Não há dias melhores do que outros para reflectir. No fundo, todos os dias contam para tudo. E no que diz respeito a reflectir não se abre daí nenhuma excepção à regra. Frágeis, contudo, tememos o tempo porque o não sentimos nosso. O que nos torna reféns dos relógios, dos calendários e das agendas. Mas nada mais do que uma ilusão vã de posse. Um engano. Um que, enfim, aceitamos. E, submissos, gostamos.É que não precisamos sequer de passar os dias a reflectir. Acima de tudo o que temos é de viver. E agir é bem mais real do que pensar. Que, sem se sentir, pode magoar bem mais e abrir feridas bem mais profundas. Às vezes reflectir muito não implica, necessariamente, decidir melhor. Há o instinto, a vontade, o sabor. É preciso saber ver, também.
Óbvio que quando se reflecte tiram-se conclusões e podem-se descobrir soluções imprevistas e inimagináveis. Aprende-se com os erros. Percebe-se que há um bem e que há um mal. Sente-se que, no fundo, mudar até pode ser o caminho mais lógico a seguir. Todavia, reflectir pode ser apenas uma boa maneira de dar dois murros na mesa, e de alertar para que todos oiçam que aqui, agora, o que é realmente necessário é ganhar forças e agir dizendo BASTA.