sábado, 19 de setembro de 2009

A Política do Botabaixismo!

Sendo esta uma expressão da moda, génese de trica partidária e confronto verbal, em que se discute a força dos verbos e a mensagem que pretendem transmitir, aqui ficam alguns outros, diferentes, mas suficientemente capazes de deixar qualquer um à beira de um ataque de nervos, especialmente em manhãs de sábado.

Têm por única vantagem o facto de não se associarem nem a governo nem a oposição, mesmo em época de campanha eleitoral, em que tirar olhos, cuspir na cara ou puxar os cabelos faz parte da rotina diária e da táctica do quem vai à guerra dá e leva.

1. Engomar
2. Limpar (o pó)
3. Lavar (a casa de banho)
4. Aspirar
5. Arrumar (a tralha)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Santos Da Casa Não Fazem Milagres!

O Brasil parou para assistir ao último episódio daquela novela à moda das índias. Isto só me faz-me chegar à conclusão que continuamos no bom caminho rumo a um país mais culto, educado e competente, tal a veneração que por aí se vê, face a este prodígio da ficção.

Para que não haja dúvidas, eu também adoro aquela meia dúzia de actores brasileiros caracterizados com pintas na testa e vestidos de lençóis até aos pés. É que adoro mesmo. Especialmente a técnica do balbuciar palavras/expressões indianas é algo que mexe comigo, pois faz-me lembrar o Chewbacca, da Guerra das Estrelas, personagem que sempre admirei devido aos elevados dotes de oratória.

De tudo, mas mesmo de tudo, o que mais adoro é o argumento dos que afirmam que as novelas são óptimas para educar as massas, que se aprende muito com aquilo, mesmo muito mais do que na escola. Sim, no Brasil, as novelas servem para educar o povo, para passar mensagens, para enraizar hábitos, para disciplinar e moralizar.

Próximo passo? Fechar as escolas e construir favelas ali para os lados do Parque do Monsanto. Beleza, né?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Falar Sem Dizer Nada!

Não há volta a dar!
É impossível devolver a dignidade que esta roda maravilhosa merece, tal o conjunto de difamação associada, permanente desdém e achincalhamento em praça pública.

O simples pensamento de ser bombardeado com publicidade subliminar, durante uma sessão de cinema, faz-me imaginar o dia triste em que, chegado a casa, não conseguirei parar de beber Coca-Cola enquanto não cair para o lado ou enquanto não imitar um hipopótamo africano que consegue abanar os alicerces do prédio ao primeiro arroto.

Mas isto até é algo com que vamos vivendo e daqui até nem vem extraordinário mal ao mundo. Especialmente quando se quer continuar a ir aos filmes, quanto mais não seja para ver a Soraia Chaves na sua caminhada rumo ao Óscar da melhor qualquer coisa.

Difícil mesmo será conseguir reabilitar a figura idílica de tomates, grelos, cenouras, leite ou melões. Isto sem querer ser exaustivo, sob pena de cair no erro de contribuir para tal enfermidade. Até porque tenho a certeza que, subliminarmente, claro, cada um de vocês, a esta altura, já deve estar a contextualizar, no mínimo, exemplos totais a rondar o número de desempregados em Portugal.

Depois de assistir a espontaneo veraneante numa tradução livre, para inglês, do "Quero cheirar teu bacalhau...", vocês percebem esta minha indignação. Haja respeitinho!

domingo, 6 de setembro de 2009

No Sítio do Pica-Pau Amarelo!

A minha vida sexual anda na mó de baixo!
Enfim, em sentido figurativo não é nada que me surpreenda, pois isto do ora estar em baixo ora estar em cima até é algo com que, nós homens, vamos aprendendo a conviver e a aceitar como uma característica intrínseca ao facto de se ter uma pila e de, de certa forma, se gostar de a utilizar em situações que não apenas para evitar a morte por retenção de líquidos.

Mas parte pior de tudo isto, para além da vida sexual de uma pessoa andar na mó de baixo, claro está, é ter de conviver com vizinhos que são uns absolutos egoístas e insensíveis de um raio. Pessoas sem o mínimo de amor pelo próximo e com uma total falta de compaixão pelos ocupantes das camas vazias.

Sim, pior do que adormecer com os pés frios é acordar de madrugada como se tivéssemos um estúpido dum pica-pau na cabeça a martelar-nos o cocuruto. Quem diz um pica-pau diz um saudosista das minas da Panasqueira, da época em que a exploração mineira se fazia apenas à força da picareta. E mesmo assim, como se levar bicadas na tola não fosse já algo suficientemente mau, toca de lhe juntar uma pitada de uns excertos vocais de música clássica, à la Montserrat Caballe, com solfejos em dó menor assim a descair para a morte por afogamento.

Afinal o chato do cão dos vizinhos do 3ºA até nem é assim tão chato...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Press The Button!

A sexta-feira acordou com azia e a precisar de uma valente dose de guronzan. Aliás, a quinta-feira adormeceu embrulhada na mais estonteante bebedeira partidária, pelo que se justifica as medidas extremas e radicais de combate à tontura e à indisposição.

Mandaram calar a MMG e parece que o país foi varrido por um sismo de n+1 na escala de Richter. Eu que até já tinha pensado colocar esse acontecimento como primeira prioridade na carta ao Pai Natal, para este ano, fico agora com um ligeiro sentimento de remorso. Ter-se-á este meu estado de espírito espalhado por telepatia?

Enfim. Que a coisa não é bonita não é. Mas que as estava a pedir, lá isso estava.
Só tenho pena que tenha de ter sido um espanhol a "carregar no botão".

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Os Cavaleiros da Távola Redonda!

E foram inventar essa coisa do Debate Televisivo para quê?
Para esclarecer o eleitorado? Para apresentar ideias novas? Para debater ideias?

Vá que para estratégia do tudo ao molho e fé em Deus já nos basta a do Carlos Queirós, na Selecção Nacional e que, porventura, juntar à mesma mesa os lideres do PS, PSD, PCP, PP e BE seja algo bem mais arriscado do que chocalhar átomos de hélio com hidrogénio.

Ainda assim, a maratona de DEZ debates em parelha vai custar mais de assistir do que, de facto, correr 42km, sem sapatilhas e sobre brasas. É que alguns vão ser tão interessantes que já só penso na técnica do beliscão e do alfinete, para não me deixar levar pelo sono.

Ora aí está um exemplo em que um pouco de sal e pimenta não fazia nada mal.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ouvidos de Mercador!

Ultimamente tenho andado distraído. Mas até me parece normal, atendendo à altura do ano. Se assim faz parte das férias, este estado de espírito, deixem-me então gozar estes momentos de alienação pessoal. Não de loucura, apenas de afastamento, mesmo.

Na TV, um anuncio estimula o atento telespectador a fazer um exame gratuito de acuidade auditiva. Como oferta, o último CD do Marco Paulo.

E anda meio mundo preocupado com os Direitos Humanos em Guantánamo...

Mandem vir a rebarbadora, se faz favor!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Comer o Pão Que o Diabo Amassou!

E que mal tem gostar de comer um pão fresquinho e acabadinho de fazer? Um que vá bem assim com qualquer recheio, dependendo do gosto. Um que saiba, que cheire e que se pareça, verdadeiramente, com pão. Mas um pão real, nada de imitações baratas, plásticas e borrachentas.

Chamem-lhe vocês carcaça ou papo-seco, tem é de ser fresquinho. E já agora, que se mantenha com estilo e compostura, no mínimo, de um dia para o outro. Nada de pão armado em gata-borralheira, que não se aguenta à bronca depois da meia noite.

Anda por aí uma conspiração qualquer contra as sandes de manteiga, de banana, de fiambre, de queijo, mistas, torradas, tostas...eu sei lá. Há supermercados que, por amor de Deus, são eles a fazer pão e eu a fazer tricot, semelhantes na técnica e idênticos nos resultados. Desastre completo.

Se querem ir à loucura passem pelo Continente e vejam o que quero dizer. Mais depressa se come um cacete da padeira de Aljubarrota, que um quarto de trigos feito por estes incompetentes.

sábado, 29 de agosto de 2009

Agarra Que é Ladrão!

Podia eu ter saído de um qualquer banco desta cidade, afogueado e agarrado a um saco cheio de milenas que mesmo assim, de certeza, incauto transeunte que me pusesse a vista em cima assobiava para o lado e fingia não me ter visto.

Ontem, depois de anos de miraculoso sossego, a minha rinite alérgica lembrou-se de dar sinal de vida. Surpresa total, confesso. É que nem os ursos polares hibernam por tanto tempo, e não posso sequer dizer que tenha massa adiposa em quantidade suficiente para que tão indesejável maleita se tenha conseguido aguentar adormecida e saudável durante estes anos todos.
Resultado-1?
Espirros, avermelhamento dos olhos, corrimento nasal, blá, blá, blá, blá...o habitual, sensações antigas e desconfortáveis.

Resultado-2?
Passar a ser o centro das atenções. O que até pode nem ser mau, estando-se rodeado por meia dúzia de coelhinhas da playboy. Mas não neste caso. Os olhares foram mais do que ferozes, mais do que ameaçadores. Os olhares roçaram a repulsa, o medo, o ódio. Fiquei com a sensação que, se pudessem, tinham-me fuzilado ali mesmo, sem sequer ser preciso encostarem-me a uma parede.

Pelo que vejo, a próxima variante da Gripe A já está em mutação. Eu por mim espero que lhe chamem Gripe B, variante humana da gripe dos burros.

PS: Se se cruzarem com alguém na rua nestas condições esqueçam, não sou eu. Não faço ideia do gosto do Tamiflu mas conheço bem essa pequena maravilha farmaceutica chamada Aerius. Problema resolvido.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Cabeça no Ar e Pés na Terra!

Se até estavam a pensar ir de férias nestes próximos dois dias, assim para aquele destino há muito desejado, mesmo que se tenham esquecido da embalagem de 10 drageias de Vomidrine em casa, nada de pânico. Aproveitem antes para beber uns canecos valentes na zona freeshop do aeroporto, local onde a cerveja ainda não é do tipo mijoca inglesa e onde o sintoma do vómito artístico não é assim tão incómodo e não dá tanto nas vistas.

A greve anda aí e desta vez mexe com malas. A fazer conta ao aviso, parece que só se escapam as da raça da bagagem de mão, mas nem todas, pois há que ter atenção às marcas. Mesmo assim, o mais certo é nem sequer chegarem a levantar voo, pelo que o melhor mesmo é abancar por ali pelos lados da portela e assentar arraial na zona internacional. O que não deixa de ser fino. Sempre podem dizer que estiveram no estrangeiro. Ou na terra de ninguém, vá. Entretanto experimentem o fato de banho que deve ficar a condizer com as letras amarelas e ao gosto do ar condicionado marado.

Gostei particularmente do sindicalista beto, de melena amarela e ondulada, estilo praia dos tomates. "Se num dia normal isto já é o caos, então amanhã nem quero imaginar". Excelente, perfeito, lindo, digno de um verdadeiro trabalhador português que gosta do que faz e não se coíbe em publicitar a sua arte de bem fazer diária.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Felizmente, Não Foi o Mordomo!

Depois da novela da Casa Pia, isto da morte do MJ tem sido um motivo invulgar de distracção, especialmente neste período de férias em que fugiram todos. Os filmes no cinema são péssimos, as entrevistas nos telejornais uma seca, as capas das revistas uma monotonia...

Homicídio ou não? Digam-me vocês, leitores atentos a este mundo insano e incontrolável.
Ele até era uma arrecadação ambulante de drunfos e analgésicos. Uma criatura de hábitos sedantes, diários. Mas enfim, as televisões não podem parar no Verão. Alimenta-se o monstro.
Felizmente, não foi o mordomo. Isso teria, na certa, metido facada de cutelo ou paulada com taco de baseball. Nada de abusar!

domingo, 26 de julho de 2009

Chicotadas de Amor e Carinho!

Não sou particular fã dos programas de "encher chouriço", aqueles cujo objectivo é, simplesmente, ocupar manhãs e tardes inteiras, e durar e durar e durar...

Os americanos são especialistas nesse tipo de frivolidades. Às quais juntam toneladas de publicidade paga a peso de ouro. Enquanto, ultimamente, a Oprah anda entretida a chorar lágrimas de crocodilo à conta da carne para canhão que diariamente arrisca o pêlo no Iraque e no Afeganistão, já a Tyra continua a educar a juventude do país mais desenvolvido do mundo com tiques e técnicas de país subdesenvolvido da América do Sul.

Enfim, cada um tem o que merece e, sem dúvida, os americanos têm o que merecem.

Mas o meu favorito é o Phill, sim, o doutor careca com pinta de merceeiro. Aquilo é que é reduzir à insignificância os coitados dos "american citizens". E para ser excelente só falta mesmo chamar-lhe nomes. Ou bater-lhes com um pau. Pelo menos que eu tenha visto ainda não aconteceu. Mas ainda não perdi a esperança.

Se nunca viram e se sente a arder por dentro uma chama voyerista, uma vontade secreta de constatar que o Ser-Humano pode ser interessantemente estúpido e fútil ao mesmo tempo, então dêem uma espreitadela neste senhor sabichão.

Todavia, não aconselho vivamente a fazerem o exercício mental de tentar imaginar os podres deste Deus da TV Americana. Para alguém que demonstra tamanhos predicados, sapiência e capacidade de agir de acordo com a Moral e os Bons Costumes, no mínimo, é algo de arrepiar os pêlos das virilhas e de dar comichão nos dedos dos pés.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Presunto Laminado!

Não há homem nenhum que não tenha algo para contar no que ao acto de barbear diz respeito. Maldito aquele momento de distracção que quando se dá por ele já está, mais um bife que de secretos de porco preto pouco tem de porco ou de preto, conforme a perspectiva espacial da coisa.

A primeira vez que agarrei numa lamina de barbear; longe de algo idêntico ao carinhoso bebé, da Gillette, pêlo havia pouco, desde a tibio-társica ao nariz. Ainda assim, aquele cheirinho da espuma de barbear, borbulhante em pincel felpudo, já dava para sentir qualquer coisinha. Uma espécie de adubo para a tão desejada barba rija.

Ontem, numa visita de médico ao supermercado, dei conta que já há "máquinas de barbear" com cinco lâminas. CINCO??? CINCO??? Por este andar, com esta embalagem de evolução tecnológica, quando se chegar às dez lâminas, é carregar no botão e aquilo faz tudo sozinho.

Deitou-se tarde? Acordou cedo? Não consegue abrir os olhos de tanto sono? Sai um bifinho para mesa cinco, sff.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Portugalidades!

O aniversário dos 40 anos da chegada do Homem à Lua foi celebrado com pompa e circunstância. A devida, diga-se. Uma vez mais, o feito extraordinário de Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins foi lembrado e assinalado de lés a lés. E todos ficámos nostálgicos e fascinados.

Mas senão quando, via telejornal, fiquei a saber, também, que os remates finais da famosa bandeira cravada em solo lunar foi obra de uma bordadeira portuguesa.
No fundo, sempre acreditei que aquele marco da história da humanidade tinha de ter ali um dedinho português. Aliás, como poderia ser de outra forma? Então, enchi o peito de ar e pensei, boa! E passados cinco minutos, "os chapéus usados no mais recente filme com Johnny Depp foram feitos em Portugal". Bingo! Que bem que sabe acabar assim o dia, até se dorme melhor... Isto sim são notícias agradáveis e deveras relevantes...

Uau! Ou melhor, duas vezes uau! Somos mesmo bons. O que seria deste planeta azul sem nós? Espero é que nunca ninguém se lembre de abrir o telejornal com exemplos das mais obscuras e sinistras marcas da Portugalidade. Aquelas que ninguém quer contar...ou saber.

1. O estilo do bigode de Adolf Hitler foi-lhe aconselhado pelo seu barbeiro, português, Felizmino Crespim.
2. As sandálias usadas pelo Bin Laden são de fabrico nacional, feitas numa empresa do Vale do Ave.
3. O Berlusconi tem um apartamento na Conde Redondo.
4. A operadora que recebeu a chamada de pedido de socorro de casa do Michael Jackson é uma emigrante portuguesa nos EUA, à pergunta de "what should I do now?", respondeu, "give him a leth(g)al injection..."
5. 90% do Urânio da Bomba Atómica de Hiroshima era proveniente de minas portuguesas.
6. ....


PS: Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas ou factos reais é pura coincidência.

sábado, 18 de julho de 2009

Cada Macaco No Seu Galho!

Sou um fã confesso da ficção em sentido lato. Da imaginação sem fronteiras. De "tudo" o que possa ser considerado incrível, irreal, surreal...fantástico. Ainda assim, nunca me apeguei ao fenómeno Harry Potter. Bruxarias infantis? Não obrigado! O que é que querem? Chamem-me nomes, vá, chamem...

Tenho visto uns trailers do mais recente filme da saga. E longe de mim ganhar vontade para agarrar nos calcantes e ir até ao cinema comprovar, in loco, que já há por ali mais testosterona a fervilhar, que personagem original propriamente dita.

O Harry dos livros até pode ser um puto com jeito para as bruxarias, para a palermice e para a estupidez natural próprias da infância. Já o Harry & Friends deste Chapter Six, ao que me parece, é que de experiências sexuais manualmente assistidas, bebedeiras de caixão à cova, acne selvagem e cogumelos fumegantes, enfim, venha o diabo e escolha. Isto é a morte cinematográfica de um herói que hipnotizou milhões por esse mundo fora.

Faz-me lembrar quando vi o Indiana Jones e a Caveira de Cristal. Um acordar violento de um estado hipnótico que durou 20 anos, sem recurso a estalido de dedos ou lambadas na cara.

Harry Potter is dead...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Santos de Pau Carunchoso!

Mais depressa percebo de integrais múltiplos que de crianças. A sério, esta sensação de inaptidão natural para com a miudagem é algo que, desde que me conheço, obscurece desde sempre uma das partes do meu cérebro. Bem sei que vendo a coisa pelo lado positivo até posso dizer que não se pode ter tudo. Que saber fazer umas quantas contas também dá o seu jeito. Mas, mesmo assim, entendo que não é preciso perceber de integrais ou de primitivas para se saber quanto se pagou de conta no supermercado e que, por outro lado, ter alguma aptidão para levar por diante a educação de um filho, isso sim, deve ajudar bem mais.

Em tempos ouvia-se muito a frase "dar aos filhos o que nunca se teve". Parece-me assim uma visão melodramática do crescimento da espécie mas, enfim, há quem goste de fazer da sua vida um drama constante, quanto mais não seja para se sentir um pequeno centro de atenções. Ainda que os tempos tenham mudado. E para melhor.

Faço parte da geração do Spectrum 48k, do Comodore Amiga, do Dartacão e do Fá. De uma maneira geral, "tivemos" um pouco de tudo. Crescemos de uma forma saudável. Brincámos na rua. Venerámos o aparecimento do Walkmen. Endeusámos os primeiros concertos de estádio. Fizemos as nossas patifarias. Jogámos ao "Bate Pé" e à "Mosca". Vibrámos com as nossas greves estudantis.

Quer-me a mim parecer que muitos dos meus pares de geração vivem obcecados com o crescimento dos filhos. Não no sentido saudável do termo, se é que existe algo de saudável em ser se obcecado, mas porque se deixaram dominar por um estado sócio/paranóico de quererem regulamentar, ponto por ponto, o comportamento dos rebentos, tornando-os velhos antes do tempo.

Não me espevita particularmente quando oiço alguém dizer, feliz da vida, que o filho tem um "comportamento tão adulto", "tão novinho e já fala inglês", "é tão maduro para a idade dele", "deixa tudo tão arrumado que já parece um homenzinho", "para criança tem um vocabulário tão elaborado", "é muito consciente daquilo que faz",...

Preocupa-me saber que por esses lares fora, pode haver malta da minha idade, homens e mulheres - trintões -, que se divertem a ler aos filhos, em voz alta, o Jornal Expresso, que os obrigam a saber na ponta da língua os resultados das eleições europeias, e lhes contam histórias acerca das aventuras do Dr Santana Lopes.

Mas quem sou eu para dizer que nos tornámos todos nuns chatos, e logo eu, que não percebo nada de xuxas nem de biberões...

sábado, 11 de julho de 2009

Do Outro Lado do Mundo!

Do outro lado do mundo tudo é diferente. Não há tempo como o nosso. Vive-se e pronto.
Do outro lado do mundo chega-se e sente-se que o calor tem outra força. Toca-nos de mansinho mas entranha-se num ápice e sem pedir licença.
Do outro lado do mundo os dias podem ser tudo aquilo que quisermos. Basta querer, ter ideias.
Do outro lado do mundo há dias em que apenas se pensa no que ficou para trás. Outros em que não se pensa em nada.
Do outro lado do mundo riscam-se as semanas com um lápis. Vêem-se passar os meses pelos dedos de uma mão.
Do outro lado do mundo crê-se que ali se está melhor. E deseja-se o outro lado do todo. Aquele que ficou longe.
Do outro lado do mundo os dias e as noites rebolam agitados. Rolam até ao último e determinante segundo.
Do outro lado do mundo sonha-se com o regresso. Fui e vim. Regressei.
Um abraço para o outro lado do mundo!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Mais ou Menos Isso ou Algo do Género!

Hora em diante vou estar ainda mais atento quando me der para pegar nesse jornal. Daquelas fraquezas infelizes e incontroláveis que nem com exorcismo o caso se resolve. Daquelas que quando se dá por isso vamos a ver e pronto, já não há nada a fazer. Mas o problema está mesmo é em mim, que não aprendo, e ainda me ponho para aqui a armar-me ao pingarelho numa de ser contra o preconceito e a imprensa das elites.

Foram, ontem, ao Festival Optimus Alive? Digo-vos que valeu a pena!

Mas hoje li assim; "...vocalista dos Machine Head anunciou que a mãe só está no país há um dia mas já se sente 100% portuguesa." (What?????)

Digamos que não gosto particularmente de ficar com o calçado cheio de pisadelas, com a roupa a cheirar a charros, ou com dores nos joelhos como se tivesse acabado de correr a maratona. Ainda assim, prefiro continuar a ir aos concertos para me divertir e saber que saio de lá com uma sensação de bem-estar, bem como de que dei por bem empregues o meu tempo e dinheiro. E isso aconteceu ontem, garanto-vos.

Espanta-me que um senhor, dito jornalista, profissional de carreira e encartado, que a fazer crer por esta frase me dá a sensação de que deve ter visto o concerto mas na Sic Radical, escreva uma barbaridade destas. É que dá uma imagem de tótó do vocalista dos MH, que até pode ter aspecto de porco espinho com brinco no nariz, mas, coitado, no mínimo ainda deve ter um tico e teco que funcionem sem ser em curto-circuito.

Sr. Jornalista, a senhora mãe não era do vocalista. A senhora mãe era do guitarrista. E a senhora mãe, por acaso, até é portuguesa, mas emigrante nos EUA desde criança. Ou seja, aquela era, de facto, a primeira vez que a senhora mãe estava em Portugal. E de facto, apesar de ter dito thank you, a senhora mãe é portuguesa até à raiz dos cabelos. Algo que deve dar para aí como que algo bem perto dos 100%. (Got it???)

Para o ano largue as pantufas e vá sujar o sapatinho, ou então, se lá esteve mesmo, aconselho-o a que vá reciclar o seu inglês, ajuda.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tiro aos Patos!

Os patos, pelo que me é dado a saber, são aves pesadas e com alguma dificuldade em manobrar. Acredito que a envergadura de asas possa até não ser um problema, que o bico achatado não seja nenhum inconveniente aerodinâmico mas a verdade é que, bem vistas as coisas, melhor para alvo em movimento não há.

E quando são daqueles gorduchinhos, assim com uma barriguinha redondinha e jeitosa, imagino que aquilo até deva dar vontade de fazer cócegas no gatilho, ou de fazer o gosto ao dedo, como se costuma dizer. Ainda eles não entraram em velocidade de cruzeiro e toma que lá vai disto, chumbada de meia-noite para o espaço vazio. O pior é que, por este andar, chumbo após chumbo, disparo após disparo, parece que mais difícil só mesmo matar melgas em noites de Verão.

Mesmo assim, entre patos e marrecos algum se há-de safar. Eu até tenho pena de uns e de outros, patos e marrecos. Cada um à sua maneira, acabam por ter o seu encanto. Preocupa-me é saber que andam patos vestidos de azul e a andar em carros brancos com sirenes. Ou os políticos olham para isto com olhos de ver ou vamos passar a comer arroz, de pato, a todas as refeições.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Justiça Divina!

Não faço intenção de esquartejar ninguém, e não percebendo nada de gestão, não sendo eu empresário nem muito menos banqueiro, posso estar devidamente descansado, sem qualquer necessidade de arranjar esquema milagroso que me salve de ver o sol listado às riscas.

Ter o caso especial relevância ou, por outro lado, não ter o caso importância nenhuma, a bem dizer, nada disso interessa verdadeiramente. Na hora de se fazer justiça, mais do que falsamente cego, surdo e mudo, o sistema sofre hoje de reflexos induzidos, que se parecem com espasmos musculares assim a atirar para a ejaculação precoce.

De uma maneira geral temos a ideia de que ter pilim é meio caminho andado para conseguir mexer uns cordelinhos. Mas agora, também, o que se constata é que, importante mesmo, é ter o número de telefone de uma televisão generalista, para tentar fazer daquilo a maior notícia do mundo e arredores, e ir fazendo render o peixe até que alguém quebre ou ache que se está a levantar muita poeira.

O Martim até é um miúdo engraçado. Pelo menos é o que dizem. E eu, pessoalmente, nada tenho contra o Martim. Aliás, que cresça com saúde e que tenha o dobro da sorte dos pais. Ou, no mínimo, que faça por isso. Mesmo sem o saber, o Martim é muito mais do que um simples miúdo. É mais uma prova de que, hoje em dia, acima de tudo, o que é preciso é cair nas graças das televisões ou de algum jornalista em inicio de carreira.

Viva a justiça divina, ao vivo, em directo e a cores...