piadas de pacotilha, enfim, o pior do marketing político ao serviço de um determinado projecto (a ter havido um). Porém, agora que estamos todos contentes porque as coisas mudaram, vão reavivar as mais dolorosas memórias do Holocausto e enviar o Magalhães para o forno crematório. Sim, colocá-lo em banho-maria, dizem.

Sinto que, nesta altura, voltar a assobiar o Magalhães é pior do que assobiar o Cristiano Ronaldo, que é “bonito, rico e grande futebolista”. O Magalhães não é bonito, rico e que se saiba não se lhe reconhece qualquer capacidade a jogar com os dois pés. É apenas mais uma visão ou um possível rumo que vai pelo esgoto abaixo. Continuamos sem perceber se queremos branco ou tinto, se preferimos branco ou preto, frio ou calor. O problema é tão-somente esse. Quanto ao Magalhães, até lhe podem chamar lancheira ou caixa do berbequim; os Estrunfes também passaram a Smurfs e ao que se sabe ninguém morreu de desgosto.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Se Uns Riem Outros Batem Palmas!


A ideia defendida pelo comissário europeu Gunther Oettinger de colocar a meia-haste a bandeira dos países europeus devedores é sólida e tem pés para andar. Logo à partida porque, analisando a afirmação à luz da mais pura essência das ideias, esta é daquelas do género que pode catalogar-se, e sem pestanejarmos duas vezes, de original e boa, facto que, em consequência e à cabeça, a torna demolidoramente fantástica e brilhante. Atendendo, também, ao momento actual, arrisco mesmo a dizer que este é o golpe de mestre a que o próprio Keynes nunca chegaria e que vai ser, seguramente, a luz ao fundo do túnel de que todos estávamos à espera. Especialmente os gregos.

Não tivesse a ideia sido apresentada por um alemão, e, pelos vistos, dos bons; forte, inteligente, grandalhão e com farta cabeleira loira, a sua consistência como ideia boa e fantástica seria, sem a menor sombra de dúvida, afectada. É por isso, nestas alturas, que dou graças a Deus pela ineficiência dos nossos eurodeputados que, é quase certo e não estou a deitar-me a adivinhar, na mesma situação e a abrirem a boca, perderiam o tempo de antena com posições anti-visionárias e a falar de agricultura, pescas, emprego, segurança social e outras balelas que tais.

Essa imagem dos mastros com as bandeiras em posições desfasadas, efeito que pode até imaginar-se assim pró chocho em dias de pouca ventania mas que deve ser, em contrapartida, uma emoção esfuziante em dias de tempestade e ciclones acima de grau dois é, inquestionavelmente, uma manifestação de bom senso, visão de conjunto e sentimento de união bem presentes na posição do eurodeputado alemão. Desse alto e baixo de bandeiras desconcertante, imagino um hino ao Gráfico de Gantt e uma homenagem mais do que merecida aos gráficos de colunas empilhadas a 100% com visionamento 3D.