Eu até que gosto. A sério. E quando me dá vontade, uma daquelas às quais nem interessa sequer fingir que se consegue resistir, agarro-me a um pratinho convenientemente atestado e toca de me por a encher a barriga.Realmente, bem vistas as coisas, acaba por ser daqueles pecados que me tem acompanhado ao longo dos anos, pequena facada nas costas na coerência do meu próprio crescimento ou, enveredando por caminhos mais extremistas, um ataque suicida à minha já escassa maturidade.
É muito provável que aqueles pedaços de farelo açucarado, por si só, não fossem capazes de ter criado esta relação estranha de dependência. Mas aquilo misturado com leite transforma-se numa mistela de tal forma viciante, que se acham que alimentar burros a pão de ló é uma despesa enorme, então, é porque nunca me viram a encher o carrinho do supermercado com embalagens deste pó ao qual deram o nome de nestum.
Acho uma piada enorme aos antigos lideres e elementos das juventudes partidárias, aqueles acabadinhos de sair da fábrica do endoutrinamento ideológico. Os masculinos, pelo menos. Quando são das jotas pulam, refilam e vestem qualquer trapinho. Depois, quando passam aos seniores, aquilo deve-lhes fazer ali um qualquer curto de circuito que começam logo a armar-se em gente crescida. Olham em frente e dizem que sim a tudo. Agora, está na moda deixarem crescer umas barbinhas de homem grande. Acham eles que aquilo lhes disfarça a carinha de menino desmamado e a cheirar a leite. É a credibilidade, julgam.
Credibilidade não é deixar crescer a barba, vestir fato e gravata e falar caro. É, no mínimo, provar que se é diferente dos muitos maus exemplos que por aí andam a encher o bandulho. E não é de nestum, garanto-vos.


















