quarta-feira, 22 de julho de 2009

Portugalidades!

O aniversário dos 40 anos da chegada do Homem à Lua foi celebrado com pompa e circunstância. A devida, diga-se. Uma vez mais, o feito extraordinário de Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins foi lembrado e assinalado de lés a lés. E todos ficámos nostálgicos e fascinados.

Mas senão quando, via telejornal, fiquei a saber, também, que os remates finais da famosa bandeira cravada em solo lunar foi obra de uma bordadeira portuguesa.
No fundo, sempre acreditei que aquele marco da história da humanidade tinha de ter ali um dedinho português. Aliás, como poderia ser de outra forma? Então, enchi o peito de ar e pensei, boa! E passados cinco minutos, "os chapéus usados no mais recente filme com Johnny Depp foram feitos em Portugal". Bingo! Que bem que sabe acabar assim o dia, até se dorme melhor... Isto sim são notícias agradáveis e deveras relevantes...

Uau! Ou melhor, duas vezes uau! Somos mesmo bons. O que seria deste planeta azul sem nós? Espero é que nunca ninguém se lembre de abrir o telejornal com exemplos das mais obscuras e sinistras marcas da Portugalidade. Aquelas que ninguém quer contar...ou saber.

1. O estilo do bigode de Adolf Hitler foi-lhe aconselhado pelo seu barbeiro, português, Felizmino Crespim.
2. As sandálias usadas pelo Bin Laden são de fabrico nacional, feitas numa empresa do Vale do Ave.
3. O Berlusconi tem um apartamento na Conde Redondo.
4. A operadora que recebeu a chamada de pedido de socorro de casa do Michael Jackson é uma emigrante portuguesa nos EUA, à pergunta de "what should I do now?", respondeu, "give him a leth(g)al injection..."
5. 90% do Urânio da Bomba Atómica de Hiroshima era proveniente de minas portuguesas.
6. ....


PS: Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas ou factos reais é pura coincidência.

sábado, 18 de julho de 2009

Cada Macaco No Seu Galho!

Sou um fã confesso da ficção em sentido lato. Da imaginação sem fronteiras. De "tudo" o que possa ser considerado incrível, irreal, surreal...fantástico. Ainda assim, nunca me apeguei ao fenómeno Harry Potter. Bruxarias infantis? Não obrigado! O que é que querem? Chamem-me nomes, vá, chamem...

Tenho visto uns trailers do mais recente filme da saga. E longe de mim ganhar vontade para agarrar nos calcantes e ir até ao cinema comprovar, in loco, que já há por ali mais testosterona a fervilhar, que personagem original propriamente dita.

O Harry dos livros até pode ser um puto com jeito para as bruxarias, para a palermice e para a estupidez natural próprias da infância. Já o Harry & Friends deste Chapter Six, ao que me parece, é que de experiências sexuais manualmente assistidas, bebedeiras de caixão à cova, acne selvagem e cogumelos fumegantes, enfim, venha o diabo e escolha. Isto é a morte cinematográfica de um herói que hipnotizou milhões por esse mundo fora.

Faz-me lembrar quando vi o Indiana Jones e a Caveira de Cristal. Um acordar violento de um estado hipnótico que durou 20 anos, sem recurso a estalido de dedos ou lambadas na cara.

Harry Potter is dead...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Santos de Pau Carunchoso!

Mais depressa percebo de integrais múltiplos que de crianças. A sério, esta sensação de inaptidão natural para com a miudagem é algo que, desde que me conheço, obscurece desde sempre uma das partes do meu cérebro. Bem sei que vendo a coisa pelo lado positivo até posso dizer que não se pode ter tudo. Que saber fazer umas quantas contas também dá o seu jeito. Mas, mesmo assim, entendo que não é preciso perceber de integrais ou de primitivas para se saber quanto se pagou de conta no supermercado e que, por outro lado, ter alguma aptidão para levar por diante a educação de um filho, isso sim, deve ajudar bem mais.

Em tempos ouvia-se muito a frase "dar aos filhos o que nunca se teve". Parece-me assim uma visão melodramática do crescimento da espécie mas, enfim, há quem goste de fazer da sua vida um drama constante, quanto mais não seja para se sentir um pequeno centro de atenções. Ainda que os tempos tenham mudado. E para melhor.

Faço parte da geração do Spectrum 48k, do Comodore Amiga, do Dartacão e do Fá. De uma maneira geral, "tivemos" um pouco de tudo. Crescemos de uma forma saudável. Brincámos na rua. Venerámos o aparecimento do Walkmen. Endeusámos os primeiros concertos de estádio. Fizemos as nossas patifarias. Jogámos ao "Bate Pé" e à "Mosca". Vibrámos com as nossas greves estudantis.

Quer-me a mim parecer que muitos dos meus pares de geração vivem obcecados com o crescimento dos filhos. Não no sentido saudável do termo, se é que existe algo de saudável em ser se obcecado, mas porque se deixaram dominar por um estado sócio/paranóico de quererem regulamentar, ponto por ponto, o comportamento dos rebentos, tornando-os velhos antes do tempo.

Não me espevita particularmente quando oiço alguém dizer, feliz da vida, que o filho tem um "comportamento tão adulto", "tão novinho e já fala inglês", "é tão maduro para a idade dele", "deixa tudo tão arrumado que já parece um homenzinho", "para criança tem um vocabulário tão elaborado", "é muito consciente daquilo que faz",...

Preocupa-me saber que por esses lares fora, pode haver malta da minha idade, homens e mulheres - trintões -, que se divertem a ler aos filhos, em voz alta, o Jornal Expresso, que os obrigam a saber na ponta da língua os resultados das eleições europeias, e lhes contam histórias acerca das aventuras do Dr Santana Lopes.

Mas quem sou eu para dizer que nos tornámos todos nuns chatos, e logo eu, que não percebo nada de xuxas nem de biberões...

sábado, 11 de julho de 2009

Do Outro Lado do Mundo!

Do outro lado do mundo tudo é diferente. Não há tempo como o nosso. Vive-se e pronto.
Do outro lado do mundo chega-se e sente-se que o calor tem outra força. Toca-nos de mansinho mas entranha-se num ápice e sem pedir licença.
Do outro lado do mundo os dias podem ser tudo aquilo que quisermos. Basta querer, ter ideias.
Do outro lado do mundo há dias em que apenas se pensa no que ficou para trás. Outros em que não se pensa em nada.
Do outro lado do mundo riscam-se as semanas com um lápis. Vêem-se passar os meses pelos dedos de uma mão.
Do outro lado do mundo crê-se que ali se está melhor. E deseja-se o outro lado do todo. Aquele que ficou longe.
Do outro lado do mundo os dias e as noites rebolam agitados. Rolam até ao último e determinante segundo.
Do outro lado do mundo sonha-se com o regresso. Fui e vim. Regressei.
Um abraço para o outro lado do mundo!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Mais ou Menos Isso ou Algo do Género!

Hora em diante vou estar ainda mais atento quando me der para pegar nesse jornal. Daquelas fraquezas infelizes e incontroláveis que nem com exorcismo o caso se resolve. Daquelas que quando se dá por isso vamos a ver e pronto, já não há nada a fazer. Mas o problema está mesmo é em mim, que não aprendo, e ainda me ponho para aqui a armar-me ao pingarelho numa de ser contra o preconceito e a imprensa das elites.

Foram, ontem, ao Festival Optimus Alive? Digo-vos que valeu a pena!

Mas hoje li assim; "...vocalista dos Machine Head anunciou que a mãe só está no país há um dia mas já se sente 100% portuguesa." (What?????)

Digamos que não gosto particularmente de ficar com o calçado cheio de pisadelas, com a roupa a cheirar a charros, ou com dores nos joelhos como se tivesse acabado de correr a maratona. Ainda assim, prefiro continuar a ir aos concertos para me divertir e saber que saio de lá com uma sensação de bem-estar, bem como de que dei por bem empregues o meu tempo e dinheiro. E isso aconteceu ontem, garanto-vos.

Espanta-me que um senhor, dito jornalista, profissional de carreira e encartado, que a fazer crer por esta frase me dá a sensação de que deve ter visto o concerto mas na Sic Radical, escreva uma barbaridade destas. É que dá uma imagem de tótó do vocalista dos MH, que até pode ter aspecto de porco espinho com brinco no nariz, mas, coitado, no mínimo ainda deve ter um tico e teco que funcionem sem ser em curto-circuito.

Sr. Jornalista, a senhora mãe não era do vocalista. A senhora mãe era do guitarrista. E a senhora mãe, por acaso, até é portuguesa, mas emigrante nos EUA desde criança. Ou seja, aquela era, de facto, a primeira vez que a senhora mãe estava em Portugal. E de facto, apesar de ter dito thank you, a senhora mãe é portuguesa até à raiz dos cabelos. Algo que deve dar para aí como que algo bem perto dos 100%. (Got it???)

Para o ano largue as pantufas e vá sujar o sapatinho, ou então, se lá esteve mesmo, aconselho-o a que vá reciclar o seu inglês, ajuda.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tiro aos Patos!

Os patos, pelo que me é dado a saber, são aves pesadas e com alguma dificuldade em manobrar. Acredito que a envergadura de asas possa até não ser um problema, que o bico achatado não seja nenhum inconveniente aerodinâmico mas a verdade é que, bem vistas as coisas, melhor para alvo em movimento não há.

E quando são daqueles gorduchinhos, assim com uma barriguinha redondinha e jeitosa, imagino que aquilo até deva dar vontade de fazer cócegas no gatilho, ou de fazer o gosto ao dedo, como se costuma dizer. Ainda eles não entraram em velocidade de cruzeiro e toma que lá vai disto, chumbada de meia-noite para o espaço vazio. O pior é que, por este andar, chumbo após chumbo, disparo após disparo, parece que mais difícil só mesmo matar melgas em noites de Verão.

Mesmo assim, entre patos e marrecos algum se há-de safar. Eu até tenho pena de uns e de outros, patos e marrecos. Cada um à sua maneira, acabam por ter o seu encanto. Preocupa-me é saber que andam patos vestidos de azul e a andar em carros brancos com sirenes. Ou os políticos olham para isto com olhos de ver ou vamos passar a comer arroz, de pato, a todas as refeições.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Justiça Divina!

Não faço intenção de esquartejar ninguém, e não percebendo nada de gestão, não sendo eu empresário nem muito menos banqueiro, posso estar devidamente descansado, sem qualquer necessidade de arranjar esquema milagroso que me salve de ver o sol listado às riscas.

Ter o caso especial relevância ou, por outro lado, não ter o caso importância nenhuma, a bem dizer, nada disso interessa verdadeiramente. Na hora de se fazer justiça, mais do que falsamente cego, surdo e mudo, o sistema sofre hoje de reflexos induzidos, que se parecem com espasmos musculares assim a atirar para a ejaculação precoce.

De uma maneira geral temos a ideia de que ter pilim é meio caminho andado para conseguir mexer uns cordelinhos. Mas agora, também, o que se constata é que, importante mesmo, é ter o número de telefone de uma televisão generalista, para tentar fazer daquilo a maior notícia do mundo e arredores, e ir fazendo render o peixe até que alguém quebre ou ache que se está a levantar muita poeira.

O Martim até é um miúdo engraçado. Pelo menos é o que dizem. E eu, pessoalmente, nada tenho contra o Martim. Aliás, que cresça com saúde e que tenha o dobro da sorte dos pais. Ou, no mínimo, que faça por isso. Mesmo sem o saber, o Martim é muito mais do que um simples miúdo. É mais uma prova de que, hoje em dia, acima de tudo, o que é preciso é cair nas graças das televisões ou de algum jornalista em inicio de carreira.

Viva a justiça divina, ao vivo, em directo e a cores...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Porque 1+1 Pode Simplesmente Ser Igual a Uma Coisa Qualquer!

Não é que tivesse percebido grande coisa no meio de tanto berro e de tanta gritaria mas, ainda assim, deu para ver que, no fundo no fundo, havia ali uma atitude louvável não tão despropositada quanto, à primeira vista, podia fazer crer.

Assim de repente, observando ao longe e sentado confortavelmente na esplanada, a figura era desagradável. Alto, de aspecto rude, roupas velhas e sujas, barba de vários dias e por controlar, não era aquele o tipo de pessoa ao qual apelidaríamos de modelo social. Talvez outros conceitos, outros adjectivos. Sem abrigo, mendigo; por aí.

A mim a cerveja sabia-me bem. E seguramente que os outros, que ajudavam a compor o local, fosse o que fosse que estivessem a tomar, não se queixavam do momento que estavam a viver. Mas os gritos não paravam, os insultos, a raiva.

O senhor era alemão. Estava furioso. Gritava para o ar. "Porcos, são uns porcos", dizia. Estava imundo. Calças de ganga nojentas. E ali se manteve, no largo, perto da estação do Rossio, a apanhar todo o tipo de lixo que encontrava no chão, implacável, nos canteiros, nas escadarias, para depois o depositar num contentor, à vista de todos, junto a uma parede.

Na mesa ao lado, reparei que um casal deu mostras de estar incomodado. Ele fumava e no final, acto contínuo, e ainda meia por apagar, largou a beata para baixo da mesa, directamente para o chão, onde jaziam outras duas.

Pois!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Uma Luz ao Fundo do Túnel!

Uma coisa é dizer que foi distracção mas outra, totalmente diferente, é fazer da aselhice uma forma natural de estar na vida. Mesmo assim, se calhar, o mais grave até nem é ser aselha pois, o mais correcto, será falar de irresponsabilidade que essa sim, bem pior que a aselhice, é uma desconexão social que pode até não fazer tanto mal à camada do ozono quanto um desodorizante fatela mas, sem dúvida, que também nunca há-de ser água de malvas nem Channel Nº5.

Pode não parecer mas os parques subterrâneos/garagens, de uma maneira geral, são locais "perigosos". É importante conduzir com atenção, jogar na antecipação e pôr em prática aquela coisa da condução defensiva. O espaço é apertado e as manobras exigem um pouco mais de perícia e nada aconselha fazer disso uma corrida de fórmula 1.

Ver e ser visto é, pois, fundamental. Põem-me os cabelos em pé os amáveis condutores que ainda não descobriram que as luzes do seu auto não servem apenas para a noite escura como breu ao ar livre e que, aliás, é de todo aconselhável que nesses parques/garagens façam, igualmente, uso dos respectivos lampiões. Eu, pelo menos, agradeço.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Whisky De Malte Com Asas!

É algo que não me tira o sono mas acho curioso o facto de, durante anos, ter criado uma espécie de mito que, a pouco e pouco, se veio a desmoronar rapidamente tal qual castelo de areia em hora de maré cheia. Relativamente ao facto, agora, a única coisa que sinto é mesmo um enorme desconsolo; um imenso vazio já impossível de preencher e que durante tanto tempo, baseado em imagens pré-concebidas, me fez acreditar numa maravilha da natureza à qual por terras de Vera Cruz decidiram dar o nome de aeromoça.

Não falarei, pois, de bebedeiras, de actos estúpidos provocados pelas bebedeiras, nem sequer de bêbedos. Nem de patos, canários ou periquitos. Apenas sinto que chegou a altura de exorcizar essa minha visão edílica no que concerne a uma determinada profissão. Tão respeitável quanto qualquer outra, diga-se, mas, ainda assim, não tão sumptuosa como, inocentemente, sempre acreditei que fosse.

Passaram muitos anos por hospedeiras mas hoje, com um pouco mais de estilo (lá está, o estilo sempre à mistura) são conhecidas por comissárias de bordo. Conhecidas e conhecidos, aliás. Que estilo, que glamour, que coisa fantástica, que educação, que perícia, que técnica, que uniformes...O quê, servir chá e café? Servir sandochas de paio requentadas? Aturar malta antipática e que mais merece ser esbofeteada e lançada borda fora a 10000 pés de altitude? Arrumar malas? Providenciar almofadas e cobertores? Apregoar descontos em relógios e perfumes como se se estivesse na feira? Empurrar carrinhos cheios de tralha e a cheirar a gordura?...

Imagino que seja bem mais complicado arranjar uma cunhazita para posar nua ou conhecer jogadores de futebol, mas trabalhar ao balcão de um café sempre tem a vantagem de se comer melhor, poder experimentar doçaria variada e de melhor qualidade e não ficar à mercê de um mergulho surpresa no atlantico.

domingo, 21 de junho de 2009

A Montanha Pariu Um Rato!

Se ainda me lembro, o primeiro segredo para construir a Fisga perfeita é, antes de mais, arranjar um bom pedaço de madeira sólido em forma de forquilha. Depois, cortada à medida certa, a madeira deve ser alisada e dela eliminadas todas as pequenas farpas que possam magoar a palma da mão, e que possam vir a impossibilitar uma utilização eficiente do referido objecto.

O segundo segredo é encontrar um elástico devidamente resistente que aguente a tensão pretendida, bem como saber fazer o nó ideal que mantenha e aguente a ligação do elástico ao pedaço de madeira. Um bom elástico e uma boa ligação irão garantir, de certeza, que a capacidade de atingir um alvo a uma média distância, com precisão e eficácia, será conseguida.

Quando li que o Nuno Eiró tinha levado um tiro, imaginei logo um cenário de horror com tripas e litros de sangue à mistura. Pelo menos, pensei eu, um pulmão furado, intestinos revolvidos ou uma ou duas costelas partidas. Mas qual quê. Nada. Ao ver a fotografia no jornal, lá estava ele, todo sorridente. Do tiro, só aquele pensito na mão de fazer lembrar alguém que se queimou a servir o chá.

Não querendo aqui dizer nada que possa fazer de mim uma versão rasca do American Psico, e não percebendo eu nada de armas de pressão de ar ou de brinquedos similares, que da próxima vez, e só para chatear, usem uma boa fisga. Pelo menos, se levar com uma pedrada bem em cheio naquela mona ou no meio dos periscópios, por instantes, tenho a certeza que se vai esquecer daquelas piadas parvas e daquele jeito de alguém que deve acordar todos os dias a pensar que é uma reencarnação do Benny Hill.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Figura de Corpo Presente!

Se falassem, seguramente que estes pobres coitados muito teriam para nos contar. Ao sol e à chuva, ao calor e ao frio, não deve de ser fácil aguentar uma vida cristalizada, crucificada, sem qualquer reconhecimento, honras ou prestigio.

E porque deve de ser duro ter de passar horas e horas seguidas sem poder mexer um dedo do pé que seja, levantar o sobrolho ou coçar o que der mais jeito no momento, que haja alguém que se lembre destas pobres almas, e se digne de lhes criar um sindicato, um que encontre maneira de lhes arranjar descontos para a segurança social e, em caso de necessidade, cobertura do fundo de desemprego.

Ainda assim, no fundo, mau mau até nem é estar ali a fazer figura de parvo, com uma expressão de ir ao vomito, olhar de fastio e sorriso a precisar de duraglite, o pior mesmo é a inamobilidade forçada dos membros superiores e inferiores que, para quem não sabe, provoca uma a degeneração acentuada das partes moles, pele e cartilagens.

Mesmo assim, no meio de tanta amargura, antes estar o dia todo rodeado de estrume, de tomates e de hortaliças, que a fazer de publicozinho, de rabo sentado numa cadeira, a bater palmas, num programa de televisão. O que diriam eles? Talvez...caguem-nos na cabeça à vontade, mas não nos obriguem a aturar a Júlia, o Manel, o Baião...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Entradas à Leão, Saídas à Urso!

Começou a Terceira Guerra Mundial!

Como é que eu sei disso? Bem, para ser sincero, saber saber não sei. E para não me encher de bazófia, como estou convencido que vocês sabem perfeitamente que eu não sei assim tanto quanto digo saber, ainda que saiba alguma coisa mais que vocês próprios não saibam, pouca, creio, não se esqueçam que existe uma palavra denominada imaginação, essa sim, que pode fazer milagres. Mas olhem que a dita cuja começou mesmo, acreditem. Disfarçada, ela anda pelo meio de nós, e não é com um espírito saudável nem apaziguador.

Ontem, numa autoestrada que mais parece um caminho de pé posto, de cabras ou carros de bois, o carro de trás encostou-se ao da frente como se fossem postal e selo acabado de lamber. Então, o selo lambido, com uma vontade indomável de passar, buzinou, buzinou e buzinou. O postal, pronto a ser ensopado, fez que não viu e continuou em velocidade de cruzeiro. Correio normal, vá. Nada dessas coisas de velocidade supersónica de correio azul.

Então, o selo, completamente esbaforido, esbracejou e tentou armar-se em Nelson Piquet, o dos bons velhos tempos, passando a tentar furar ora à esquerda ora à direita. Por instantes, da minha carripana, observei o braço de ferro com a percepção que estavam ali mais dois brilhantes números para engrossar a estatística dos idiotas mortos ao volante de um carro. A tal terceira, de que vos falava.

No fim? No The End? Passei pelo corredor da Via Verde, como manda a lei a 70km/h, e eles lá ficaram na fila, um atrás do outro, paradinhos, cada um à espera da sua vez para largar a moedinha...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Crocodilos de Água Doce!


Mais rapidamente acredito que há muito muito tempo, mesmo que não numa galáxia longínqua, algo fez com que o nosso aspecto amacacado fosse desaparecendo - e não necessariamente sabendo, à partida, que passados alguns milhares de anos estaríamos rodeados de telemóveis, televisões, escovas de dentes, gps, relógios, etc -, que acreditar que tudo isso tenha acontecido fruto da obra, graça e vontade de um omnipotente ser divino. Seja ele qual for. Mas, enfim, outras conversas...
Se os nossos antepassados mais distantes tudo fizeram para evoluir; tanto é que descobriram o fogo, inventaram a roda, criaram o vestuário, entre outras coisas, fico algo desgostoso quando sou surpreendido com invenções de gosto duvidoso e que, de certa forma, podem ser uma falta de respeito, e até um atentado moral, para com todos os quantos se esfalfaram por descobrir a sandes de carne assada, sem que eles próprios se tornassem na carne, da sandes de um qualquer mamute pré-histórico. E deve ter sido difícil, digo eu, correr pelo meio de silvas e de cardos com os pés ao léu, apenas porque algumas espécies foram achando que carninha que é boa, é a das nádegas e da barriga das pernas do senhor homo-sapiens.
Pois. Mas se eles é que eram os toscos. Os primitivos. Os primatas. Se eles é que tinham de fugir dos dentes dos leões e dos Tiranossauros-Rex, por que raio não se lembraram eles de transformar crocodilos em sapatos de cores berrantes e de design pelintra? Sempre podia dar jeito enquanto fugiam de gruta em gruta. Não? Pelo menos, sempre teria dado mais lógica à palavra Evolução. Certo????
No sábado, quando os vi aos quatro a sair do carro; pai, mãe, filho e filha, pezinho emborrachado verde fluorescente, apeteceu-me apenas agarrar num maçarico e reciclar aquelas socas de plástico num pega monstro gigante.

domingo, 14 de junho de 2009

O Rei Vai Nú!

Não são necessariamente precisos dois reinos para se jogar uma partida de xadrez. Bastam apenas dois lados, dois adversários, ainda para mais sabendo que, às vezes e para facilitar as coisas, até nem isso. É que são poucos, mas, de facto, há quem se aventure nesta batalha mental sozinho. De pensamento dividido em dois, com estratégias ardilosas e elaboradas lá se vão deliciando com os prazeres que o jogo dá, jogando, umas vezes de um lado outras vezes do outro.

Apregoa-se há dias que morreu um príncipe. Pergunto, qual? Que príncipe? De que reino? Não é novidade nenhuma que nem a realeza resiste à ditadura da força da gravidade e que asas é coisa difícil de fazer crescer, mesmo em banho maria ou embebidas em sangue azul.

Portugal é uma republica e (o Brasil também), como tal, títulos não passam de símbolos. Na prática, não existem. Claro que dá jeito para vender papel. Especialmente agora que até a Walt Disney parece ter-se desinteressado dos contos de fadas. Daí que, "Dom", imagino apenas que seja pai de "Donuts" e, por inerência genealógica, avô de "Donnetes". Tudo o resto é fantasia. E da má.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Troca Tintas!

Podem, à vontade, chamar-me de velho. Retrograda, antiquado, jarreta, enfim, dêem o vosso melhor e surpreendam-me com a vossa capacidade de imaginação. Mas há coisas que são assim porque, simplesmente, o são. Nascem connosco. Amadurecem. Firmam-se em nós. Coisas que não precisam de ser explicadas por fórmulas nem sequer por teorias iluminadas. Coisas que nos acompanham e que, invariavelmente, nos seguem ao longo de anos a fio, por mais que o tempo passe. Coisas que resistem até ao último dia. Àquele em que já não se pensa no que se quer, apenas porque, também, chegados aí, já não se pode pensar em mais nada.

A Tinta Permanente continua a ser um mistério para mim. O cheiro, a consistência, a suavidade. Essa sim, tinta que é vida e voz em bruto. É paixão. É tudo que temos para dizer. É a verdade das palavras que queremos mostrar, sem pressas.

Daí que não me prendam outras, envoltas em plástico. Que em nada me deslumbram com os seus preços, enganadores, de satisfação imediata. Pois mais não são do que corpos de aspecto pueril que não excitam, sequer, ao toque. Projectos inacabados de maturidade para esquecer em qualquer sitio, sem remorso nem dor.

Para falar por palavras escritas , se pudesse, seria sempre assim, como num mergulho de cabeça, intenso, até ao último ponto final.

domingo, 7 de junho de 2009

À Vontade do Freguês!

A cor, ao longo dos anos, terá sido daquelas coisas simples mas de valor crescente e verdadeiramente incomensurável. Sinal de diferença pela positiva, muito distante dos pré-conceitos a que alguns, por facilitismo, e tão erradamente a vão associando, a cor pode influenciar os nossos actos e atitudes das maneiras mais dispares e antagónicas. Por isso, umas mais frias, outras mais quentes, funcionam como ignidor de sensações e reacções químicas instantâneas.

Não foram tão poucas as vezes quanto isso que, ao ver um filme em B&W, me pus a imaginar se aquele mundo ali retratado seria mesmo assim, sem cor. Aquelas roupas, os carros, os olhos, o céu, o campo, a pele...tudo. Que bom que os filme de época feitos hoje em dia, em jeito de alivio, comprovem que, de facto, a cor, sempre existiu, e que esteve sempre lá, em tudo.

Claro que há cores das quais gosto mais, em detrimento de outras. Isso acontece com todos, acredito. Pois o espectro é de tal forma amplo que, olhando para um arco-íris, de braços abertos, as misturas, ainda que confusas, podem ser significativamente visíveis, da esquerda, à direita. Resta-nos parar e observar aquele ínfimo ponto onde conseguimos reconhecer a nossa favorita.

E a cor também pode ser um bom motivo de escolha. De opção. Desafio-vos a que escolham a vossa, que talvez um dia vos fale sobre a minha. Mas hoje não. Hoje, não posso.

sábado, 6 de junho de 2009

Reflicto Logo Existo!

Não há dias melhores do que outros para reflectir. No fundo, todos os dias contam para tudo. E no que diz respeito a reflectir não se abre daí nenhuma excepção à regra. Frágeis, contudo, tememos o tempo porque o não sentimos nosso. O que nos torna reféns dos relógios, dos calendários e das agendas. Mas nada mais do que uma ilusão vã de posse. Um engano. Um que, enfim, aceitamos. E, submissos, gostamos.

É que não precisamos sequer de passar os dias a reflectir. Acima de tudo o que temos é de viver. E agir é bem mais real do que pensar. Que, sem se sentir, pode magoar bem mais e abrir feridas bem mais profundas. Às vezes reflectir muito não implica, necessariamente, decidir melhor. Há o instinto, a vontade, o sabor. É preciso saber ver, também.

Óbvio que quando se reflecte tiram-se conclusões e podem-se descobrir soluções imprevistas e inimagináveis. Aprende-se com os erros. Percebe-se que há um bem e que há um mal. Sente-se que, no fundo, mudar até pode ser o caminho mais lógico a seguir. Todavia, reflectir pode ser apenas uma boa maneira de dar dois murros na mesa, e de alertar para que todos oiçam que aqui, agora, o que é realmente necessário é ganhar forças e agir dizendo BASTA.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Pêlo na Venta a Cheirar a Nestum!

Eu até que gosto. A sério. E quando me dá vontade, uma daquelas às quais nem interessa sequer fingir que se consegue resistir, agarro-me a um pratinho convenientemente atestado e toca de me por a encher a barriga.

Realmente, bem vistas as coisas, acaba por ser daqueles pecados que me tem acompanhado ao longo dos anos, pequena facada nas costas na coerência do meu próprio crescimento ou, enveredando por caminhos mais extremistas, um ataque suicida à minha já escassa maturidade.

É muito provável que aqueles pedaços de farelo açucarado, por si só, não fossem capazes de ter criado esta relação estranha de dependência. Mas aquilo misturado com leite transforma-se numa mistela de tal forma viciante, que se acham que alimentar burros a pão de ló é uma despesa enorme, então, é porque nunca me viram a encher o carrinho do supermercado com embalagens deste pó ao qual deram o nome de nestum.

Acho uma piada enorme aos antigos lideres e elementos das juventudes partidárias, aqueles acabadinhos de sair da fábrica do endoutrinamento ideológico. Os masculinos, pelo menos. Quando são das jotas pulam, refilam e vestem qualquer trapinho. Depois, quando passam aos seniores, aquilo deve-lhes fazer ali um qualquer curto de circuito que começam logo a armar-se em gente crescida. Olham em frente e dizem que sim a tudo. Agora, está na moda deixarem crescer umas barbinhas de homem grande. Acham eles que aquilo lhes disfarça a carinha de menino desmamado e a cheirar a leite. É a credibilidade, julgam.

Credibilidade não é deixar crescer a barba, vestir fato e gravata e falar caro. É, no mínimo, provar que se é diferente dos muitos maus exemplos que por aí andam a encher o bandulho. E não é de nestum, garanto-vos.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Baby's In TOYland!

Já houve, com certeza, dias mais chatos para cortar o cabelo. Mas hoje, e perfeitamente ao acaso, acertei em cheio no momento certo, facto que me salvou de uma espera aborrecida e entediante.

Se a televisão não existisse, não seria uma meia dúzia de revistas de folhas amachucadas e amarelas capaz de, pelo menos, atenuar o sofrimento pelo qual o número de cabeludos à minha frente, acredito, me faria passar. Assim, num tom calmo e moderado, lá estava ela, no alto e a um canto da sala de espera, com as caras mais ou menos habituais para aquela hora da manhã.

É que pelo meio de Cinhas, Lilis, Gouchas e demais compinchas, sem aviso prévio nem sinal de alerta, ora se não quando, num close-up firme e arrojado, brota um dos maiores reis do cançonetismo nacional. O inigualável e bem parecido TOY. Esse figurão, que para mal dos nossos maiores pesadelos tivemos o desprazer de "conhecer" em momentos da sua vida privada. Daquelas figuras que nos fazem deprimir sobre o facto de que, no fundo, os famosos também fazem chichi, entre outras coisas.

Mas olhando assim de esguelha, e até com um certo cuidado para não dar nenhum mau jeito ao pescoço, tentei evitar pensar que a Cinha também faz chichi, e que a Lili também faz outras coisas. Porque ali, o que interessava mesmo era ouvir falar sobre o filho bastardo do T, que afinal não é do T, mas até pode ser bastardo de um outro tipo qualquer. Importante importante, e segundo a Lili, é usar o preservativo, isso sim, algo que reduz a possibilidade de bastardos e bastardas. E isso diminui a confusão, apesar de toda a gente já saber o que é o ADN.

Valha-nos nossa Senhora a oportunidade que a televisão generalista nos dá todos os dias de irmos aprendendo umas coisas. A minha maior lição de hoje foi, depois de ver a Cinha sentada ao lado do T, na amena cavaqueira e numa de tu cá tu lá, continuar a acreditar que a integração social é possível, e que a convivência de bairros sociais e condomínios privados até pode ser uma coisa super bem.